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Metal alternativo para as massas, ou nem tanto

As evoluções de uma banda controversa na cena paulistana

por Silvana Salles
24 agosto, 2008

Estou escrevendo este post com pouco conhecimento de causa, porque deixei de ver um show do EDC hoje para fazer um trabalho de faculdade. Então, não ouvi como ficaram as duas músicas novas dos caras ao vivo. Julgarei apenas pelo que escutei no MySpace, o templo das pessoas que têm preguiça demais para ir aos shows das bandas locais.

Pois bem. Para quem não sabe, o EDC é um banda de credibilidade amplamente discutida pela galera que circulou entre shows de new metal, hardcore, metalcore, progressive metal e afins nos últimos cinco anos. Um dos motivos para comentários do tipo “EDC é ridículo” e “Cleber FDP paga pau de Mike Patton” é que eles sempre fizeram um som muito mais melódico do que várias das bandas com as quais eles tocavam.

Mas o mérito de tomar esculachos por ser abertamente fã do Mike Patton está longe de ser só o que o vocal da banda e seus coleguinhas arrebanhavam de juízos de quem colava nos shows. Enquanto muitos absolutamente execravam o EDC, outros vários cantavam as músicas junto com um fervor até considerável. Além disso, o supracitado cantor já gozou vez ou outra do status de galã da balada.

Bom, voltemos à música dos caras. Acho interessante como eles representam bem a evolução de gostos de uma faixa etária que hoje vai dos 20 aos 30 anos, desde que o Korn lançou aquele disco bosta que era o Untouchables até esse nosso ano olímpico de 2008. Aquele new metal mais ou menos previsível, com um tempero que revelava em partes a pagação de pau a Mike Patton, ganhou uns contornos mais interessantes ultimamente.

Findo o nariz-de-cera gigantesco, vamos ao que interessa: alguns meses atrás, o EDC divulgou duas músicas novas, Aurora Cega e Perplexo. O que me parece é que eles limparam um pouco os clichês new metal do som e investiram em um formato mais livre de rótulos. Lógico que se você quiser continuar tachando de new metal, ninguém vai te repreender.

Porém, é bastante audível a evolução entre a fanfarronice de Mais Um Dia, por exemplo, e as duas canções novas. São mais densas, têm guitarras mais trabalhadas e os vocais estão definitivamente mais honestos - como se o cara tivesse assumido suas limitações e focado nos pontos fortes. Principalmente em Aurora Cega, que bate Perplexo com certa facilidade.

Parece que, assim como o Chipset Zero lançou um novo álbum muito mais chegado ao thrash metal e ao industrial do que o anterior, também o EDC cresceu e atingiu uma sonoridade mais madura. Agora, se você esperava que eles abandonassem o lado melódico, procure outra banda. Até porque é isso que esses caras fazem de melhor: aliar peso a melodia de um jeito todo pegajoso.

Quem quiser conferir pode entrar no MySpace deles.

 
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Um álbum autista

Afinal, sincronia total é para os fracos

por Luiz Fukushiro
17 agosto, 2008

Confesso que estranhei um pouco o Xiu Xiu pela primeira vez que ouvi. Parecia que cada integrante da banda estava na sua, fazendo sua parte da música no seu canto e depois, as músicas que fizeram algum sentido, eles colocaram em algum álbum. Sem subestimar o trabalho da banda em outros álbuns (pura burrice minha mesmo), em Women As Lovers, essa bagunça toda acontece, mas é bom. Se prestar atenção você enxerga o sentido e a harmonia entre os instrumentos – e os barulhos.

Muitas batidas no contratempo – aliás, muitas notas, de diversos instrumentos, no contratempo – dão essa impressão de disritmia e até mesmo uma atonia. Mas o que rege essas músicas não é o tempo, mas o humor: os instrumentos sobem todos juntos e descem simultaneamente. É mais o sentimento que a razão, numa forma mais simplista.

Até mesmo a voz de James Stewart é meio quebrada, junto àqueles xilofonezinhos. E vale destacar o trabalho do baterista, que conseguiu manter o ritmo, ou melhor, a música, mesmo nessa bagunça toda, com notas firmes e consistentes por todo o álbum. Isso tudo gera a aura de algo meio frágil, sutil, enquanto passa um feeling de sofrimento, de árduo e falta de paz anterior.

É um bom álbum, uma boa banda, que consegue em meio a trocentas outras ser única.

Pequeno detalhe: embora o cover de Under Pressure, originalmente de Queen e David Bowie, seja interessante, não orna com o resto do álbum. Soa normal demais.

 
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Quando nada demais é bom

Um disco simples de tudo, mas que dá pra ouvir sem parar

por Luiz Fukushiro

Para dizer a verdade, não tem nada demais no novo disco do Kills, Midnight Boom. Mas por algum motivo talvez seja o melhor dos álbuns da dupla – e não é por nivelar por baixo. Midnight Boom não inova em nada, não tem experimentalismos nem surpreende por sua poesia. E isso é um ponto positivo, porque aí o que importa é ser divertido.

Daria para dizer que Midnight Boom simboliza toda uma coisa que acontece no meio electro-sbréuris, esse gênero que nem sei se é um gênero que multiplicou o número de grupos/duplas/DJs e afins em busca do barulhinho perfeito. No começo ganhava quem era mais blasé, despojado, cool.

Acontece que isso passou, assim como a modinha toda. Enfim, pose cai, na maioria das vezes. E o que mais atrai e dá vontade de ouvir diversas vezes Midnight Boom é essa aura meio sexy e os refrões altamente catchy, como U.R.A. Fever.

