
MÓVEIS COLONIAIS DE ACAJU
@ Inferno, SP

Público fez a liçao de casa e cantou tudo direitinho
Era uma fila imensa, que dava um quarteirão. Embora muitas vezes nesses lugares mal se olha qual banda vai tocar, dava para ver que ali o pessoal queria mesmo ver os Móveis Coloniais De Acaju – mesmo que já tenham feito mais de 15 apresentações em São Paulo, desde 2001. Lá pelas três horas conseguimos entrar. Não estava lotado a ponto de estar insuportável, mas estava cheio para os padrões da casa, até onde minha experiência pode ajudar.
Não demorou muito, começou o show. “Muito prazer, eu sou você amanhã”. Esquilo Não Samba abre a noite com um coro da platéia. “Não esperavamos tanta gente. A resposta do público foi muito boa, muito legal. Foi algo fora do normal”, segundo o vocalista André Gonzales, que bateu um papo com a gente no final da apresentação. Tanta gente, por tanta gente, a banda em si lotou o palco, com seus (acho que) nove integrantes, que não puderam ficar correndo para lá e para cá como de costume – no máximo uns pulinhos.
O show seguiu animado do começo ao fim, pelo menos para o público, que cantava e pulava ao som da levada mais ska da banda de BrasíliaDas diferenças entre tocar em Brasília ou em São Paulo: “É muito bom tocar aqui, é diferente. Em Brasília, a gente está lá tocando há um tempo, é a nossa casa. Mesmo assim aqui a resposta do público é a mesma, rola uma troca muito boa.” . Começou então um coro “Toca Raul“, lugar-comum dos shows deste país. E o pedido foi acatado: Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás, composta por Seixas e por nosso querido escritor Paulo Coelho. André Gonzales, o vocalista, bem, se perdeu na letra – me parece que a banda se perdeu também.
Entre outros covers, rolou Sub-Raça, originalmente do Câmbio Negro, e, depois de Aluga-se-vende, Glory Box, do Portishead.
Foi mais ou menos aí que o show deu uma caída, mas acho que foi mais o cansaço da galera e por tocar músicas que não se poderia ter decorado a letra. Nova música foi tocada, para o povo já arrumar inspiração para as próximas apresentações. E o show prosseguia.
No primeiro sinal de que o show ia se findar, a galera foi à loucura: pediam músicas e mais músicas. Começou com Copacabana, a do refrão sem sentido que todo mundo berrava; teve Menina Moça e algumas outras que não deu para identificar porque aquilo estava um auê. Puxaram um trenzinho no meio da multidão enquanto o saxofonista havia descido do palco. Só assim o show acabou, lá pelas cinco. E para mostrar que o pessoal só queria mesmo ver os Móveis, nova fila, agora para pagar e dar o fora.
Mas a gente foi falar com banda, que no dia seguinte iria gravar no estúdio da Trama. Além do que já está supracitado, falamos de outras coisas:
Algum tempo atrás, saiu uma matéria na Veja que falava de vocês. O que você achou daquela matéria?
Na verdade, eu fiquei meio abismado. Achei uma reportagem sem noção. Mas no fim, o resultado foi bom, e eu também não levo a Veja muito a sério. A matéria acabou gerando uma repercussão grande, e o que ruim foi que ela não estava atacando a banda propriamente, ela acabou foi com o público. Mas tudo aquilo no fim repercutiu de uma forma boa. É normal que nem todo mundo goste do que a gente faz.
E quais os próximos projetos da banda?
Vamos lançar um álbum pela Tramavirtual, do Estúdio Ao Vivo deles. Vai ser o esquema de download remunerado que eles têm. Fora isso, a gente chegou a cogitar em vez de lançar álbuns completos, investir nos singles, que é um formato que ainda não muita força aqui no Brasil.
PS.: Muito obrigado, Talita Rodrigues. Esquecemos de levar a câmera e ela nos cedeu imagens.
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