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Yorke faz escola?

Nem só de Radiohead vive a internet. Com dez anos de estrada, os guarulhenses do Chipset Zero lançam novo álbum na web e contabilizam as vantagens de manter o profissionalismo
O lançamento físico, oficial, está previsto para março deste ano. Mas enquanto o disco novo do Chipset Zero, batizado de Red-O-Matic, não chega à sua loja [...]

por Silvana Salles
24 janeiro, 2008

Nem só de Radiohead vive a internet. Com dez anos de estrada, os guarulhenses do Chipset Zero lançam novo álbum na web e contabilizam as vantagens de manter o profissionalismo

O lançamento físico, oficial, está previsto para março deste ano. Mas enquanto o disco novo do Chipset Zero, batizado de Red-O-Matic, não chega à sua loja preferida da Galeria do Rock, o trabalho da banda de Guarulhos está desde dezembro todo disponível no Trama Virtual. E já atingiu a marca de 4 mil downloads.

Trata-se de um número nada desprezível para uma banda independente. Claro, não se compara ao obtido pelo Radiohead com aquela jogada de pagar quanto se quisesse pelo álbum, tampouco aos 6,6 milhões de downloads legais que o pegajoso hit Umbrella, da americana Rihanna, conseguiu em 2007. Estamos, porém, falando de um grupo veterano na cena new metal de São Paulo, que desde 1997 milita nas hostes de um gênero de alcance restrito, que já saiu de moda há tempos, cantando em inglês e fazendo um som nada comercial. Ou alguém acha que a mistura de industrial e thrash metal tem espaço no mainstream?

Peguemos uma estatística esdrúxula para basear a comparação: conforme publicado pela revista Carta Capital de 28 de novembro passado, a Warner Music conseguiu vender 20 mil cópias de um disco antigo dos Bee Gees só depois de passar por uma maquiagem para baratear o preço final. O Chipset, muito longe da estrutura de que os relançamentos das lendas da disco music dispõem, conseguiu em pouco mais de um mês chegar a um quinto deste número em downloads gratuitos através de um site que há anos trabalha com este formato de distribuição.

Para o baterista Jamil, caso a banda tivesse optado por disponibilizar apenas alguns singles na internet, em vez de pôr o álbum completo, o resultado provavelmente não teria sido tão bom. “O disco deixou de ser um produto para ser promoção. Você não ganha mais dinheiro vendendo disco, apenas o usa como ferramenta para que as pessoas te conheçam”, explica o músico.

As treze faixas de Red-O-Matic que estão na web mostram mais do que uma mudança de estratégia de marketing do disco anterior, Deep Blue (de 2001), para o momento atual. As mudanças pelas quais o som passou também são bastante claras: os samples estão mais orgânicos, o vocal está menos melódico, as guitarras mais agressivas, a percussão mais trabalhada. Em alguns momentos, como Hybrid Song, chega a lembrar o Soulfly. As influências de hardcore também estão mais nítidas, e, se o que você procura é aquele new metal que tão bem conhecemos, esqueça. Enquanto o rótulo caía, o Chipset Zero de Tubarão (vocal/percussão), Ayka (baixo), Ronny (guitarra), Japa (guitarra), Alê (sampler e programação), Jaime (percussão) e Jamil atropelou a fórmula melodia-barulho-verso-refrão-scratch-guitarra e construiu um trabalho único e muito bem lapidado.

Jamil comenta essas mudanças da seguinte forma: “amadurecemos muito e foram anos de diferença [entre os dois álbuns]. A estrada te dá outra visão da música. Não somos mais adolescentes, somos homens e temos outras ambições”. Só para constar, entre o Deep Blue e o Red-O-Matic, o Chipset excursionou por Argentina e Chile e abriu em São Paulo shows para Slipknot e Kittie.

Leia abaixo a entrevista com o batera e co-fundador da banda:

Por que o Red-O-Matic demorou tantos anos para sair?

Dinheiro, tour, oportunidade, uma série de fatores. Não podíamos e nem queríamos lançar um “disco qualquer”, tinha que ser um disco BEM produzido. Já tínhamos viajado pra Argentina, pro Chile, tocado em vários festivais, MTV, dois clipes… Então investimos tudo o que pudemos nesse disco.

O álbum novo teve mudanças de direção no som? Você pode explicar quais foram?

Sim. Amadurecemos muito e são anos de diferença. A maioria das composições do Deep Blue é de 98, 99, 2000. Tocamos muito juntos e houve trocas na formação. A estrada te dá outra visão da música; nós não somos mais adolescentes, somos homens e temos outras ambições. A cabeça mudou, a visão sobre a música mudou, nos transformamos. Aprendemos muito nesses anos de viagens, palcos, experiências boas e ruins… Existe aquele ditado, “a vida te ensina a viver”. O mesmo vale pra banda.

Eu achei o Red-O-Matic mais thrash do que as coisas antigas, menos new metalzinho.

Sim, podemos dizer que ele está mais agressivo, mais metal. Outras pessoas dizem que estamos mais industrial.

Além dos downloads, vocês estão com o disco físico também?

Sim, sim. O disco deixou de ser um produto para ser promoção, hoje é ele quem promove a sua banda. Você não ganha mais dinheiro vendendo disco, apenas o usa como ferramenta para que as pessoas te conheçam.