Tudo isso em um disco seco, de guitarras distorcidas – o que dá uma naturalidade à coisa – e batidas simples e altamente repetitivas, porém bem arranjadas, sem serem gratuitas. Ajuda a voz de VV, que tem um quê do sexy rock da Shirley Manson do Garbage seguida de pitadas de leveza de uma genérica dessas cantoras a la Cat Power que abundam por aí.

O bom do álbum é ser fácil de descer goela abaixo, sendo repetitivo sem enjoar, ser despretensioso e agradar do começo ao fim. Difícil escolher qual música é melhor. Todas têm seu quê de interessante, até as duas lentas quase perdidas na bagunça: Black Balloon e Goodnight Bad Morning. Até quem é cool tem uma certa fossa.

 
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Porque tão sério?

A escuridão que o Tim Burton sempre quis nos seus filmes embrulhada pra presente

por Henrique de Brito
17 julho, 2008

Se o Coringa do finado Heath Ledger, mesmo com seu sorriso de Glasgow, é mais um psicopata do que um palhaço, nada mais natural que a trilha do seu filme ser prioritariamente séria.

E outros sentimentos mais moles não têm espaço por aqui. Modernosa, grave, no máximo grudenta. Os temas quase não aparecem. Quando vêm, têm a cara do Hans Zimmer. A orquestração do resto, cheia de subidas intermináveis, pancadas de guitarra, entre outras, parece uma versão irritada do Michael Clayton de James Newton Howard.

Mas Zimmer e Howard, que também assinam as composições de Batman Begins, não trouxeram quase nada do filme anterior - a não ser pelo clima obscuro.

Em muitos momentos, a trilha de The Dark Knight não parece música de filme. No máximo, de um drama de terror. Faltam as sequências empolgantes e aceleradas de cenas de ação: simplesmente não há. De repente, tudo pára. Depois do silêncio, a faixa continua. E se muda de faixa, não é aparente.

Em pequenos trechos você lembra que se está falando do Batman. E isso é o melhor. Enquanto espera pelos flashs do Cavaleiro das Trevas, você vai curtindo o que tem de melhor no mundo dos celos.

 
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Nem precisou ficar brava

Parece que só agora Alanis resolveu dar continuidade a Supposed Former

por Luiz Fukushiro
11 junho, 2008

Alanis Morissette parecia estar num limbo do pop. Nos anos 90, sua parceria com o produtor Glen Ballard rendeu o quase unânime Jagged Little Pill e o voltei-da-Índia-e-fiquei-zen Supposed Former Infatuation Junkie. Depois do seu acústico, vieram mais dois álbuns de inéditas que, assim, ninguém lembra muito. Foi pro limbo.

Mas parece que Guy SigsworthGuy começou a ter visibilidade quando trabalhou com Björk em Post, mas também foi metade do Frou Frou, trabalhou com Imogen Heap, Madonna e Britney Spears. Crazy, do Seal (que Alanis já regravou), foi produzida por ele. conseguiu tirar Alanis dessa. E veja só, nem precisou de uma viagem à Índia ou terminar um relacionamentoExiste até uma piada no mundo da música que diz que somente se Alanis tivesse uma grande inspiração tragediosa ela conseguiria fazer um álbum bom de novo. Isso tudo porque ela soltou os cachorros e filosofou sobre a vida em Jagged Little Pill (destaque para You Oughta Know). Vai ser confessional assim lá no Canadá. de forma desastrosa.

Cheio de reflexões sobre o mundo e a vida, Flavors Of Entaglement parece uma continuação lógica de SFIJ, como se fossem necessários dez anos para a cantora amadurecer ou resolver voltar ao que era. E soa tudo muito eventual: não dá pra ver pretensões de ser um grande marco na música nem de emplacar hits. Musicalmente, nada de experimentalismos excessivos, mas para parâmetros Alanis, a coisa mudou. Está tudo bem mais eletrônico, no entanto a voz e as letras da canadense se encaixam nisso, não soa forçado. Guy tirou da Alanis a sua essência e só colocou uma roupa nova.

Daria para comparar Flavors Of Entaglement a Ray Of Light, da Madonna. Você sabe quem está cantando, identifica a marca do artista, mas não imaginava essa possibilidade. Foram quatro anosAlanis disse em entrevistas que precisava gravar, porque já tinha enchido sete cadernos com idéias e ela geralmente grava quando junta dois. Foram compostas 25 músicas. As que não estão no álbum vêm na edição deluxe e como lados B. Isso ajuda para resultar em um bom álbum: poder selecionar. de espera para um álbum novo, mas valeu a pena. Mesmo para aqueles que esperaram os dez anos.

 
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Poxa, até que é bom

Mas gravando com David Bowie e chamando um produtor da moda, até eu

por Luiz Fukushiro
9 junho, 2008

Confesso que quando ouvi dizer que Vale dizer que Scarlett Johansson é uma das atrizes mais em voga em Hollywood, além de ser considerada uma das mais sexy. Queridinha de diretores descolados, atuou em Encontros E Desencontros (Lost In Translation), de Sofia Coppola, e Scoop, de Woody Allen.Scarlett Johansson ia lançar um álbum, logo me veio à mente a cena de O Casamento Do Meu Melhor Amigo, em que Cameron Diaz canta de uma forma genialmente desafinada I Just Don’t Know What To Do With Myself. Mas Scarlett Johansson, blasée do jeito que é, não iria se rebaixar e fazer a babacona desafinando Tom Waits é um cantor e compositor americano ainda na ativa. Passeia entre o rock experimental, o blues e o folk. Já foi ator e atualmente está em estúdio. Anywhere I Lay My Head contém onze covers de Waits, que não se pronunciou publicamente sobre o disco de Scarlett. Mas a própria disse que a equipe do cantor havia dito que Waits gostou do resultado. Então tá.Tom Waits, o tema de Anywhere I Lay My Head.

