Um público pequeno de alguns vestidos a la Harajuku em um domingo frio bem apropriado para sobreposições na indumentária enquanto boa parte estava mesmo curiosa com o anunciado: “funkeira japonesa”. Tigarah. Entra o DJ, um nikkei com cara de sono, seria ele japonês mesmo ou um brasileiro? Entra Tigarah, toda feliz, em sua terceira noite em São Paulo. Começou cantando, mas o DJ errou e tudo parou. Ela se desculpou e entrou de novo.
Agora era pra valer. Começou com Japanese Queen, dançava, posava para as fotos. Ainda fria para alguém que se inspira no funk carioca. A coisa começou a esquentar em Girl Fight, quando o pessoal cantou o refrão junto – mesmo sem saber o que significa. Suas frases em inglês comandam o público, como “hands in the air” ou qualquer coisa que inclua a palavra “dance”.
O DJ se confunde e rola mais uma vez Girl Fight. Tudo bem, o refrão já tinha sido ensaiado. Ela promete então uma surpresa para o fim do show, que se aproxima do fim. Eis que ela diz: “Esta é minha música favorita”. O DJ entra e… não era aquela. Ela vai até ele e entoa um grande “buuu”, que a galera corrobora. Ela desencana e canta essa mesmo, Super Girl.
Ela anuncia então a surpresa: Deize Tigrona. Enquanto ela canta Color, Culture, Money, Beauty, uma música que protesta contra as aparências, Deize não faz ativismo e passa longe do feminismo. A galera vai ao delírio. Tigarah ensaia uns rebolados, a clássica mãozinha no joelho e atende aos pedidos de “chão chão chão”.
“DJ, vamo furar?” Deize faz o convite e entra Injeção. E acapella veio o ponto alto da noite: a Dança Do Créu. Tigarah queria chegar à velocidade cinco.
Um bis, mil agradecimentos, um pedido para um visto para morar no Brasil. A clássica simpatia das cantoras japas. Mas para uma funkeira, sobrou verbo e faltou rebolado. Nada que um estágio no Rio não resolva.
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