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Aquecendo os tamborins

ORQUESTRA IMPERIAL
23AGO2007 @ Citibank Hall, SP

Big band se apresenta para um público que estava lá só pelo hype

A Orquestra Imperial se apresentou na última quinta-feira, no Citibank Hall, em São Paulo, divulgando seu primeiro álbum, Carnaval Só No Ano Que Vem. Foram mais de quatro anos entre o surgimento, a primeira oportunidade perdida de assistir [...]

por Daniel Andreazzi
29 agosto, 20085:13 pm



ORQUESTRA IMPERIAL

23AGO2007 @ Citibank Hall, SP

Big band se apresenta para um público que estava lá só pelo hype

A Orquestra Imperial se apresentou na última quinta-feira, no Citibank Hall, em São Paulo, divulgando seu primeiro álbum, Carnaval Só No Ano Que Vem. Foram mais de quatro anos entre o surgimento, a primeira oportunidade perdida de assistir ao show e a apresentação da semana passada.

O público da Orquestra era um verdadeiro borrão de pessoas alternativas: indies, a galera do hardcore e os freqüentadores do samba-rock no Teatro Mars. E também viúvas de Los Hermanos. Na verdade nem esse tipo de generalização é possível, devido à presença de patricinhas bem arrumadas que iriam ao show com mesas de Seu Jorge e Ana Carolina. Mas Seu Jorge não faz mais parte do grupo.

Essa gente toda parecia não saber direito o que esperava por elas. Buscando a história da origem da Orquestra, saberiam que ela surgiu com a reunião de pessoas de várias outras bandas, convidadas pelo baixista Kassin, para tocar no finado Ballroom, uma pequena casa de Humaitá, no Rio de Janeiro. Tradicionalmente uma casa de danças de salão, forró, samba e a gafieira introduzida pela própria Orquestra.

Mas eram raros os casais dançando. Em cima do palco as pessoas pareciam estar se divertindo mais que as pessoas da platéia. Exceto por alguns momentos, no caso de músicas mais conhecidas, como Ereção, Yarusha Djaruba e Ela Rebola. Aqui e ali músicas incidentais, como Paranoid do Black Sabbath, também animavm.

Convidado especial no recém-lançado álbum, Jorge Mautner também fez uma aparição no show. Outro ponto alto, com a platéia gostando da idéia, afinal Maracatu Atômico foi uma das poucas músicas realmente conhecidas da apresentação. Mautner voltou na hora do bis, para cantar Encantador de Serpentes e Eu Não Peço Desculpas.

Rodrigo Amarante é o mesmo de sempre, cheio de caras e bocas para cantar ou para tocar. Moreno Veloso, atualmente, é bem mais coerente que o pai na hora de compor e cantar. Max Sette foi (pelo menos para mim) uma grata surpresa, antes desconhecida.

A ala feminina é um show à parte. Thalma de Freitas é totalmente despojada, pula de um lado para o outro. Nina Becker parece uma menina tímida. Para elogiar Felipe Pinaud, compositor dos metais no álbum, falou “ele é bom pra caralho”, depois como uma criança que não deveria falar palavrões, envergonhada, pede desculpas e diz “eu tava elogiando ele, se é que vocês me entendem”.

O restante da parte +2 (além de Moreno) da Orquestra ficou discreta a maior parte do tempo. Kassin não largou seu baixo uma vez sequer, no fundo do palco. Domenico Lancellotti também, atrás da bateria. Só saiu de lá no bis.

Isso no momento em que, para surpresa inclusive da banda, mais um convidado apareceu: Andreas Kisser. Frases como “vocês tão entendendo o que está acontecendo?” e “fodeu, o que vamos tocar agora?” foram ditas mais de uma vez. Foi a hora de Domenico brincar de Rocky Balboa, com toalha no pescoço e tudo, cantando Gonna Fly Now em falsete. Kisser saiu do palco rindo, como se tivesse contado uma piada.

Eu Bebo Sim encerrou o show, com Amarante nos vocais sendo carregado pela banda, como se estivessem brincando no meio de um ensaio e, finalmente, todo mundo cantando. Mas ninguém dançando a dois.

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