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Porque até a Madonna merece um piores de todos os tempos

Cornetação total da carreira da Madonna

por Carol Landulfo
16 maio, 2008

Se você já ouviu o novo álbum da Madonna, Hard Candy, e rolou aquela decepção, calma, que sempre existe um alento. Podemos dizer que a mais nova melhor amiga de infância de Justin Timberlake já derrapou na bizarrice outras vezes no pasado.

Para quem só conhece os singles mais famosos, o escatumbalera fez um balanço dos trabalhos de estúdio da cantora e elegeu a pior faixa de cada álbum, aquelas que provavelmente ela nem lembrava – ou não queria lembrar – mais que existiam.

Deixamos de fora as trilhas sonoras dos filmes Evita, Dick Tracy e Who’s That Girl porque, apesar de feitas por ela, consideramos que não tinham muito a cara da Madonna. Aí vai a lista:

  • Madonna, 1983
    Madonna, 1983

    I Know It: Madonna grita ao mundo que já sabia que aquele amor daria errado. Backing vocals corroboram neste lamento quase sem rimas. Bateria eletrônica e sintetizador com destaque para o saxofone via tecladinho.

  • Like A Virgin, 1984
    Like A Virgin, 1984

    Shoo-Bee-Doo: O título já começa mal. A letra confirma as previsões. E o saxofone e o tecladinho voltam com tudo e conseguem deixar tudo ainda mais brega.

  • True Blue, 1986
    True Blue, 1986

    Jimmy Jimmy: A história de uma garota que se apaixona por um traste, chamado… Jimmy, um ser “muito selvagem para a cidade”. E dá-lhe tecladinho pra musicar essa linda história, que conta com um coro clamando por “Jimmy Jimmy”.

  • Like A Prayer, 1989
    Like A Prayer, 1989

    Love Song: Apesar do muito bom nível do álbum, essa música está concorrendo fortemente no rol das mais chatas ever da Madonna. Nada funciona muito bem, a letra, a melodia e principalmente o backing vocal.

  • Erotica, 1992
    Erotica, 1992

    Did You Do It?: Featuring Mark Goodman e Dave Murphy, Madonna quase não canta (eu desconfio que ela só faz o backing vocal). Parece qualquer coisa dos anos 90 (um C+C Music Factory?), uma batida bem… batida, parece lounge da balada da década passada, num tom muito rapper farofa.

  • Bedtime Stories, 1994
    Bedtime Stories, 1994

    Sanctuary: “Quem precisa do sol? Quem precisa de um sorriso? Quem precisa do céu? Você é o meu santuário”. Dá sono. Principalmente pela letra repetitiva.

  • Ray Of Light, 1998
    Ray Of Light, 1998

    Shanti/Ashtangi: Difícil falar mal de Ray Of Light, mas música em sânscrito é levar o lado zen muito a sério.

  • Music, 2000
    Music, 2000

    Nobody’s Perfect: Olha aí a Madonna mostrando que também pode ser emo. “Eu me sinto tão triste, eu me sinto tão mal, e eu devo dizer a você, desculpe, mas… ninguém é perfeito”. A melodia ninguém-me-entende-nesse-mundo com batidas eletrônicas não combinaram muito.

  • American Life, 2003
    American Life, 2003

    X-Static Process: Simplesmente sem graça alguma é esse momento acústico de Madonna.

  • Confessions On A Dance Floor, 2005
    Confessions On A Dance Floor, 2005

    Forbidden Love: Num álbum mediano, em que as músicas são bem parecidas, todas abusando do eletrônico, essa foi a mais sem graça.

 
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A mais óbvia lista sobre punk rock que você já leu

De 77 aos anos 90

por Silvana Salles
17 março, 2008

Em um momento ignorante de usurpação do clichê, optei por agraciar este nosso belo espaço de música nova com algo velho, clássico e que representasse os últimos trinta e poucos anos de um estilo ainda mais usurpado do que o clichê da lista de coisas-que-você-tem-que-ouvir-antes-de-morrer: o punk.

