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Sleigh Bells
TreatsN.E.E.T., 2010
- O Sleigh Bells é hype. Desde sua formação, no longínquo 2008, já tocaram em festivais de peso como Coachella e CMJ, dos quais saíram atraindo atenção de Pitchfork, New York Times, entre outros.
- Quer mais? São elogiados por gente hype como M.I.A., que os acolheu em seu selo, N.E.E.T. (aliás, comparem o site deles e o dela).
- O SB é uma dupla, o que quase sempre garante uma sonoridade interessante. Ainda mais neste caso: o guitarrista Derek E. Miller veio de uma banda americana de (pós-)hardcore. A vocalista Alexis Krauss estava sem cantar recentemente, mas tem experiência… como vocalista de uma banda teen-pop.
- Essa formação garante a simplicidade da proposta do SB: ao vivo
, são apenas os vocais de Krauss, as guitarras de Miller e as batidas pré-programadas do laptop. - E, com tão pouco, ainda soam originais! A guitarra de Miller une o peso de um riff de metal com as aspirações pop de um refrão de arena rock, tudo isso executado num ritmo robótico que reforça a repetição das batidas electro. Krauss reinventou bem seu passado teen-pop, cantando melodias absurdamente grudentas, dignas de top 10, mas sucumbindo à velha gritaria rock ‘n’ roll quando apropriado. A produção é que dá o caráter mais punk às músicas finalizadas: guitarra e bateria altíssimas, “estouradas”, batidas lo-fi sequenciadas toscamente contrastam com o pop do vocal, num resultado que descritivamente chamarei de psycho-líder-de-torcida, como a capa do disco ilustra perfeitamente. Cuidado: estou ouvindo Treats no repeat há uma semana!
- Não é o caso de nomear Treats como a nova salvação do pop/rock/indie/etc, mas a originalidade do álbum (e da banda) está na universalidade da mistura de gêneros que criaram: ele pode fazer a cabeça tanto do seu amigo indie-cult quanto daquela sua amiga mais patricinha. Agora pode colocá-los na mesma balada!
- Mais do que isso, o SB sinaliza as mudanças no que vem sendo considerado fazer música não-erudita no século XXI: pessoas de passados musicais diferentes se juntando frente às suas guitarras e laptops pra tentar criar algo original, não necessariamente no formato álbum, nem através de gravadoras (os primeiros anos de sucesso do SB se construíram através de Myspace, shows e Singles e EPS, a maioria disponibilizada gratuitamente pela banda). Já está mais que na hora: numa época em que Le Tigre e Ladytron colaboram no novo disco da Christina Aguilera e que Thom Yorke, Grizzly Bear e outros compõem para a trilha sonora de Crepúsculo, ainda faz sentido separar indie e pop?
- Mas, claro, a máxima “don’t believe the hype” se aplica aqui. Mesmo lançando um ótimo disco, ainda resta ver o que o futuro reserva ao Sleigh Bells: a dupla mescla um bom conceito e composições competentes a boas performances ao vivo (veja acima), mas é arriscado apostar num segundo tiro certeiro depois de ouvir apenas nove canções— das quais três ou quatro são indiscutivelmente boas.
- Ouça algumas faixas no Myspace deles e dê sua opinião!


