Estou escrevendo este post com pouco conhecimento de causa, porque deixei de ver um show do EDC hoje para fazer um trabalho de faculdade. Então, não ouvi como ficaram as duas músicas novas dos caras ao vivo. Julgarei apenas pelo que escutei no MySpace, o templo das pessoas que têm preguiça demais para ir aos shows das bandas locais.
Pois bem. Para quem não sabe, o EDC é um banda de credibilidade amplamente discutida pela galera que circulou entre shows de new metal, hardcore, metalcore, progressive metal e afins nos últimos cinco anos. Um dos motivos para comentários do tipo “EDC é ridículo” e “Cleber FDP paga pau de Mike Patton” é que eles sempre fizeram um som muito mais melódico do que várias das bandas com as quais eles tocavam.
Mas o mérito de tomar esculachos por ser abertamente fã do Mike Patton está longe de ser só o que o vocal da banda e seus coleguinhas arrebanhavam de juízos de quem colava nos shows. Enquanto muitos absolutamente execravam o EDC, outros vários cantavam as músicas junto com um fervor até considerável. Além disso, o supracitado cantor já gozou vez ou outra do status de galã da balada.
Bom, voltemos à música dos caras. Acho interessante como eles representam bem a evolução de gostos de uma faixa etária que hoje vai dos 20 aos 30 anos, desde que o Korn lançou aquele disco bosta que era o Untouchables até esse nosso ano olímpico de 2008. Aquele new metal mais ou menos previsível, com um tempero que revelava em partes a pagação de pau a Mike Patton, ganhou uns contornos mais interessantes ultimamente.
Findo o nariz-de-cera gigantesco, vamos ao que interessa: alguns meses atrás, o EDC divulgou duas músicas novas, Aurora Cega e Perplexo. O que me parece é que eles limparam um pouco os clichês new metal do som e investiram em um formato mais livre de rótulos. Lógico que se você quiser continuar tachando de new metal, ninguém vai te repreender.
Porém, é bastante audível a evolução entre a fanfarronice de Mais Um Dia, por exemplo, e as duas canções novas. São mais densas, têm guitarras mais trabalhadas e os vocais estão definitivamente mais honestos - como se o cara tivesse assumido suas limitações e focado nos pontos fortes. Principalmente em Aurora Cega, que bate Perplexo com certa facilidade.
Parece que, assim como o Chipset Zero lançou um novo álbum muito mais chegado ao thrash metal e ao industrial do que o anterior, também o EDC cresceu e atingiu uma sonoridade mais madura. Agora, se você esperava que eles abandonassem o lado melódico, procure outra banda. Até porque é isso que esses caras fazem de melhor: aliar peso a melodia de um jeito todo pegajoso.
Quem quiser conferir pode entrar no MySpace deles.
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