Antes de partir para a lista propriamente dita, no entanto, gostaria de estabelecer uma metodologia. Em primeiro lugar, MC5 e Iggy and The Stooges estão de fora. Velvet Underground, New York Dolls e Television também. Legs McNeil e Gillian McCain podem espernear à vontade, mas aqui todas essas grandes bandas vão ficar guardadas na gaveta do “pré-punk”.

Justificativas? Bom, MC5 e Stooges vieram antes dessa onda toda. Velvet Underground é avant garde (demais) - se estivesse vivo, Andy Warhol não me deixaria mentir. New York Dolls e Television também ainda não tinham muito daquilo que ficou consagrado como punk, aquelas distorções instrumentais e desafinações vocais terríveis de que tanto gostamos; ambas cabem dentro de art rock ou qualquer coisa assim.

Claro que rótulos são apenas rótulos. O fato de Iggy Pop ser mais da velha guarda não significa que ele seja menos punk do que Sid Vicious (que, por sinal, era tão punk que morreu aos 27 sem fazer absolutamente nada da vida além de tocar mal por um ano e meio no Sex Pistols). Se eu fosse purista como os supracitados autores de Mate-me Por Favor, minha listagem começaria com Patti Smith e acabaria com Dead Boys, sem nenhum britânico nela. No entanto, não o sou. E atravessei minha adolescência ouvindo coisas muito menos pretensiosas do que a cena vanguardista de Nova York. Portanto, fica aqui estabelecido que, para fins práticos, tudo começa no primeiro disco dos Ramones, de 1976.

Enfim, segue a lista das quinze músicas que você já deveria ter ouvido 300 mil vezes na sua vida:

  • Ramones - Now I Wanna Sniff Some Glue
    Do álbum primogênito da banda preferida de dez entre dez pseudo-punks de 16 anos, essa canção de nome tão singelo é uma pérola do senso de humor levemente canalha de Dee Dee Ramone
  • Sex Pistols - Pretty Vacant
    Os Pistols nasceram com talvez quatro objetivos de vida, dos quais ao menos dois foram devidamente arquitetados por Malcolm McLaren: chocar, xingar a rainha, reclamar dos altos índices de desemprego da era pré-Thatcher e vender. Carregada daquela ironia tão rotteniana, Pretty Vacant se enquadrava justamente na terceira meta. O que não significa que não buscasse as outras três
  • The Buzzcocks - Ever Fallen In Love
    O Buzzcocks inventou o pop punk, mas nem venham com essa de chamar de emo. A música escolhida para essa lista, de 1977, é provavelmente a mais famosa, mais pop, e a que menos fala em ereções
  • The Clash - Clash City Rockers
    Sendo esta uma lista óbvia, não poderia faltar uma farofada qualquer do Clash. Tão farofa essa de 1978, no caso, que chega a citar Gary Glitter
  • Sham 69 - If The Kids Are United
    De 1978, a música era pra ser um hino de união entre bancas de punks e skinheads que à época inflamavam a Inglaterra com tretas medonhas. Também era pra ser um hino de união entre as diversas facções de skins que habitavam o underground inglês. Obviamente, não deu certo. Mas ainda é bem bacana
  • Stiff Little Fingers - Alternative Ulster
    Single de 1978, depois gravado no álbum Inflammable Material, de 1979. A banda de Belfast, Irlanda do Norte, era meio que rival da igualmente norte-irlandesa Undertones quando apareceu. Tudo por conta de questões políticas
  • Dead Kennedys - Holiday In Cambodia
    A banda reformada que passou pelo Brasil em 2002 era puro caça-níquel, mas quando Fresh Fruit For Rotten Vegetables saiu em 1980, Jello Biafra comandava o negócio e fazia questão (como ainda faz) de escancarar todas as mazelas da humanidade. Um exemplo? O massacre proporcionado por Pol Pot e seu Khmer Vermelho no Camboja
  • Cockney Rejects - Oi! Oi! Oi!
    Skinheads, hooligans, loucos pelo Westham. Na ativa até recentemente, os Rejects são do tipo que promove o oi! (como dá pra reparar pelo título da música, de 1980) e cancela shows que caem em dia de rodada. Nos idos dos anos 80, quando começava o quebra-pau enquanto estavam tocando, os caras desciam do palco e partiam pra briga
  • The 4-Skins - One Law For Them
    Como toda boa banda de skinheads, acabou levando a culpa pelas tretas dos outros. Ninguém mandou pôr o dedo nas desilusões da classe operária. One Law For Them foi o primeiro single dos caras, de 1981
  • The Exploited - Sex And Violence
    Do primeiro disco da banda (Punk’s Not Dead, de 1981), são cinco minutos de pura concisão. Ouça e comprove
  • Os Replicantes - Festa Punk
    A essa altura, você provavelmente notou que eu não tenho credibilidade. E que sequer estou tentando disfarçar. A bestíssima Festa Punk, de 1987, é tão boa quanto várias outras de Wander Wilder e coleguinhas
  • Bikini Kill - Rebel Girl
    Apareceu em um split de 1993 de nome Yeah Yeah Yeah Yeah. Petardo algo dyke de uma das mais importantes referências entre as bandas feministas, tem todo um apelo adolescente irresístivel
  • Pennywise - Bro Hymn
    O clássico da banda californiana tem duas versões: a primeira, de 1993, do álbum homônimo à banda, e a renomeada como Bro Hymn Tribute encontrada em FullCircle, de 1997. A regravação foi uma homenagem ao baixista fundador Jason Thirsk, que se suicidou em julho de 1996. Quando esta corneteira estava no colégio, a maioria dos fãs de punk do bairro só sabiam cantar o refrão
  • Rancid - Timebomb
    Quem tinha entre 11 e 19 anos em 1996 ouviu essa música nas rádios rock brasileiras até não agüentar mais. A voz acabada de Tim Armstrong, a guitarrinha ska e o solo de órgão (cortesia de Vic Ruggiero, do Slackers) são inesquecíveis
  • Dropkick Murphys - I’m Shipping Up To Boston
    Muita gente diz que esses caras são a melhor banda de punk dos últimos tempos. Merecendo ou não o título, I’m Shipping Up To Boston entrou na lista simplesmente porque é boa. E é aquela coisa bem “sou de Boston, filho de irlandês e bebo pra caralho”. Está no álbum The Warrior’s Code (de 2005) e na trilha sonora de Os Infiltrados
 