Enfim, sobre covers, eu tenho uma teoria de que são dois os caminhos que pode seguir o artista que quer fazer uma versão de outro.

  1. Opta-se por uma cópia fiel do artista original, opção geralmente escolhida por gente que tem vozeirão copiando alguém com um vozeirão;
  2. Desconstrói-se a música por completo, como fez o Cake na versão de I Will Survive, da Whitney Houston ou a própria ao fazer uma versão brega-diva do sertanejo I Will Always Love You.

Scarlett não tem vozeirão (de diva pelo menos). Mais difícil ainda seria ela imitar a voz grossa e levemente sombria de Waits. Desconstruir seria a saída, para fazer versões de um artista difícil de copiar por sua originalidade. E foi o que ela – ou melhor, o produtor Mais conhecido como guitarrista do TV On The Radio.Dave Sitek – fez. O folk bizarro de Waits se transformou em uma coisa cheia de texturinhas e barulhinhos bem no estilo Air de ser.

Muito sintetizador e ruídos bucólicos de passarinhos, cachoeiras e outras coisas do gênero dão lugar ao Vale ouvir as versões originais de Waits. Além de serem boas músicas, só assim é possível ter a real nocão da desconstrução de Scarlett e Sitek.violão puro do compositor. A voz de Scarlett muda a cada música, de tantos filtros e efeitos usados. Mais bizarra ainda é a participação quase velada de David Bowie em Fannin’ Street e Falling Down – se você não sabe que Bowie está ali, mal dá para perceber.

E o disco fica nisso, na barreira do sublime e do esquisito, o tempo todo. Tem sua validade: é muito bem produzido, não se vende fácil, encontra-se sutilezas a cada audição. Mas tem problemas: o primeiro é que é um disco difícil de ter uma continuação: Scarlett vai ter que trabalhar muito (ou procurar quem trabalhe por ela) para conseguir ter um segundo álbum diferente – porque nesse estilo vai ser difícil continuar sem cansar – mas ao mesmo tempo que tenha coerência com seu trabalho. Depois, é um álbum de difícil execução ao vivo. Mas tudo bem: Scarlett já disse que não vai fazer tour.

Fica a dica: o disco vale a pena. Não é Juliette Lewis tentando ser legal nem Lindsay Lohan cantando pop genérico. Ela não precisa de holofotes, Hollywood já faz isso bem por ela. Diria que das atrizes-que-viraram-cantoras, Scarlett fez o melhor trabalho. Ou repetindo a piada: foi a que teve a melhor equipe por trás.

 
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Sutileza e animação

Ainda existem boas bandas universitárias

por Luiz Fukushiro
3 junho, 2008

O tal do indie, por mais indie que seja, parece que perdeu a inocência. Tudo é grande, tudo é over. Mas aí chega um tal de Vampire Weekend, prova que ainda existem bandas universitárias boasEzra Koenig (vocais e guitarra),
Rostam Batmanglij (teclado, guitarra e vocais), Chris Tomson (bateria) e Chris Baio (baixo) se conheceram na Universidade de Columbia. Aí resolveram montar uma banda. Aquela velha história.
, mesmo em um disco que não traz nada de fenomenal. Mas é de um acabamento e uma sutileza incríveis.

Uma mistura de pop/rock convencional, sem batidas eletrônicas ou estripolias sintetizadas, eles investiram na qualidade da instrumentação. O “Upper West Side Soweto”Upper West Side é um bairro de New York. Soweto se refere ao Soweto String Quartet, que misturava vários ritmos africanos do gueto que deu nome ao quarteto., como se auto-definiram, utiliza uma estrutura simples, produção própria, gravações improvisadas – incluindo uma em um porão, que disseram ter uma acústica ótima – e letras de uma certa inocência, um conjunto de fatores que dá esse tom universitário, descompromissado e divertido.

Mas só de ouvir uma vez, ao reparar a bateria muito bem afinada e fazendo viradas mil, os riffs bem trabalhadinhos e um baixo que leva o disco inteiro de pouco mais de meia hora, você vê que é um pessoal que sabe o que faz.

Seja num churrasco de domingo, relaxado numa rede, numa baladinha ou no carro, o Vampire Weekend funciona. E talvez nem fosse a idéia deles.

 
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Quase uma reunião da ONU

Ex-Stiffed chama a galera para a mistureba do álbum de estréia

por Luiz Fukushiro
2 junho, 2008

Tem razão Santogold quando diz que seu som não é hip-hop. Seu disco de estréiaSantogold é na verdade Santi White, que com John Hills formava a banda de ska Stiffed. Um lindo e belo dia os dois resolveram que Santi tinha que virar Santogold e lançar uma carreira solo., epônimo ultrapassa barreiras simplesmente derrubando-as: o álbum é uma mistureba de dub, indie, electro, uma pitada de ska e tudo mais que toda a equipe de produtores trouxe para a salada.

Aliás, a história do disco colaborou para sua bem sucedida fusão: Mark RonsonSantogold já havia trabalhado com Ronson na música Pretty Green, do álbum solo do produtor, Version, de 2007. tentou produzir Santogold, mas não rolou. A idéia então foi buscar produtores de todos os cantos e ritmos para fazer um disco. Além da dupla Santi White e John Hill, foram convidados Diplo, Disco D, Freq Nasty, Jonnie “Most” Davis e Switch, nomes mais alternativos, digamos assim.

