Soa como
Dois irmãos fãs de Slayer e uma garagem. Só que com mais sofisticação.
Família é pra vida toda
Depois de 12 anos sem de fato estarem na mesma banda, Max e Iggor Cavalera se reuniram sob a alcunha de Cavalera Conspiracy e lançaram Inflikted - um álbum que embora contenha 50% da formação original do Sepultura (mais do que o próprio Sepultura tem atualmente, aliás), não poderia de forma alguma ser um disco novo da banda nativa de Minas Gerais. O lançamento recente, afinal, não tem a densidade de Dante XXI, o último de estúdio dos ex-comparsas.
O parágrafo acima, apesar de soar cretinamente injusto, suscita algumas questões muito, digamos, tangentes ao mais novo capítulo da história dos irmãos Cavalera. Max evoluiu musicalmente desde então? Iggor ficou de saco cheio do pedantismo de Andreas Kisser? O Cavalera Conspiracy é mais Sepultura do que o Sepultura de hoje em dia? (E por que motivo razoável o antigo “Igor” virou “Iggor“, assim com dois “G”?) Não cabe a nós, aqui, tentar responder a essas perguntas de perigosíssimo viés especulativo. Portanto, vamos aos fatos e às opiniões menos megalomaniacas.
O Cavalera Conspiracy tem Max nos vocais e guitarra, Iggor na batera, Marc Rizzo (Soulfly) na guitarra solo e o francês Joe Duplantier (Gojira) no baixo. Inflikted é um disco de metal enraizado, com músicas batizadas com nomes ridiculamente juvenis, tais quais Must Kill, Nevertrust e Bloodbrawl. De intenções bem diferentes do trabalho cheio de conceitos ao qual Kisser, Derrick Green, Paulo Jr. e (agora) Jean Dolabella vem se dedicando. O que, no final das contas, faz bastante sentido.
Max e Iggor têm o trunfo de chegarem em um disco que realmente fala sobre eles: é thrash metal incontestável, sem ser ultrapassado nem pretensioso. O verniz moderno, pós-metal alternativo e metalcore, permeia todas as faixas. Ao mesmo tempo, os solos de guitarra remetem ao que existe de mais antiquado no metal. Ou seja; Inflikted é parte o que os caras cresceram ouvindo e parte o que eles ajudaram a consolidar no universo musical. Resultado? Irmãos fazendo o que realmente gostam.
Engana-se quem pensa que o novo trabalho cavalerístico possa representar uma retomada do ponto onde a parceria dos dois foi interrompida. Perdão pelo excesso de comparações, mas Inflikted não tem a pólvora ou a genialidade de Roots - assim como nada do que a banda de origem produziu posteriormente teve. Ainda bem. Significa que os mineiros atingiram o objetivo louvável de não tentar repetir a si mesmos.
Vale a pena ouvir
Inflikted: a faixa que (perdão pelo clichê – e perdão pelo clichê de pedir perdão pelo clichê) empresta o nome ao disco está muito mais para Soulfly do que para Sepultura.
Terrorize: Pela introdução de bateria bacana.
Bloodbrawl: Mostra bem algumas tendências do metal pós-Roots. Aí, termina com solo, arpejos e um violão de inspiração medieval típico de quem ouviu muito Iron Maiden e Judas Priest durante a adolescência.
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