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As dez mais que não vingaram

…Baby, One More Time, Oops!… I Did It Again, Toxic. Essas você já conhece e se bobear sabe inclusive os passinhos da dança de cada uma delas. Mas Britney Spears revela muito mais que os clipes mostraram, afinal, os álbuns da nossa anti-musa pop contêm mais que os quatro singles que pululavam pela MTV e [...]

por Maíra Borges
29 outubro, 2008

…Baby, One More Time, Oops!… I Did It Again, Toxic. Essas você já conhece e se bobear sabe inclusive os passinhos da dança de cada uma delas. Mas Britney Spears revela muito mais que os clipes mostraram, afinal, os álbuns da nossa anti-musa pop contêm mais que os quatro singles que pululavam pela MTV e agora enchem os olhos de nostalgia no YouTube. Eis aqui a chance de conhecer Britney mais a fundo, nesta lista que compila os dez maiores não-hits da cantora, escondidos nos confins do álbum que talvez você não ouviu por inteiro.

10. Dear Diary: Lentinha, que é mais comédia do que música. “Querido diário, hoje eu vi um garoto. Fiquei pensando se ele me notou.” É de chorar de rir.

9. What You See (Is What You Get): Das animadinhas do Oops!… I Did It Again que não tiveram a devida repercussão.

8. Email My Heart: É das breguinhas bonitinhas que merecem ser ouvidas.

7. What It’s Like To Be Me: Como assim que as pessoas nem lembram da única musquinha com a participação do seu amor de infância Justin Timberlake?

6. I Will Still Love You: Uma das boas baladinhas de Britnilda que ficou esquecida na poeira deixada por …Baby, One More Time, no começo de sua carreira.

5. Lonely: Com certeza deveria ter sido single no lugar de Overprotected. Muito mais interessante! Não poderia ter passado batido assim.