Para manter a unidade que um álbum pede, não foi preciso mais nada que batidas marcantes em todas as músicas e a própria voz de Santogold. Prova disso, são as duas versões de You’ll Find A Way, primeiro na faixa 2 produzida por Jonnie “Most” Davis e Switch e depois no remix comandado por Sinden e Switch na última faixa. O que antes era um pop/rock com pitadinhas de ska e dub se torna um electro de influências mais “tribais”, mas sem perder a alma de Santogold.

Com isso, a cantora consegue agradar mais gente sem perder a compostura. Quase uma reunião da ONU.

Vale a pena citar quem produziu o quê e ficar procurando a particularidade de cada produtor. Tipo um passatempo:

  1. L.E.S. Artistes: Jonnie “Most” Davis
  2. You’ll Find A Way: Jonnie “Most” Davis e Switch
  3. Shove It: Disco D e Switch, com participação do Spank Rock
  4. Say Aha: Switch
  5. Creator: Switch e Freq Nasty
  6. My Superman: Diplo
  7. Lights Out: John Hill e Santi White
  8. Starstruck: Diplo e Switch
  9. Unstoppable: Diplo e John Hill
  10. I’m A Lady John Hill e Santi White, com participação de Trouble Andrew
  11. Anne: Switch
  12. You’ll Find A Way [Switch & Sinden Remix]: Switch e Sinden
 
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Timbaland feat. Madonna

Assim como Confessions, o álbum é para dançar e divertir

por Luiz Fukushiro
16 maio, 2008

Neste ano, Ray Of Light, o disco sou-zen-e-tive-uma-filha de Madonna completa dez anos. Passou-se uma década e muito mudou na vida da cantora que já foi a safadinha, a santa, a rebelde. Agora, com Hard Candy, Madonna é o quê? Simplesmente o que ela sempre foi: uma entertainer.

Eu posso até apanhar na rua por dizer isso, mas o disco lembra um pouco Blackout da Britney Spears (claro que com uma sofisticação bem maior). Digo isso porque Hard Candy é totalmente privado de qualquer experimentação ou de alguma pretensão musical, o que se pode notar não só pelas músicas, mas pelas letras e pelos vídeos.

O disco traz uma notável produção de Timbaland, o produtor du jour, e seu fiel escudeiro, Pharrell Williams. E isso grita em todo o disco, que em boa parte parece um convite de Timbaland à Madonna para uma participação especial. Poderia entrar uma Nelly Furtado ali pra cantar em Candy Shop que ninguém notaria.

Mas não sejamos injustos: o disco é muito bem acabado, não dói aos ouvidos. Aquele tom meio retrô disco continua mais discreto em meio às batidas black, mas tanto um como outro fazem você pelo menos bater o pezinho no ritmo. Defeito: falta um refrão, o que sustenta boa parte das músicas de Madonna até hoje.

E vai ver Madonna cansou de querer chocar. Assim como em Confessions On A Dance Floor, ela só quer fazer todo mundo dançar e se divertir – e até consegue. Afinal, se ela fizer um disco só com músicas tradicionais russas, é capaz de vender. E muito.

PS.: Sobre a participação de Justin Timberlake: dispensável.

 
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Feito para a noite

Um álbum para ouvir do começo ao fim

por Luiz Fukushiro
15 maio, 2008

Hot Chip, pelo menos na minha cabeça, logo remete a Over And Over (and over and over and over…). Mas agora com Made In The Dark deu para sentir que a banda (ou grupo?) não é de um hit só.

Dá pra ouvir no álbum uma maturidade pelas texturas musicais de forte participação do sintetizador bem ruidoso e pela coerência que o álbum carrega. Do início ao fim, nota-se uma unicidade que faz o Hot Chip ter uma cara definida e o álbum em si também.

Pode fazer o teste: Out At The Pictures começa como uma boa introdução que vai engatando até chegar nos dois maiores hits do álbum: Ready For The Floor e Bendable Poseable. Depois tem um momento mais calmo, até meio lounge, com We’re Looking For A Lot Of Love e Made In The Dark, para dar um descanso no batidão, que volta em Hold On e Don’t Dance. Para encerrar, uma tranqüila: In The Privacy Of Our Love.

Todas as músicas são boas e bem trabalhadas, sem perder o humor ou o ritmo. Um álbum que vale cada segundo e cada batida.

 
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Como se fosse um livro

Paulistanos juntam guitarra, piano, gritaria e flauta em pós-hardcore com poesia

por Silvana Salles
13 maio, 2008

Um, do Envydust, é um álbum com uma idéia. Dividido em três partes separadas por interlúdios um tanto jazzísticos, o disco conta uma história; ou melhor, um apanhado de histórias que se alimentam e se completam, como uma coletânea de depoimentos angustiados e contos escurecidos. Tema? O fim.

Deus e morte são palavras-chave em todos as letras. Do homem que quer seu maior do que o criador, em Senhoras e Senhores, ao medo de envelhecer, em Triunfante. De uma ponta a outra, a banda vai costurando temores, dilemas, arrependimentos, descrença, suicídio.

A divisão interna do álbum é mais focada no conteúdo das letras, mas há alguma diferença musical entre elas. A parte 1, Alguém que foi longe demais, é mais enérgica. Mais melancólica, a parte 2 vem com direito a piano em Letargo, e flauta, violão e hammond em Vai Ser Igual. A parte 3 retoma o peso predominante do disco, mas abriga também os dois deslizes do disco, Triunfante e O Trem, pegajosas e com algum apelo emo, apesar de literariamente fecharem o trabalho do um jeito bacana.

