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Catarse a granel

DEFTONES10fev2007 @ Via Funchal, SP
Medalhão do new metal mostra que o gênero ainda tem dignidade

Confesso que saí de casa aquela noite duvidando um pouco do potencial do Deftones. Não musicalmente, mas sim o de agregar público ao evento. Foi o tempo de dez minutos do trajeto para descobrir o quanto eu estava errada: 7 minutos [...]

por Silvana Salles
12 fevereiro, 20082:19 pm


DEFTONES
10fev2007 @ Via Funchal, SP

Medalhão do new metal mostra que o gênero ainda tem dignidade

Confesso que saí de casa aquela noite duvidando um pouco do potencial do Deftones. Não musicalmente, mas sim o de agregar público ao evento. Foi o tempo de dez minutos do trajeto para descobrir o quanto eu estava errada: 7 minutos para as 22h, a Rua Funchal abarrotada de gente de tênis Adidas e camiseta preta, como pressupõe o figurino. O mesmo aconteceria dentro da casa, onde 5 mil pessoas esperavam ansiosamente pelos primeiros acordes da banda californiana. Parecia que, caso raro, todos os fãs de nu-metal da Grande São Paulo e cercanias haviam decidido comparecer ao show – salvo aqueles que guardaram o dinheiro para ver o Bleeding Through tocar no Hangar 110 domingo à tarde.

Então vieram os esperados acordes. Catarse coletiva: parecia que cada uma das pessoas ali presentes sentia a música da mesma forma que os próprios músicos. Peso e melodia são destilados na medida certa. O baixista Chi Cheng faz o show inteiro com uma bandeira brasileira pendurada no pedestal do microfone.

Durante quase duas horas de show, a banda fez uma incursão por 12 anos de obra. O setlist bem montado não deu trégüa ao público, que não se cansava de pular nas músicas mais pesadas, como Bored (Adrenaline) e Korea (White Pony), cantar junto em clássicos como My Own Summer (Shove It) (Around The Fur) e Back To School (White Pony), demonstrar aprovação nas novas Hole in the Earth e Rats, Rats, Rats (Saturday Night Wrist), lançado ano passado) ou se emocionar nos momentos mais calmos, com em Digital Bath (White Pony). Importante lembrar, é claro, que mesmo a calma do Deftones traz um peso considerável, vista a parede sonora invejável que os músicos constroem ao vivo.

Durante a apresentação, o vocalista Chino Moreno mostrou porque merece a posição de frontman, conversando com a platéia, jogando camisetas devidamente carimbadas de suor facial, ocupando toda a frente do palco sem medo de chegar perto do público. O que, aliás, também vale para Chi Cheng, o segundo homem carismático da banda. Moreno também tirou fotos com a máquina de um fã e convocou o público para o mosh pit. O show terminou com a esperada Change (In The House of Flies) e Headup, registrada no álbum Around The Fur com participação de Max Cavalera, em 1996.

Nada de elementos pirofágicos ou malabarismos virtuosos. Foi um show direto e de excelente execução. Na medida para contra-argumentar com aqueles que acreditam que o Deftones era só mais um espécime de uma moda passageira, que teria ficado lá na virada do século.

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