4. Deep In My Heart: Sabe quando você vê a sua pré-adolescência passando na sua cabeça? Essa é a trilha sonora.

3. (I Got That) Boom Boom: Refrão viciante e batidas muito mais legais do que qualquer outra do In The Zone, fora Toxic, é claro.

2. Bombastic Love: Só pelo fato de ser alegre, divertida e ter batidinhas legais, merecia ter sido single e, com certeza, teria chegado ao primeiro lugar.

1. When I Found You: A balada mais fofa de todas as baladas Britnianas ficou lá, despercebida no final do Britney, enquanto o mundo pagava pau pra I’m Not A Girl, Not Yet A Woman.

 
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As frases mais curiosas da música brasileira (5)

Porque a música brasileira da árvore não vai cair

“a saudade é um prego, coração é um martelo”
Rio Negro & Solimões, De São Paulo À Belém
@ Rio Negro & Solimões, 1996

“pra que tanto telefonema se o homem inventou o avião”
Jota Quest, Tele-fome
@ Oxigênio, 2000

“apesar de colher as batatas da terra”
Karametade, Morango Do Nordeste
@ Karametade, 2000

“lá em [...]

por Luiz Fukushiro
16 agosto, 2008

Porque a música brasileira da árvore não vai cair

  1. “a saudade é um prego, coração é um martelo”
    Rio Negro & Solimões, De São Paulo À Belém
    @ Rio Negro & Solimões, 1996

  2. “pra que tanto telefonema se o homem inventou o avião”
    Jota Quest, Tele-fome
    @ Oxigênio, 2000

  3. “apesar de colher as batatas da terra”
    Karametade, Morango Do Nordeste
    @ Karametade, 2000

  4. “lá em Hollywood pode tudo rolar”
    Netinho, Mila
    @ Netinho Ao Vivo, 1996

  5. “tira a calça jeans, bota o fio dental”
    Os Morenos, Marrom Bombom
    @ Marrom Bombom, 1995

  6. “eu sou camaleão, hoje sou seu amor”
    Chiclete Com Banana, Cara Caramba, Sou Camaleão
    @ Chiclete Com Banana, 1992

  7. “I don’t want to stay here, I want to go back to Bahia”
    Paulo Diniz, Quero Voltar Pra Bahia
    @ Quero Voltar Pra Bahia, 1970

sugestões: fukushiro@escatumbalera.com ou escreva um comentário nos posts das listas.

 
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Treze gatos malhados para uma sexta-feira 13

No Dia Mundial do Rock, relembramos treze micos clássicos de alguns dos seus rockstars preferidos

Nada melhor do que uma boa história para comemorar um dia especial, certo? O leitor de escatumbalera, então, não tem do que reclamar: para celebrar a memorável data de hoje, selecionamos treze bons causos que habitam o imaginário de cada fã [...]

por Silvana Salles
13 julho, 2008

No Dia Mundial do Rock, relembramos treze micos clássicos de alguns dos seus rockstars preferidos

Nada melhor do que uma boa história para comemorar um dia especial, certo? O leitor de escatumbalera, então, não tem do que reclamar: para celebrar a memorável data de hoje, selecionamos treze bons causos que habitam o imaginário de cada fã de rock Brasil afora. E sendo Dia Mundial do Rock, não faltará drogas, sexo, escatologia e intrigas.

Fiquem, portanto, com treze casos que deveriam ter envergonhado seus protagonistas, se ao menos eles tivessem vergonha na cara ou senso de ridículo.

  1. O melhor pior show do mundo

    Janeiro de 1993. O Nirvana, em sua passagem única pelo Brasil, faz o pior show de sua história no estádio do Morumbi, em São Paulo. Quem viu diz que a banda parecia não fazer idéia do que estava fazendo no palco. Não contente, Kurt Cobain, em ato de redenção pessoal, mostrou o pinto especialmente para as câmeras da Globo. Detalhe: o show estava sendo televisionado ao vivo em rede nacional. A transmissão foi imediatamente cortada e a apresentação é até hoje incensada como uma das mais fantásticas que Cobain, Dave Grohl e Krist Novoselic deram ao mundo.

