Soa como
Música de saguão de hotel, mas com muito mais estilo.
Toca Dylan!
Comparações não vão faltar com The Covers Record, álbum de oito anos atrás de Chan Marshall, a.k.a. Cat Power, que seguia a mesma lógica: desconstruir clássicos – ou não tão clássicos – a favor da voz da cantora. No entanto, Jukebox tem uma carga “emocional”, digamos assim, muito maior, devido não só às variações de voz de Cat Power, como também pela instrumentação muito bem colocada, seja pela bateria que marca secamente os tempos, o piano dramático e uma guitarra mais ornamental que melódica.
Essa musicalidade talvez seja culpa da Dirty Delta Blues Band, que acompanha a moça não só na gravação do disco mas também em seus shows e dão essas nuances mais trabalhadas à Jukebox, um disco para relaxar, ouvir sem achar nenhuma genialidade musical. Afinal, essa mistura de country, jazz e soul – seriam suas raízes sulistas? – anda meio manjada ultimamente. É um álbum competente no que se propõe. Vale dizer que as doze músicas se encaixam, sem parecer que o disco é apenas uma coletânea de canções que Chan queria regravar: o álbum se fecha. Confira a tracklist e veja de quem Cat Power pegou cada música:
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New York - Frank Sinatra (entre outros ene intérpretes)
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Ramblin’ Man - Hank Williams (Cat Power a transformou em Ramblin’ (Wo)man)
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Metal Heart (essa é original dela mesmo)
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Silver Stallion - Lee Clayton
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Aretha, Sing One For Me - George Jackson
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Lost Someone - James Brown & The Famous Flames
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Lord, Help The Poor And Needy (música tradicional, popular na interpretação de Jessie Mae Hemphill)
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I Believe In You - Bob Dylan
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Song To Bobby (também original de Cat Power)
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Don’t Explain - Billie Holiday
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A Woman Left Lonely - Janis Joplin
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Blue - Joni Mitchell
Vale a pena ouvir
New York: Começa o álbum muito bem, com aquela bateria marcante. Chega a ser meio sexy.
Silver Stallion: Uma aura country, uma voz serena, um violão.
I Believe In You: O máximo de rock que o disco atinge – o que é ótimo.
Blue: Clássico muito bem retrabalhado, com piano e um baixo, que dão uma aura psicodélica – num uso limitado da palavra – à canção. Fecha com chave de ouro.
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