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notas

 
 3
 
 3.5

Faltam a Tigarah algumas coisas para se tornar uma funkeira “de responsa”. Entre as quais, os samples que ela usa nas músicas. Se às vezes soam parecidos com o que se faz atualmente na black music massificada dos EUA, em outras inspira a idéia de que uma parceria entre a japonesa e Trent Reznor, do Nine Inch Nails, poderia resultar em algo bem interessante. É que, para quem se acostumou a podreiras já clássicas como o Fogão Dako, a Chatuba de Mesquita, o Morro do Dendê, a Atoladinha e (como não poderia deixar de ser) o Créu, o que Tigarah chama de funk é muito, muito sofisticado, estilizado, engajado, internacional… Vê-la no palco é mais ou menos como ver uma amiga sua de faculdade cantando para um grupelho de fãs empolgados – só que não com o escracho das Impostora ou do Bonde do Rolê. No final das contas, a distância entre Tóquio e o Rio acaba sendo menor do que aquela entre a música da moça e o pancadão nacional de “raiz”. O que não significa que o trabalho da japa bonita, descolada, estudada, feminista e de tendências ativistas não seja legal.


 
 2.5

Ela tem uma energia interessante. Faltou o público cantar junto e o DJ se atrapalhar menos.


 
 


 
 


 
 


 

Um funk nada carioca

Com direito à participação de Deize Tigrona, a japonesa foi até o chão

por Luiz Fukushiro
5 maio, 20087:26 am

Um público pequeno de alguns vestidos a la Harajuku em um domingo frio bem apropriado para sobreposições na indumentária enquanto boa parte estava mesmo curiosa com o anunciado: “funkeira japonesa”. TigarahEla tem uma história interessante: se formou em ciências políticas pela Universidade de Keio, tradicional academia do Japão (onde se formou também o ex-primeiro-ministro japonês, Junichiro Koizumi), cumpriu a profissão, inclusive como embaixadora, e resolveu que ia fazer música, porque assim sua mensagem engajada seria ouvida por mais gente. O funk foi o meio.. Entra o DJ, um nikkei com cara de sono, seria ele japonês mesmo ou um brasileiro? Entra Tigarah, toda feliz, em sua terceira noite em São Paulo. Começou cantando, mas o DJ errou e tudo parou. Ela se desculpou e entrou de novo.

Agora era pra valer. Começou com Japanese Queen, dançava, posava para as fotos. Ainda fria para alguém que se inspira no funk carioca. A coisa começou a esquentar em Girl Fight, quando o pessoal cantou o refrão junto – mesmo sem saber o que significa. Suas frases em inglês comandam o público, como “hands in the air” ou qualquer coisa que inclua a palavra “dance”.

O DJ se confunde e rola mais uma vez Girl Fight. Tudo bem, o refrão já tinha sido ensaiado. Ela promete então uma surpresa para o fim do show, que se aproxima do fim. Eis que ela diz: “Esta é minha música favorita”. O DJ entra e… não era aquela. Ela vai até ele e entoa um grande “buuu”, que a galera corrobora. Ela desencana e canta essa mesmo, Super Girl.

Ela anuncia então a surpresa: Deize TigronaA funkeira estava em São Paulo durante o feriado. Fez uma apresentação no Milo Garage na quinta-feira.. Enquanto ela canta Color, Culture, Money, Beauty, uma música que protesta contra as aparências, Deize não faz ativismo e passa longe do feminismo. A galera vai ao delírio. Tigarah ensaia uns rebolados, a clássica mãozinha no joelho e atende aos pedidos de “chão chão chão”.

“DJ, vamo furar?” Deize faz o convite e entra InjeçãoA música ficou ainda mais famosa depois que M.I.A. utilizou um sampler de Injeção em seu maior hit, Bucky Done Gune.. E acapella veio o ponto alto da noite: a Dança Do Créu. Tigarah queria chegar à velocidade cinco.

Um bis, mil agradecimentos, um pedido para um visto para morar no Brasil. A clássica simpatia das cantoras japas. Mas para uma funkeira, sobrou verbo e faltou rebolado. Nada que um estágio no Rio não resolva.

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TIGARAH
@ Sesc Avenida Paulista

4-mai-2008
 

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