  2. 11 de setembro é o c*****o

    Porto Alegre, 2 de outubro de 2001. O virtuoso Yngwie Malsmteen, sueco radicado nos Estados Unidos, toca o hino norte-americano já nos fins do show. A execução do guitarrista para The Star-Spangled Banner é recebida pelo público porto-alegrense com vaias e gritos de “Bin Laden! Bin Laden!”.

  3. “Nós queremos o seu dinheiro”

    A frase saiu da boca de John Lydon, antigamente conhecido como Johnny Rotten. Em 1996, o Sex Pistols saiu em turnê mundial com os quatro integrantes originais da banda (John Lydon, Steve Jones, Glen Matlock e Paul Cook). Foram 78 datas, sob o nome de Filthy Lucre Tour – alcunha que resumiu bem o espírito da reunião. Reza a lenda que Lydon foi pego em pelo menos um show lendo as letras das músicas de um papel em sua mão. A turnê caça-níquel rendeu um álbum (Filthy Lucre Live), um single (a versão ao vivo de Pretty Vacant) e, mais recentemente, um livro contando os bastidores daqueles dias sombrios. The Filthy Lucre Tour: A Personal Diary of The Sex Pistols 1996 World Tour, aliás, foi escrito por Glen Matlock e tem lançamento marcado para o próximo 1º de setembro.

  4. Maus perdedores

    Porto Alegre, mais uma vez: em maio de 1999, o Metallica se apresentou no Jockey Club, com abertura do Sepultura. Eram tempos de Garage, Inc., e o que era para ser um show apoteótico dos americanos acabou sendo o grande triunfo dos brasileiros – a porrada sonora do Sepultura empolgou muito mais o público que o bem-bolado do Metallica. Resultado: dois dias depois, em São Paulo, o Sepultura tocou com o som curiosamente baixo demais, o que viria a se repetir no show seguinte, no Rio de Janeiro. James Hetfield e Lars Ulrich nunca explicaram o que houve na ocasião, mas, por estas terras “em desenvolvimento”, Igor Cavalera e companhia disseram nunca terem sofrido tamanha decepção com seus ídolos quanto naquele 8 de maio, no Anhembi.

  5. Migué, mas com balada

    Deve ter sido previamente arquitetado. No começo da gravação do Acústico MTV do Oasis, Noel Gallagher avisou que o irmão e vocalista Liam estava doente e não poderia participar do show naquela noite de 23 agosto de 1996. Portanto, ficaria a cargo dele próprio assumir os vocais. Acontece que, durante a apresentação, um dos câmeras flagrou Liam Gallagher tomando uma brejinha no mezzanino. Sir Paul McCartney não deve ter gostado da postura do conterrâneo, porque depois deu uma declaração à imprensa dizendo que o Oasis podia muito bem demitir Liam, já que Noel era um cantor muito melhor.

  6. Verdade inconveniente

    Reza a lenda que, em uma das várias passagens do Motörhead pela Alemanha, o vocalista Lemmy Kilmister causou mal estar generalizado na platéia por conta de uma frase, digamos, fora de lugar. A banda tocava no famoso estádio de Nuremberg, célebre pelos jogos de futebol e pelos comícios protagonizados por Adolf Hitler durante o Terceiro Reich. Lemmy, querendo animar a galera, lançou a seguinte:

    ― Vocês fizeram muito mais barulho do que isso em 1937!

  7. As vaidades do Rei

    Não, não estamos falando de Roberto Carlos. Trata-se de uma lenda já antiga, que o site Snopes.com afirma de fato ter acontecido. Julho de 1975, Virginia, EUA. Elvis Presley já estava em sua fase final, bancando o crooner de si mesmo. Durante um show na cidade de Norfolk, o cantor disse que o pessoal que fazia os backing vocals estava com hálito de bagre. Ofendidas, três garotas de um total de dez cantores desceram do palco para não subir mais naquela noite. Até hoje, ninguém sabe o que exatamente ele quis dizer com a palavra “bagre”.

