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Prova de resistência

Um tratado sobre como assistir um telão por 200 reais

por Luiz Fukushiro
29 outubro, 20084:16 pm

É a Björk mesmo?

O TIM Festival é o maior festival maistream brasileiro. Isso, sem dúvidas. Mas o termo “melhor” pode ser que não se encaixe muito bem. Filas, atrasos e um line-up confuso – e com jeito de aleatório – transformaram a experiência em uma prova de resistência. Alguns momentos memoráveis, outros dispensáveis, a noite principal do festival foi sempre em algum momento um fiasco para alguém. Afinal, quem é fã de Björk, uma artista visual, inovadora e de certa forma espontânea, pode não dialogar muito com Juliette & The Licks, uma banda que imita os dinossauros do hard rock dos anos 70. Acompanhamos os shows desde às oito da noite até o fim, beirando as cinco da matina.

Aperta o play e vai

Hot Chip 2.5

Bom, perdemos o Spank Rock, foi mal. Começa Hot Chip, banda de electro-pop inglês, mas o público parece não notar. A energia vai crescendo aos poucos, culminando no hit Over And Over, que fecha o show. A banda em si é bastante enérgica, mas soa um pouco artifical pelo excesso de passagens programadas no computador. Sem estímulo visual algum, a banda não empolgou, talvez pelo desconhecimento do público, mais provável pela falta de sintonia com o estilo de quem assistia.

Cores, clássicos e metais

Björk 4

Depois de uma seleção de música okinawana que ninguém sabe porque estava tocando no intervalo, entra um grupo de metais, meio que marchando. Começa a batida. Entra uma figura vestida em um manto e um turbante esquizóide na cabeça. É ela, Björk, que chega cantando Earth Intruders. O som, alto, junto da voz da islandesa, que não parecisa sustentar uma multidão de 20 mil pessoas, ecoam por todo Anhembi (rolou um burburinho sobre playback, mas tudo bem, visualmente compensava). Começa a muvuca e o show se torna o telão. Na entrada da área VIP, começa uma pequena discussão sobre ose seguranças que não deixavam a imprensa entrar durante o show de Björk. Enquanto isso, no palco, o som das batidas vinham de máquinas controladas por touch screens gigantes e peças, tornando a chatice da apresentação eletrônica numa fissura geek. Os metais participavam em diversas músicas, quando a voz dos instrumentistas não atuavam como backing vocal. Ela retira o manto e surge Björk num vestido arco-íris, para cantar (e dançar, naquele jeitinho desengonçado) clássicos como Hunter, All Is Full Of Love e Jóga eram permeados por canções do novo álbum, Volta, e do hermético Medúlla, com direito a música em islandês ao som de um cravo. Quando o show somente pensava em decair, começa Hyperballad, quando as batidas tomam conta e o festival vira uma grande pista de dança. Apoteótico. Björk, claro, volta para um bis: Declare Independence, que dá continuidade ao tom da canção anterior. Tudo se acaba numa chuva de papel picado.

Intervalo. O atraso já existe e as filas multiplicam. No próprio TIM Festival, vários celulares somem. Dentre o grupo de seis pessoas, dois aparelhos perdidos, e reclamações apareciam aleatoriamente.

Uma boa atriz

Juliette & The Licks 2.5

O atraso já chega a uma hora quando entra, toda em vermelho – e com sua inseparável faixa + pena – Juliette Lewis. Sem maldades: para uma roqueira ela é uma ótima atriz. Em tempo: ela simula todos os clichês e manias do hard rock dos anos 70. Não só ela: a banda junto. Faltou empolgação. Mas um público fiel estava lá: com penacho na cabeça. Sim, literalmente.

Acorda, gente

Arctic Monkeys 2

Será que funciona ao vivo? Bom, não. Os Arctic Monkeys tiveram certo azar, de pegar um público já saturado. Afinal, eles entraram depois do horário em que, em teoria, os Killers deveriam estar no palco. mas custava fazer um show mais animado? A boca mole de Alex Turner deixou de ser estilinho quando o som não chegava de maneira satisfatória a todo ambiente. Pasteurizou de uma forma que não se entendia qual era a música. Nem foi simpático também. O perdão vem do fato de que ele poderia estar com sono, assim como boa parte do público que, com alguns bares já fechados, preferiram deitar no asfalto e dormir.

Ânimo ao alvorecer

Killers 3

Piada pronta: foi de matar. Certamente era o show mais esperado da noite, tendo em vista as pessoas que pulavam com a mãozinha para cima mesmo após três horas acumuladas de atraso. Mas o som foi de acordar os de sono mais profundo. Foi um susto. O som chegou a todos os pontos do local. O “erro” foi mandar logo de cara os dois maiores hits Somebody Told Me e Mr. Brightside logo no começo, porque o pessoal começou a debandar. Brandon Flowers pode ainda não ser um grande lead do mundo do rock, mas se treinar, chega longe. Se movimentou, pediu ânimo para a galera, pulou, subiu, desceu. Umas luzes diferentes deram um ponto a mais para a banda, que, por alguns minutos, pensou no visual do show (quase mais ninguém pensou nisso). Quando acabou, debandada geral. Não pediram nem o bis. Isso eram cinco da manhã. Coitado de quem trabalha na segunda. Talvez nove entre dez pessoas que estavam ali.

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TIM Festival
@ Anhembi

28-out-2007
 

2 responses so far ↓

  • 1 Julia // out 30, 2007 at 3:36 pm

    Depois de ler em vários lugares sobre o Tim de Sampa eu fico MUITO feliz por ter ido ver os Monkeys no Rio. Se você olhar a quantidade de bandas os shows do Rio foram até mais “caros” mas com certeza valeu a pena. Pelo que li São Paulo foi uma desorganização só!

  • 2 Silvana Salles // nov 1, 2007 at 1:24 pm

    Mal organizado e com um lineup toscamente montado. Estou de saco cheio de ter que engolir esses festivais mal feitos pra ver duas bandas que me interessam. Até a Verdurada é mais bem esquematizada.

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