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Não se limite a apenas ouvir o disco: leia e escute-o com atenção. Se primos de gênero o Envydust tem aos baldes por aí, outro trabalho com a profundidade deste é dificil de se achar.


 
 


 
 


 
 


 
 


 

Como se fosse um livro

Paulistanos juntam guitarra, piano, gritaria e flauta em pós-hardcore com poesia

por Silvana Salles
13 maio, 200812:59 pm

Soa como

Muito pouca coisa que você possa ter ouvido em português na última década

Entre a cruz e a garrafa

Um, do Envydust, é um álbum com uma idéia. Dividido em três partes separadas por interlúdios um tanto jazzísticos, o disco conta uma história; ou melhor, um apanhado de histórias que se alimentam e se completam, como uma coletânea de depoimentos angustiados e contos escurecidos. Tema? O fim.

Deus e morte são palavras-chave em todos as letras. Do homem que quer seu maior do que o criador, em Senhoras e Senhores, ao medo de envelhecer, em Triunfante. De uma ponta a outra, a banda vai costurando temores, dilemas, arrependimentos, descrença, suicídio.

A divisão interna do álbum é mais focada no conteúdo das letras, mas há alguma diferença musical entre elas. A parte 1, Alguém que foi longe demais, é mais enérgica. Mais melancólica, a parte 2 vem com direito a piano em Letargo, e flauta, violão e hammond em Vai Ser Igual. A parte 3 retoma o peso predominante do disco, mas abriga também os dois deslizes do disco, Triunfante e O Trem, pegajosas e com algum apelo emo, apesar de literariamente fecharem o trabalho do um jeito bacana.

Aliás, essa verve literária é o que mais diferencia o Envydust de boa parte das demais bandas brasileiras. O cuidado com a poesia é tanto que cada um dos versos pode viver sem a música, embora o efeito, creio eu, não seja tão enfático sem a esquizofrenia vocal de Max e Daniel e as guitarras distorcidas. E se às vezes resvala no clichê, o sexteto é habilidoso em usá-lo em seu favor.

Vale a pena ouvir

Apresenta Ele: Um dos dois singles lançados antes na internet (o outro é O Leilão do Lote 77), a primeira faixa do disco é bem eficiente para situar o ouvinte no universo musical da banda

O Leilão do Lote 77: A alternância de vocais esquizofrênica cabe muito bem aqui, onde a cabeça do personagem suicida é invadida por demônios e anjos bastante cínicos

Letargo: Quase toda instrumental, faz algumas combinações interessantes de instrumentos

Quem Dera: Pra quem ouve as variações mais metaleiras e melódicas do hardcore, é uma canção meio padrão, mas bem feitinha

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ENVYDUST
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