Aliás, essa verve literária é o que mais diferencia o Envydust de boa parte das demais bandas brasileiras. O cuidado com a poesia é tanto que cada um dos versos pode viver sem a música, embora o efeito, creio eu, não seja tão enfático sem a esquizofrenia vocal de Max e Daniel e as guitarras distorcidas. E se às vezes resvala no clichê, o sexteto é habilidoso em usá-lo em seu favor.

 
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E Mimi não foi emancipada

Quem esperava que E=MC2 tivesse algo de revolucionário, como seu nome sugestionava, decepcionou-se

por Carol Landulfo
5 maio, 2008

Ao ouvir Touch My Body, logo pensei que E=MC2, 11° álbum da carreira de Mariah Carey, seria uma continuação sem graça e sem nenhuma novidade de Emacipation Of Mimi. O primeiro single de Mariah é uma cópia de Shake It Off ou até de Don’t Forget About Us, mas com uma letra diferente. Deduzi que a linha escolhida para o novo trabalho - de nome totalmente incompreensível - seria mais uma vez um R&B de suspiros e vozes sufocadas, típico dos últimos álbuns da cantora. Não necessariamente ruim, já que todos eles vem batendo recordes de venda e tendo seus hits atingindo o primeiro lugar nas paradas.

Então, ouvi Migrate, primeira faixa de E=MC2. Tive esperanças. A música consegue desviar-se do caminho monótono e sem criatividade que a carreira da diva pop estava tomando. Em parceria com T-Pain, Migrate abre o álbum com autoridade, com uma batida meio gangsta.

A alegria durou pouco. As faixas que se seguiram confirmaram minhas primeiras expectativas. Um mix de baladas e R&B já batido seguindo a fórmula que a diva pop sabe ser infalível para o sucesso.

Finalmente, ao ouvir o álbum mais algumas vezes, percebi que no geral ele é razoável, melhor que Mimi. A voz de Mariah está mais limpa, ainda que os suspiros continuem, e algumas faixas valem a pena, sim. Mas, ainda assim, chega a ser chato e repetitivo em algumas momentos.

 
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Comida feita em panela velha

Fundadores do Sepultura se juntam para metade de uma reunião

por Silvana Salles
4 abril, 2008

Depois de 12 anos sem de fato estarem na mesma banda, Max e Iggor Cavalera se reuniram sob a alcunha de Cavalera Conspiracy e lançaram Inflikted - um álbum que embora contenha 50% da formação original do Sepultura (mais do que o próprio Sepultura tem atualmente, aliás), não poderia de forma alguma ser um disco novo da banda nativa de Minas Gerais. O lançamento recente, afinal, não tem a densidade de Dante XXI, o último de estúdio dos ex-comparsas.

O parágrafo acima, apesar de soar cretinamente injusto, suscita algumas questões muito, digamos, tangentes ao mais novo capítulo da história dos irmãos Cavalera. Max evoluiu musicalmente desde então? Iggor ficou de saco cheio do pedantismo de Andreas Kisser? O Cavalera Conspiracy é mais Sepultura do que o Sepultura de hoje em dia? (E por que motivo razoável o antigo “Igor” virou “Iggor“, assim com dois “G”?) Não cabe a nós, aqui, tentar responder a essas perguntas de perigosíssimo viés especulativo. Portanto, vamos aos fatos e às opiniões menos megalomaniacas.

O Cavalera Conspiracy tem Max nos vocais e guitarra, Iggor na batera, Marc Rizzo (Soulfly) na guitarra solo e o francês Joe Duplantier (Gojira) no baixo. Inflikted é um disco de metal enraizado, com músicas batizadas com nomes ridiculamente juvenis, tais quais Must Kill, Nevertrust e Bloodbrawl. De intenções bem diferentes do trabalho cheio de conceitos ao qual Kisser, Derrick Green, Paulo Jr. e (agora) Jean Dolabella vem se dedicando. O que, no final das contas, faz bastante sentido.

Max e Iggor têm o trunfo de chegarem em um disco que realmente fala sobre eles: é thrash metal incontestável, sem ser ultrapassado nem pretensioso. O verniz moderno, pós-metal alternativo e metalcore, permeia todas as faixas. Ao mesmo tempo, os solos de guitarra remetem ao que existe de mais antiquado no metal. Ou seja; Inflikted é parte o que os caras cresceram ouvindo e parte o que eles ajudaram a consolidar no universo musical. Resultado? Irmãos fazendo o que realmente gostam.

Engana-se quem pensa que o novo trabalho cavalerístico possa representar uma retomada do ponto onde a parceria dos dois foi interrompida. Perdão pelo excesso de comparações, mas Inflikted não tem a pólvora ou a genialidade de Roots - assim como nada do que a banda de origem produziu posteriormente teve. Ainda bem. Significa que os mineiros atingiram o objetivo louvável de não tentar repetir a si mesmos.

 
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Regra de três

Depois de quase 11 anos, trio inglês lança álbum de inéditas

por Carol Landulfo
19 março, 2008

É mais do que natural esperar algo de diferente 10 anos depois do último álbum ser lançado. Mesmo Geoff Barrow, produtor, compositor e um dos vértices do trio britânico, já havia prevenido que viria algo novo por aí. Pois é, a previsão se confirmou. Mas, mesmo assim, ainda deu para ficar com aquela cara de surpresa depois de ouvir as 11 músicas em pouco mais de 49 minutos de Third, quarto álbum do Portishead, e terceiro de inéditas.

Os primeiros segundos já soam bizarros: “Esteja alerta para a regra dos três. O que você dá retornará para você, você só ganha o que você merece”. Sim, uma mensagem em português (com sotaque brasileiro) é proferida por um homem no começo de Silence, que, abruptamente, termina aos 5 minutos.

