Fernando Ramos

14 de junho de 2010
20:15

O Bom Hype

Estreia em álbum do Sleigh Bells mostra que a banda continua merecendo atenção

treats

Sleigh Bells
Treats

N.E.E.T., 2010

  1. O Sleigh Bells é hype. Desde sua formação, no longínquo 2008, já tocaram em festivais de peso como Coachella e CMJ, dos quais saíram atraindo atenção de Pitchfork, New York Times, entre outros.
  2. Quer mais? São elogiados por gente hype como M.I.A., que os acolheu em seu selo, N.E.E.T.  (aliás, comparem o site deles e o dela).
  3. O SB é uma dupla, o que quase sempre garante uma sonoridade interessante. Ainda mais neste caso:  o guitarrista Derek E. Miller veio de uma banda americana de (pós-)hardcore.  A vocalista Alexis Krauss estava sem cantar recentemente, mas tem experiência… como vocalista de uma banda teen-pop.
  4. Essa formação garante a simplicidade da proposta do SB: ao vivo  , são apenas os vocais de Krauss, as guitarras de Miller e as batidas pré-programadas do laptop.
  5. E, com tão pouco, ainda soam originais! A guitarra de Miller une o peso de um riff de metal com as aspirações pop de um refrão de arena rock, tudo isso executado num ritmo robótico que reforça a repetição das batidas electro. Krauss reinventou bem seu passado teen-pop, cantando melodias absurdamente grudentas, dignas de top 10, mas sucumbindo à velha gritaria rock ‘n’ roll quando apropriado. A produção é que dá o caráter mais punk às músicas finalizadas: guitarra e bateria altíssimas, “estouradas”, batidas lo-fi sequenciadas toscamente contrastam com o pop do vocal, num resultado que descritivamente chamarei de psycho-líder-de-torcida, como a capa do disco ilustra perfeitamente. Cuidado:  estou ouvindo Treats no repeat há uma semana!
  6. Não é o caso de nomear Treats como a nova salvação do pop/rock/indie/etc, mas a originalidade do álbum (e da banda) está na universalidade da mistura de gêneros que criaram: ele pode fazer a cabeça tanto do seu amigo indie-cult quanto daquela sua amiga mais patricinha. Agora pode colocá-los na mesma balada!
  7. Mais do que isso, o SB sinaliza as mudanças no que vem sendo considerado fazer música não-erudita no século XXI: pessoas de passados musicais diferentes se juntando frente às suas guitarras e laptops pra tentar criar algo original, não necessariamente no formato álbum, nem através de gravadoras (os primeiros anos de sucesso do SB se construíram através de Myspace, shows e Singles e EPS, a maioria disponibilizada gratuitamente pela banda). Já está mais que na hora: numa época em que Le Tigre e Ladytron colaboram no novo disco da Christina Aguilera e que Thom Yorke, Grizzly Bear e outros compõem para a trilha sonora de Crepúsculo, ainda faz sentido separar indie e pop?
  8. Mas, claro, a máxima “don’t believe the hype” se aplica aqui. Mesmo lançando um ótimo disco, ainda resta ver o que o futuro reserva ao Sleigh Bells: a dupla mescla um bom conceito e composições competentes a boas performances ao vivo (veja acima), mas é arriscado apostar num segundo tiro certeiro depois de ouvir apenas nove canções— das quais três ou quatro são indiscutivelmente boas.
  9. Ouça algumas faixas no Myspace deles e dê sua opinião!

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