  8. Marca registrada

    Uma clássica. Ozzy Osbourne, em show da turnê de Blizzard Of Ozz, mordeu a cabeça do morcego. Um fã havia atirado o bicho no palco, e Ozzy, achando que tratava-se de um boneco, resolveu arrancar a cabeça dele no dente. O resto, como diriam os gringos, é história. No fim da primeira temporada de The Osbournes, o “Príncipe das Trevas” fez um mea culpa interessante sobre o caso. Disse que ficou tão chocado quanto o resto do mundo quando viu que o morcego era de verdade, e que depois disso os fãs começaram a jogar todo o tipo de coisa no palco para ele dar umas dentadas: pombas, bonecas, bichos de pelúcia etc. Ozzy, na ocasião, contou que certa vez jogaram um boneco tão grande que ele achou mesmo que fosse um bebê.

  9. Eles perseguem

    Sabe aquele adesivo escrito “Parental Advisory: Explict Content”, que vem estampado na capa de alguns discos? Pois Jazz From Hell, álbum de 1986 do controverso Frank Zappa, recebeu um desses da famigerada RIAA (Associação da Indústria Fonográfica Americana). A graça da história é que o disco é todo instrumental.

  10. A primeira vez a gente nunca esquece

    Que Iggy Pop e Nico tiveram um tórrido e curto romance em finais dos anos 60, não é segredo para ninguém. O que muitos só vieram a saber com a publicação do livro Mate-me Por Favor – Uma História Sem Censura do Punk é que a loira foi a responsável pela primeira gonorréia da vida de Iggy.

  11. O real culpado

    Em 1967, o The Who fez uma ponta como convidado musical no programa Smothers Brothers Comedy Hour – uma espécie de Saturday Night Live das antigas. Keith Moon havia planejado um gran finale com direito as explosivos levando abaixo sua bateria. Acontece que Moon calculou errado a quantidade de explosivos que deveria pôr no bumbo de seu instrumento. A explosão acabou não só causando o efeito pirofágico desejado. Também contribuiu maciçamente com a surdez irreversível de Pete Townshend.

  12. Faltaram uns hippies

    O ano de 1999 teve seus altos e baixos para os Red Hot Chili Peppers. Um boicote mal recebido pelos fãs (e pelo ex-guitarrista Dave Navarro) às músicas do álbum One Hot Minute, uma treta com Mike Patton. Mas Californication ia bem, é verdade. Os Peppers estavam no topo de sua popularidade em anos. Aí veio o Woodstock, idealizado para celebrar os 30 anos do lendário festival e promover o espírito de paz e amor de 1969. Bem, Woodstock ‘99 ficou para história pela falta de água, banheiros toscos, filas gigantescas, segurança deficitária, depredações, estupros, prisões, um caso de violência generalizada durante o show do Limp Bizkit (gente foi pisoteada, alguns garotos disseram depois que achavam que iam morrer e os corneteiros de plantão culparam Fred Durst e trupe de incentivar os baderneiros com suas letras) e o incêndio seguido de tumulto durante o show do Chili Peppers. Enquanto Anthony Kiedis cantava Fire, de Jimi Hendrix, uma torre de som pegava fogo e a multidão gritava “We don’t need no water, let the motherfucker burn, burn motherfucker, burn!”

  13. Menção honrosa para o Rock In Rio

    A terceira edição do Rock In Rio, em 2001, certamente foi muito menos trágica que o terceiro Woodstock. O que não evitou o fiasco do show de Carlinhos Brown, que levou vaias e garrafadas – de plástico, oras – dos fãs de Guns N’ Roses e tentou sem êxito desafiar a platéia cantarolando o Hino Nacional. Tampouco impediu um juiz da 1ª Vara da Infância do Rio de Janeiro de dar ordem de prisão a Nick Oliveri, baixista do Queens Of The Stone Age, ainda no começo da apresentação, por atentado ao pudor. A farofada acabou com o peladão Oliveri vestindo uma peça de roupa para apaziguar os ânimos. Mas foi triste ver que Valéria Valenssa pode; roqueiro gringo não.