Guitarras destorcidas, elementos eletrônicos e uma sonoridade densa marca todo o álbum. A voz de Beth Gibbons continua belíssima e ainda mais angustiante. O álbum é tenso e pesado quase do começo ao fim. A voz e violão de Deep Water dá uma quebrada no clima. Mas é só (literalmente só, já que a faixa tem apenas 1min 39s). O tom sexy de Glory Box e as letras felizes de All Mine dão lugar ao experimentalismo e à dita maturidade sonora (Barrow afirmou que Third é como se fosse o irmão crescido dos outros álbuns da banda).

O jazz-eletrônico-trip-hop-trilhas-sonoras-de-séries-e-propagandas-de-TV que caracterizou a banda tempos atrás pelo jeito não é mais compatível. É o tipo de álbum para ser digerido aos poucos, mas quando feita a digestão, chega a hora de ser apreciado. Valeu a espera de 3858 dias.

 
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Sem nada de charlatões

Um clássico da música britânica mostra que ainda pode fazer um ótimo álbum

por Daniel Andreazzi
12 março, 2008

Dessa vez é fácil, porque é fácil falar de The Charlatans. Principalmente sobre You Cross My Path, um álbum que é realmente da banda. Simpatico? Ainda acho que Tim Burgess e companhia se envergonham ou vão se envergonhar daquilo.

Aqui não tem reggae. Só tem aquele velho Charlatans que emergiu no final do madchester, com altas doses de Happy Mondays e The Stone Roses mais uma pitada de Joy Division e claro, clássicos da british invasion. O Charlatans que se incorporou ao britpop e que em 1997 – no auge do movimento – lançou o clássico Tellin’ Stories.

The Charlatans escolheu lançar You Cross My Path num esquema parecido com o que o Radiohead fez com In Rainbows, download grátis. A diferença é que, por enquanto, nem querendo, seria possível pagar, graças a um acordo com uma rádio inglesa. E desde sempre o lançamento em lojas estava previsto, para 12 de maio.

Agora ao que interessa. A banda estava inspirada para gravar este álbum. O primeiro single (lançado ainda ano passado, também em download grátis) é You Cross My Path, a faixa-título. É uma boa música, mas não é a melhor. Falta um bom refrão, é meio devagar.

A seqüência que abre o álbum, em compensação, é genial. Oh! Vanity, o segundo single, já chega com o característico teclado da banda. Bad Days começa com uma linha de baixo e duas primeiras estrofes matadores. Mis-takes tem letra que chega perto da perfeição, incluindo refrão.

Difícil é apontar momentos ruins. Se eles existem, ficam por conta de A Day For Letting Go e My Name Is Despair, muito mais por sair de um ritmo rápido, alegre, que permeia todo o disco.

O melhor é ver a banda retomar um certo caminho natural que sempre se desenha quando se trata de Charlatans, que eu expliquei no texto sobre Simpatico. Na verdade parece que mesmo essas interrupçõesA primeira delas foi com Us And Us Only, o primeiro totalmente sem Rob Collins, que morreu em um acidente de carro no meio das gravações de Tellin’ Stories., mudanças repentinas de rumo, também fazem parte desse caminho. O importante é continuarem a ser Charlatans.

 
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Cardiff no mapa do hype

Aos poucos, safra 2006 vai tomando conta da cena

por Daniel Andreazzi
7 março, 2008

A primeira impressão de Los Campesinos! é a de que são sete preguiçosos. Em uma só audição pode-se dizer que Hold On Now, Youngster é um álbum de uma só melodia, alguns detalhes vão sendo modificados e ponto. Mas é mais ou menos assim mesmo.

O grande momento de instrumentação é a abertura de You! Me! Dancing!, bem sucedido single lançado muito antes da confirmação do álbum. Então há mudanças sutis de melodia três ou quatro vezes. Letras sempre engraçadinhas, remetendo a coisas cotidianas do mundinho indie e títulos que vão aumentando de tamaho. Normal para uma banda q se conheceu na universidade há pouco mais de um ano. Ou seja, é mais um bando de moleques. Estes, bem contemporâneos e parecidos com o The Wombats. Tanto que ambos sempre são comparados ao Art Brut. Mas as músicas de ambos são bem menos cruas.

O que diferencia mesmo Los Campesinos! são os detalhes, daqueles de escutar só com fones de ouvido. Há um monte de instrumentos de orquestra presentes, o que faz um efeito muito bom. Tanta gente numa banda tinha que servir pra alguma coisa.

 
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Crise da meia-idade

Pouco inspirado, EP repete tudo aquilo que a gente já sabia

por Silvana Salles
2 março, 2008

Lembra de como Zeitgeist, o lançamento anterior do Smashing Pumpkins, absolutamente não definia uma época? American Gothic parece ter o mesmo defeito: de americano, muito; de gótico, só se for o sobretudo manjado de Billy Corgan.

Fosse apenas essa a falha do trabalho, a brincadeira estaria já de bom tamanho. Acontece que Corgan e Jimmy Chamberlin cunharam quatro canções iguais a todas aquelas que você já ouviu antes sob o rótulo de Smashing Pumpkins, com a diferença de que boa parte das guitarras deu lugar a violões. E é isso. Um título que soa comercial demais para um trabalho medíocre e meio adolescente boboca.

Fica claro em American Gothic que singles memoráveis como Today, Disarm, Bullet With Butterfly Wings, 1979, Tonight, Tonight, Ava Adore e The Everlasting Gaze só irão aparecer daqui para frente se forem uma repaginação deles mesmos. E, se o objetivo era ser gótico, devo dizer que Mellon Collie and the Infinite Sadness e Machina/The Machines of God eram muito mais eficientes na tarefa.