E os downloads estão funcionando bem como promoção?

Claro. A internet sempre foi a favor do Chipset Zero. Sempre a utilizamos a nosso favor.

Você acha que se o disco não estivesse inteiro na net, tivesse só uns singles, o efeito seria o mesmo?

Não, hoje em dia não.

E os shows, estão rolando?

Então, o começo de ano está meio parado, mas ano passado tocamos com o Kittie. Tá pintando algumas coisas, talvez uma segunda tour pro Chile, estamos vendo ainda. Mas já fomos contatados pra um grande festival em março, em Santiago.

Baixe o álbum dos garotos aqui.

 
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Fazendo tour em carro a gás

DEERHOOF
Guitarrista fala do novo álbum e o que a banda pensa sobre algumas coisas
Deerhoof é Deerhoof desde 1994. Greg Saunier é o único da formação original da banda, que ao passear pelo Japão em 1996 acabaram trazendo Satomi Matsuzaki como vocalista. Quem falou conosco por e-mail foi John Dieterich, o guitarrista do Deerhoof, atualmente dando [...]

por Luiz Fukushiro
29 maio, 2008


DEERHOOF

Guitarrista fala do novo álbum e o que a banda pensa sobre algumas coisas

Deerhoof é Deerhoof desde 1994. Greg Saunier é o único da formação original da banda, que ao passear pelo Japão em 1996 acabaram trazendo Satomi Matsuzaki como vocalista. Quem falou conosco por e-mail foi John Dieterich, o guitarrista do Deerhoof, atualmente dando um rolê por conta da turnê pós-lançamento de Friend Opportunity.

Onde está a banda agora?

Bem, dois terços de nós estão em casaO QG da banda é San Francisco.. Isto é, Greg e eu voltamos de New York e Satomi está vindo. Nós acabamos de tocar em um festival em New York com a curadoria de David Bowie. Foi realmente demais.

Vocês são mais velhos que a onda “indie”. O que vocês acham disso, que é uma chance nova para vocês ou é apenas um rótulo que se pode aplicar à banda?

Sabe, não tenho certeza de como responder isso. Eu sinto que sempre houve todos os tipos de música independente acontecendo, mas talvez isso esteja ganhando mais visibilidade agora. Em todo caso, nós não nos identificamos com “indie” ou qualquer coisa. Nós apenas escrevemos músicas que vêm a nossas cabeças.

Se pudesse escolher um estilo para a banda (pop, rock, samba, salva, música de elevador ou qualquer outra coisa), o que seria?

Música de amizade (Friendship music).

Alguns dizem que Deerhoof é diversão, outros dizem que é arte. Para a banda, música é arte ou diversão?

Eu acho que arte é divertida.

O que vocês acham de distribuição de música pela internet?

Estamos sempre felizes quando as pessoas ouvem a música. Eu ouço músicas desse jeito o tempo todo, ultimamente. Eu apenas acho empolgante que as pessoas tenham a possibilidade de ouvir tantas coisas diferentes.

Há alguma diferença entre o Deerhoof do palcoEm 2004, a banda lançou um álbum digital de versões ao vivo, Bibidi Babidi Boo. e o Deerhoof do álbum?

Oh, yeah, com certeza. Quando tocamos ao vivo, não tentamos recriar o álbum ou algo do tipo. Nós tratamos o show como uma idéia separada com possibilidades diferentes. Eu acho que às vezes as pessoas ficam surpresas quando nos vêem ao vivo e descobrem que nós não somos sempre muito fiéis a certos aspectos das gravações. Para nós, a gravação não é a versão “ideal”, mas uma de várias.

Algum plano para o Brasil?

Ainda não, mas adoraríamos ir!

Que artistas vocês recomendam (algo que vocês estejam ouvindo, influências, amigos…)?

Bom, acabamos de tocar com duas bandas maravilhosas em New York: uma se chama Robert Stillman’s Horses e a outra chamada Dirty Projectors. Ambas as bandas são totalmente incríveis.

Por que Friend Opportunity?

Por que perder uma oportunidade de fazer amigos?

Qual foi o feeling ao compor e gravar o novo álbum? Qual foi a intenção da banda?

Nós geralmente não entramos num álbum com várias intenções sobre o que ele deve ser. Nós podemos ter boas idéias, mas no fim o álbum acaba um pouco diferente do que originalmente imaginamos, é claro.

Fale um pouco sobre as músicas do álbum. E - ah!- explique o que significa Kidz Are So SmallParte da letra: “If I were a man and you a dog/I’d throw a stick for you” (Se eu fosse um homem e você um cachorro, eu jogaria um graveto pra você)..

Well, eu não quero colocar nenhuma idéia na cabeça das pessoas sobre as músicas? Espero que a música possa falar por si mesma. No caso de Kidz Are So Small, a letra veio boa parte de David Shrigley, a pessoa que fez a arte do álbum. A letra veio de um “álbum” que ele fez chamado Worried Noodles, no qual ele escreveu as letras e fez a arte para um álbum sem música. É ótimo!

Espaço aberto: diga o que vocês não foram permitidos a dizer ou do que têm vergonha.

Eu tenho vergonha de ainda fazermos tour com um motor a gás e não com um carro elétrico. Um dia faremos isso!

 
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