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Nem só de Radiohead vive a internet. Com dez anos de estrada, os guarulhenses do Chipset Zero lançam novo álbum na web e contabilizam as vantagens de manter o profissionalismo
O lançamento físico, oficial, está previsto para março deste ano. Mas enquanto o disco novo do Chipset Zero, batizado de Red-O-Matic, não chega à sua loja preferida da Galeria do Rock, o trabalho da banda de Guarulhos está desde dezembro todo disponível no Trama Virtual. E já atingiu a marca de 4 mil downloads.
Trata-se de um número nada desprezível para uma banda independente. Claro, não se compara ao obtido pelo Radiohead com aquela jogada de pagar quanto se quisesse pelo álbum, tampouco aos 6,6 milhões de downloads legais que o pegajoso hit Umbrella, da americana Rihanna, conseguiu em 2007. Estamos, porém, falando de um grupo veterano na cena new metal de São Paulo, que desde 1997 milita nas hostes de um gênero de alcance restrito, que já saiu de moda há tempos, cantando em inglês e fazendo um som nada comercial. Ou alguém acha que a mistura de industrial e thrash metal tem espaço no mainstream?
Peguemos uma estatística esdrúxula para basear a comparação: conforme publicado pela revista Carta Capital de 28 de novembro passado, a Warner Music conseguiu vender 20 mil cópias de um disco antigo dos Bee Gees só depois de passar por uma maquiagem para baratear o preço final. O Chipset, muito longe da estrutura de que os relançamentos das lendas da disco music dispõem, conseguiu em pouco mais de um mês chegar a um quinto deste número em downloads gratuitos através de um site que há anos trabalha com este formato de distribuição.
Para o baterista Jamil, caso a banda tivesse optado por disponibilizar apenas alguns singles na internet, em vez de pôr o álbum completo, o resultado provavelmente não teria sido tão bom. “O disco deixou de ser um produto para ser promoção. Você não ganha mais dinheiro vendendo disco, apenas o usa como ferramenta para que as pessoas te conheçam”, explica o músico.
As treze faixas de Red-O-Matic que estão na web mostram mais do que uma mudança de estratégia de marketing do disco anterior, Deep Blue (de 2001), para o momento atual. As mudanças pelas quais o som passou também são bastante claras: os samples estão mais orgânicos, o vocal está menos melódico, as guitarras mais agressivas, a percussão mais trabalhada. Em alguns momentos, como Hybrid Song, chega a lembrar o Soulfly. As influências de hardcore também estão mais nítidas, e, se o que você procura é aquele new metal que tão bem conhecemos, esqueça. Enquanto o rótulo caía, o Chipset Zero de Tubarão (vocal/percussão), Ayka (baixo), Ronny (guitarra), Japa (guitarra), Alê (sampler e programação), Jaime (percussão) e Jamil atropelou a fórmula melodia-barulho-verso-refrão-scratch-guitarra e construiu um trabalho único e muito bem lapidado.
Jamil comenta essas mudanças da seguinte forma: “amadurecemos muito e foram anos de diferença [entre os dois álbuns]. A estrada te dá outra visão da música. Não somos mais adolescentes, somos homens e temos outras ambições”. Só para constar, entre o Deep Blue e o Red-O-Matic, o Chipset excursionou por Argentina e Chile e abriu em São Paulo shows para Slipknot e Kittie.
Leia abaixo a entrevista com o batera e co-fundador da banda:
Por que o Red-O-Matic demorou tantos anos para sair?
Dinheiro, tour, oportunidade, uma série de fatores. Não podíamos e nem queríamos lançar um “disco qualquer”, tinha que ser um disco BEM produzido. Já tínhamos viajado pra Argentina, pro Chile, tocado em vários festivais, MTV, dois clipes… Então investimos tudo o que pudemos nesse disco.
O álbum novo teve mudanças de direção no som? Você pode explicar quais foram?
Sim. Amadurecemos muito e são anos de diferença. A maioria das composições do Deep Blue é de 98, 99, 2000. Tocamos muito juntos e houve trocas na formação. A estrada te dá outra visão da música; nós não somos mais adolescentes, somos homens e temos outras ambições. A cabeça mudou, a visão sobre a música mudou, nos transformamos. Aprendemos muito nesses anos de viagens, palcos, experiências boas e ruins… Existe aquele ditado, “a vida te ensina a viver”. O mesmo vale pra banda.
Eu achei o Red-O-Matic mais thrash do que as coisas antigas, menos new metalzinho.
Sim, podemos dizer que ele está mais agressivo, mais metal. Outras pessoas dizem que estamos mais industrial.
Além dos downloads, vocês estão com o disco físico também?
Sim, sim. O disco deixou de ser um produto para ser promoção, hoje é ele quem promove a sua banda. Você não ganha mais dinheiro vendendo disco, apenas o usa como ferramenta para que as pessoas te conheçam.
E os downloads estão funcionando bem como promoção?
Claro. A internet sempre foi a favor do Chipset Zero. Sempre a utilizamos a nosso favor.
Você acha que se o disco não estivesse inteiro na net, tivesse só uns singles, o efeito seria o mesmo?
Não, hoje em dia não.
E os shows, estão rolando?
Então, o começo de ano está meio parado, mas ano passado tocamos com o Kittie. Tá pintando algumas coisas, talvez uma segunda tour pro Chile, estamos vendo ainda. Mas já fomos contatados pra um grande festival em março, em Santiago.
Baixe o álbum dos garotos aqui.
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