 
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Para as difíceis manhãs

Tá difícil se animar para acordar? Tente começar o dia com essa seleção

Esta lista pode parecer um pouco tendenciosa, com um artista de Portugal e outros quatro da Grã-Bretanha, mas isso é porque é uma seleção baseada completamente em meu gosto pessoal. Não houve um momento em que pensei “vou montar uma lista com músicas [...]

por Daniel Andreazzi
3 julho, 2008

Tá difícil se animar para acordar? Tente começar o dia com essa seleção

Esta lista pode parecer um pouco tendenciosa, com um artista de Portugal e outros quatro da Grã-Bretanha, mas isso é porque é uma seleção baseada completamente em meu gosto pessoal. Não houve um momento em que pensei “vou montar uma lista com músicas para escutar de manhã”. Esta compilação demorou anos para ficar pronta, à medida que eu fui escutando as músicas e fui anotando para o futuro.

Em fevereiro de 2000 o Oasis lançou seu álbum mais fracassado, Standing On The Shoulder Of Giants, que apesar disso, é bom. Daí saiu Sunday Morning Call. No mesmo ano, em outubro, o U2 lançou All That You Can’t Leave Behind. Em seguida, veio o Charlatans com Can’t Get Out Of Bed, do álbum Up To Our Hips, de 1994. Isso porque só fui conhecer Melting Pot, uma coletânea de 1998, em 2003.

Ano passado foi a vez do Toranja, que conheci no showLogo, a primeira vez que escutei Só Eu Sei Ver foi ao vivo, com direito a coro do Citibank Hall lotado na hora do refrão. Praticamente impossível não ter comprado o álbum depois do espetáculo e colocado a música na lista imediatamente. em que abriram para o Los Hermanos, com a canção do álbum Segundo, de 2005. A lista se fechou há cerca de um mês, quando o Manic Street Preachers lançou Send Away The Tigers e Autumnsong se encaixou perfeitamente.

Minha lista não está em ordem cronológica, mas também na ordem que eu acho mais conveniente. Portanto, deve haver outras músicas que se enquadrem neste perfil pelo mundo afora, mas elas não fazem parte da minha seleção.

  1. Oasis - Sunday Morning Call

    Não é lá uma letra muito animada. Na verdade é muito boa para quem está totalmente desanimado com a vida. Ok, a última frase é meio apocalíptica, mas o tempo todo Noel Gallagher diz que tudo está dando errado, mas tudo bem, está tudo certo. Além disso, o título combina muito bem com o intuito desta seleção.

  2. The Charlatans - Can’t Get Out Of Bed

    Pelo título, dá impressão que a música vai fazer o efeito contrário do “desejado”. A letra também não ajuda muito, pois no máximo te faria ficar feliz dentro de casa. Mas o forte desta música está na melodia: ensolarada, cheia de teclados alegres, as guitarras não são muito pesadas e dá pra cantar gritando.

  3. Manic Street Preachers - Autumnsong

    Como é a tônica desta lista, a letra também não é a parte mais forte da música, pelo menos em relação à alegria. Tirando-se algumas frases soltas, até que sim, como “So when you hear this autumnsong/Remember the best times are yet to come”“Quando escutar essa canção de outono/Lembre que os melhores tempos ainda estão por vir”. É outra música que dá para cantar gritando, principalmente o refrão, com o devido aumento de tom no pré-refrão.

  4. U2 - Elevation

    Quem viu o show deles ano passado, e principalmente quem esteve lá (não eu), sabe o que esta música é capaz de fazer com um estádio. Aqui as letras começam a ser coerentes, como na última música. O tempo todo ela fala em elevar-se. E realmente, depois dela, o próximo movimento é sair da cama, mesmo que lá esteja quentinho. Mas o que importa é aproveitar o que está lá fora.

  5. Toranja - Só Eu Sei Ver

    Uma das coisas possíveis de se fazer é assistir a alvorada. É exatamente disso que esta única canção em português fala. Não que a noite anterior de Tiago Bettencourt tenha sido tão boa assim, mas pelo menos a manhã promete ser. Mais ou menos assim, “minha vida pode não ser muito legal, mas eu sei me redimir”.