 
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Sem muitas novidades

Eles até parecem emo, mas estão bem mais para o disco ou o glam

por Daniel Andreazzi

Chega uma hora na vida de quem escuta muita música que dá impressão que tudo é um dejà ouvi. Com o The Feeling é assim, momentos mais, momentos menos. O que mais se percebe é uma retomada de uma vertente do glam e do hard rock que era representada pelo Queen. Mas com a diferença de que o britpop também está lá encravado.

O maior defeito de Join With Us são os refrões. As letras costumam vir bem, mas o refrão é quase sempre igual. As exceções são a primeira e última faixas, I Thought It Was Over e The Greatest Show On Earth. A primeira é dançante, a última uma balada.

E no fim das contas é assim o álbum inteiro, com poucas variações, pendendo um pouco mais para as dançantes. E quando o negócio não é balada, é música para pista, mas não da maneira dos anos 2000. O negócio do The Feeling é realmente os anos 1970 e eles tocam rock de uma maneira disco. E escrevem letras de uma maneira Freddie Mercury.

 
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Por menos que uma noite

Molecada continua com tudo nas rádios inglesas

por Daniel Andreazzi
24 fevereiro, 2008

One Night Only é uma banda genérica. Não sei se por opção dos produtores ou simplesmente porque são uns moleques sem personalidade. Se vestem (e se penteiam) como o The Strokes. A capa de Started A Fire é (altamente) inspirada em Aftermath do The Rolling Stones. O vocalista George Craig imita Brandon Flowers do The Killers. O som… é uma salada.

Também há bastante de Killers, principalmente nos teclados. Em outra música já se parecem com o Arctic Monkeys. Em outras eles simplesmente tocam de um jeito que muita gente já fez. Parecem copiar até de bandas menos famosas, como o Art Brut. Os solos de bateria são intermináveis, parecem permear mais da metade de cada música. As letras são fraquinhas, não encaixam direito com a melodia, não têm bons refrões.

A piada que rola por aí é que a banda começou quando os caras tinham 12 anos e já estavam tocando na BBC Radio 1 antes de ter idade para beber. Não dá para esperar muita coisa mesmo. Mas tem gente que gosta e compra, e outros One Night Only vão aparecer por aí. Talvez tenham futuro como banda de abertura.

 
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A perda da inocência

Nada pode ser mais cool que música folk e cinema independente americano juntos

por Daniel Andreazzi
22 fevereiro, 2008

A trilha sonora de Juno tem, com o perdão do trocadilho, um defeito de nascença: as faixas no álbum não estão na mesma ordem que no filme. E isso só é um defeito porque o roteiro é bem feito e as músicas bem encaixadas. O folk não é o tipo de música que, imagino, adolescentes de 16 anos escutem, mesmo que tenha sido Ellen Page quem “informou” o diretor Jason Reitman que Juno escutava The Moldy Peaches.

Como seleção musical, Mateo Messina mandou muito bem. Garimpou em várias discografias músicas dos mais distintos artistas, sendo que vários deles não tinham o folk como gênero principal. Inclusive o menos folk de todos, Sonic Youth, que não contribui exatamente com um folk para a coleção. Além deles, All The Young Dudes do Mott The Hoople é o mais se afasta do ritmo. Até The Kinks e Velvet Underground foram folk em algum momento.

Já as músicas de Kimya Dawson são uma atração à parte, uma descoberta (inclusive o The Moldy Peaches, a dupla de Dawson com Adam Green). Ajudaram a derrubar um certo preconceito contra o gênero. Nada muito forte, mas que me impedia de querer conhecer melhor a cena. Nessa trilha, momentos ruins só quando não há folk.

 
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Mais uma, mas vale a pena

Esqueça o hype: ela é boa e ponto

por Luiz Fukushiro
21 fevereiro, 2008

Antes de tudo, vale esclarecer. O sedento-pelo-novo–maior-artista-da-semana jornalismo musical inglês já chama Adele de a “nova Amy Winehouse”. Tudo bem, a moça tem um vozeirão, mas musicalmente ela pode ser a nova Feist, a nova Regina Spektor, a nova qualquer Cat Power… Portanto optemos por chamá-la simplesmente de mais uma nova voz feminina por aí.

Isso posto, vale dizer que Adele tem seu valorEla foi a escolha da crítica no BRIT Awards deste ano. em meio ao cansativo mundo das menininhas cantantes. Seu álbum de estréia, 19O número faz alusão à idade da garota quando gravou o disco. possui uma magia de certa forma atemporal tanto pelo jeito em que a voz é trabalhada como pelo calculado uso da instrumentação, sem exageros. É um banquinho um violão e uns temperos para não ficar chato demais – aliás, as músicas voz/violão podem soar repetitivas às vezes.

Uma coisa é quase certa: querendo ou não, você vai ouvir Chasing Pavements neste ano – é uma música pronta pras rádios, pra trilha de Grey’s Anatomy, para a nova novela das sete. É bonitinha, tem um refrão pra lá de catchy. Além disso, o disco é eclético, embora seja bastante fechado e coeso. Há momentos mais sexy, como em Cold Shoulder e My Same, que trazem até uma batida mais eletrônica, momentos pop demais, como em Tired, momento fofo em First Love… diversas nuances, mas sempre de uma forma leve, pra cima, um clima jazz, sem tempo ruim.

 
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Um presente para o rock

Quarteto de Glasgow traz de volta um pouco de originalidade em meio à padronização

por Daniel Andreazzi
16 fevereiro, 2008

Apesar do nome (e também do endereço de internet, que adiciona “lovesyou” no final), Sons And Daughters não é o que parece: uma banda fofa. This Gift é o terceiro álbum do grupo, melhor que os dois primeiros, pois parece há uma maturação. Um bom indicativo disso são as bandas das quais fizeram parte os integrantes, The Zephyrs e Arab Strap, o que significa que não é mais uma molecada que aparece por aí.

Os dois fatores (a não-fofura e a não-molecagem) foram boas surpresas. O som da banda é bem grave, ao contrário da voz de Adele Bethel, mas parecido com a de Scott Patterson (que no papel é um segundo vocalista, mas na prática é quase um backing vocal).

O primeiro single é a faixa de abertura Gilt Complex, uma das mais pesadas e rápidas. O segundo é Darling, que tem um estilo semelhante, mas com uma letra mais cantável e engraçada, além de um refrão muito bom. Em ambas músicas (e algumas outras ainda) o peso começa alto e acaba diminuindo. Particularmente eu prefiro as músicas em que há mais uniformidade, como na faixa título This Gift.

Como disse um pouco antes, Sons And Daughters se destaca numa época em que, apesar de algumas boas bandas, parece haver apenas duas opções, o clichê e o non-sense.

 
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Momento crooner

A moça solta a voz, com uma banda competente

por Luiz Fukushiro

Comparações não vão faltar com The Covers Record, álbum de oito anos atrás de Chan Marshall, a.k.a. Cat Power, que seguia a mesma lógica: desconstruir clássicos – ou não tão clássicos – a favor da voz da cantora. No entanto, Jukebox tem uma carga “emocional”, digamos assim, muito maior, devido não só às variações de voz de Cat Power, como também pela instrumentação muito bem colocada, seja pela bateria que marca secamente os tempos, o piano dramático e uma guitarra mais ornamental que melódica.

Essa musicalidade talvez seja culpa da Dirty Delta Blues Band, que acompanha a moça não só na gravação do disco mas também em seus shows e dão essas nuances mais trabalhadas à Jukebox, um disco para relaxar, ouvir sem achar nenhuma genialidade musical. Afinal, essa mistura de country, jazz e soul – seriam suas raízes sulistas? – anda meio manjada ultimamente. É um álbum competente no que se propõe. Vale dizer que as doze músicas se encaixam, sem parecer que o disco é apenas uma coletânea de canções que Chan queria regravar: o álbum se fecha. Confira a tracklist e veja de quem Cat Power pegou cada música:

  1. New York - Frank Sinatra (entre outros ene intérpretes)

  2. Ramblin’ Man - Hank Williams (Cat Power a transformou em Ramblin’ (Wo)man)

  3. Metal Heart (essa é original dela mesmo)

  4. Silver Stallion - Lee Clayton

  5. Aretha, Sing One For Me - George Jackson

  6. Lost Someone - James Brown & The Famous Flames

  7. Lord, Help The Poor And Needy (música tradicional, popular na interpretação de Jessie Mae Hemphill)

  8. I Believe In You - Bob Dylan

  9. Song To Bobby (também original de Cat Power)

  10. Don’t Explain - Billie Holiday

  11. A Woman Left Lonely - Janis Joplin

  12. Blue - Joni Mitchell

 
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Distorção geral

Estilo anos 60, um toque de 80, influência dos 90

por Luiz Fukushiro
14 fevereiro, 2008

Como primeira impressão, a melodia e a voz aludem à década de 60, começando pela instrumental Three-Way, que remete a um lado meio lo-fi e meio faroeste, seguida da bonitinha – e até sarcástica California Girls. Ao mesmo tempo, fica no ar um ruído, um toque de algo que não é tão típico assim da época: um resquício de noise rock, de barulhinhos não identificáveis e distorções.

Não à toa Distortion nomeia o álbum. Mostra também um desvio no que já é comum ao Magnetic Fields: um som mais limpo e definido. Talvez sejam o amor que Stephin Merritt, que comanda o álbum, tenha a grupos como o ABBA e o apego ao Jesus & Mary Chain que possam tê-lo feito conduzir o álbum por um caminho mais retrospectivo e artesanalPor mais que hajam distorções, quase não se ouvem intervenções de samplers., sem deixar de ter sempre uma melodia marcada pelo baixo principalmente. O resultado pode ser chamado de post-punk, noise rock, lo-fi… Seja lá o que for é uma música boa de ouvir, seja pelo bom-humor de Too Drunk To Dream ou pela serenidade das vozes femininas em Drive On, Driver ou Till The Bitter End.

 
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Mudança de rumo

Após intervalo nas atividades, British Sea Power retorna diferente

por Daniel Andreazzi
13 fevereiro, 2008

Fora as letras meio viajantes e cheias de referências literárias, nos dois primeiros álbuns British Sea Power costumava ser uma banda quase comum. Neste terceiro, Do You Like Rock Music?, as coisas mudaram um pouco.

É notável que os caras resolveram experimentar. O título do álbum parece um desafio ao fã de rock. No fim das contas, o desafio está mais para os fãs da banda, menos para os fã de rock em geral. O que o BSP está fazendo agora os aproxima bandas como Interpol e Arcade Fire. Mas no caso do BSP, há espasmos de alegria.

A faixa de abertura, A Trip Out, é um exemplo. Nem de perto é uma canção pop. Mas All In It é bem menos, o que inclui toda uma atmosfera obscura, apenas dois minutos, dois versos e um vocal sussurrado que mais parece alguém agonizando.

Do You Like Rock Music? definitivamente não é um álbum que vai mudar paradigmas no rock. Nem fazer a banda ganhar ou perder fãs. Mas é até que bem feito. Se é que a intenção era dar uma guinada, até que o BSP se saiu bem.

 
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