 
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[OK COMPUTER 10Y] Um sexteto e um computador

Há exatamente 10 anos algo mudava no rock. Algo mudava na música. No dia 16 de junho de 1997, o Radiohead lançava seu terceiro álbum, o extraordinário Ok Computer, não só o melhor trabalho da banda até então, como também um dos melhores (se não o melhor) álbum da década de 90 e, por que [...]

por Carol Landulfo
16 junho, 2008

Há exatamente 10 anos algo mudava no rock. Algo mudava na música. No dia 16 de junho de 1997, o Radiohead lançava seu terceiro álbum, o extraordinário Ok Computer, não só o melhor trabalho da banda até então, como também um dos melhores (se não o melhor) álbum da década de 90 e, por que não, um dos melhores de todos os tempos.

Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway trazem definitivamente os sintetizadores para suas músicas. A banda soube aproveitar a frieza dos sons computadorizados, numa mistura entre o eletrônico e o rock progressivo, para criar canções que declaram o mundo de 1997: a mecanização, robotização, o mundo moderno e a melancolia misturada com agressividade. Tudo se interliga em Ok Computer Como O’Brien disse certa vez à revista Rolling Stone: “o disco foi uma música muito longa, de 55 minutos”..

Porém, falta ainda que uma pessoa leve os méritos – o quase sexto integrante da banda, o produtor Nigel Godrich.

Nigel já havia trabalhado em duas faixas do trabalho antecessor da banda, o The Bends, que foi produzido por John Leckie. E nas ausências do veterano produtor, Nigel mostrava à banda suas idéias e do que era capaz. “Enquanto John estava fora, ia a um casamento ou algo assim, nós aproveitávamos para fazer alguns b-sides. Era como se os pais estivessem fora e tudo mundo aproveitasse o tempo para se divertir e aprontar”, afirmou Nigel. E da “farra” saiu Black Star, uma das melhores músicas de The Bends. Além de Lucky, que mais tarde faria parte do lendário Ok Computer.

O produtor ainda continuou trabalhando com o Radiohead na produção de alguns b-sides como Talk Show HostA música foi gravada e mixada em apenas quatro horas., que faz parte da trilha sonora do filme Romeu e Julieta. Nesse momento, Nigel sabia que participaria do próximo álbum da banda.

Após maus momentos no estúdio em The Bends, a banda quis fazer o próximo trabalho por eles mesmos. Em um estúdio móvel, batizado de Canned Applause, no “meio do nadaO estúdio foi montado por Nigel próximo à cidade natal da banda, Oxford.” , segundo Jonny. Não havia profissionais da gravadora, nem havia cara de estúdio de verdade, havia apenas o material necessário, a banda e alguns amigos para ajudar, entre eles Nigel Godrich, um cara até então não muito conhecido no meio e que era mais novo que qualquer um da banda, situação raríssima no meio musical.

Longe da cidade grande, o isolamento da banda permitiu que fizessem o trabalho de forma diferente, mais livre, tornando horas de trabalho mais espontâneas e flexíveis. Após finalizar quatro músicas no Canned Applause, em setembro de 1996, a banda se mudou para St. Catherine’s Court, uma mansão na pequena cidade de Bath, que já foi de propriedade da atriz Jane Seymour. Lá, eles gravaram o restante de Ok Computer. Enquanto a banda tocava no salão, Nigel Godrich gravava na biblioteca. Thom cantou Exit Music (For A Film) no hall de entrada com pesadas paredes de granitoE talvez daí seja o clima intimista e som ecoante do vocal; Let Down foi gravada ao vivo às três da manhã no salão. Na época do natal, cerca de catorze músicas estavam finalizadas. A mixagem foi feita em Londres, durante janeiro e fevereiro de 1997.

Foi afastado do mundo que o Radiohead, com a ajuda de Nigel, conseguiu definir o som próprio da banda. Em Airbag, a música que abre o álbum, já se nota o dedo de Godrich, que consegue com uma profunda técnica produzir uma densa camada de sons.

Sintetizadores, guitarras, teclados, bateria, a voz ora asfixiante, ora melancólica, ora raivosa, ora desesperadora de Thom Yorke. Nigel consegue colocar tudo isso dentro de um saquinho, misturar de forma mágica e fazer brotar músicas únicas. Sempre é preciso alguém para fazer a criação do gênio vingar. Nigel Godrich fez o Radiohead virar Radiohead.

 
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