Cena de intolerância contra emos. Como diria Mano Brown: “Adolf Hitler sorri no inferno”.
Diria Nelson Rodrigues que toda unanimidade é burra. O emocore – ou simplesmente emo – é o estilo musical que hoje mais se aproxima de ter sobre si uma opinião unânime. Unanimemente negativa. Por certo, os grandes críticos musicais e entendidos do mundo da música, ao repudiar esse ritmo tão simpático, já incorrem em um primeiro erro, que é achar que o emo se resume a bandas como NXZero e Fresno. Esquecem que o que hoje entendemos por emo se deve à existência de bandas consideradas legais, como o Sunny Day Real State. No entanto, como essa é uma coluna de gosto assumidamente duvidoso, deixemos para lá o emo respeitável e partamos para a defesa do emo espinafrado, que habita a Jovem Pan, a Nativa e as camisetas dos pré-adolescentes com acne que sofrem bullying.
É inegável que essas bandas fazem um som competente, têm uma cozinha bem pronunciada e, em sua maioria, fazem um rock com bastante pegada. Criticam-se, contudo, as letras românticas, de um lirismo rasgado e – dizem as línguas maldosas – brega. Para essas pessoas, e em defesa do lirismo tempestuoso de Goethe e das bandas emo brasileiras, respondo com Manuel Bandeira: “Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo do vocábulo. Abaixo os puristas.”
Talvez, a maior banda emo hoje no Brasil seja o NXZero, cujo nome é uma abreviação de “nexo zero” e cujo vocalista, Diego – ou Di, para os íntimos –, vem sendo apontado como uma reedição do Fábio Júnior, um mestre na musicalização do amor romântico e idealizado. A comparação parece justa. Com efeito, pérolas como “pela última vez / quero que prometa / todo o seu destino é meu” e “é como uma prisão / em que a única saída é o seu perdão” são dignas da melhor tradição da música romântica brasileira (Wando, Waldick Soriano, Cauby Peixoto, Jane & Herondy, Jovem Guarda e tantos outros).
O amor romântico, claramente, sempre foi a força motriz de toda a produção artística mundial. Pelo menos até o advento do modernismo, quando gente mal-comida, como Virginia Woolf e James Joyce, resolveu que o descolado mesmo era ficar sofrendo pelos cantos em face da constatação de que a existência é inútil e absurda. As massas, no entanto, nunca abandonaram o apego pelo amor que não existe, pelo amor tão bem retratado nos filmes da Disney. O amor puro, incondicional e eterno é verdadeiro alimento para o superego; permite às pessoas se identificarem com o que queriam ser, evitando a dor de perceber o óbvio: somos todos autômatos pré-determinados com o sexo no centro da vida psíquica.
Diante disso, quero mais é que Sartre vá para o inferno. Só NXZero faz a vida mais agradável. Já diria minha avó – diabética –, ao despejar colheres e mais colheres de açúcar no chá: “de amarga basta a vida”. Essas sábias palavras fazem concluir, aliás, que criticar música romântica é coisa de elite branca. Só gente que não acorda às cinco e meia da manhã e pega ônibus lotado tem tempo de ouvir Sonic Youth para poder desfrutar amplamente do mal-estar na civilização. Enquanto isso, empregadas, estivadores, operários, adolescentes feios e outras pessoas que não são o Lúcio Ribeiro só querem encontrar um grande amor e ser felizes.
Mais irritante que essa crítica da elite branca, contudo, é a crítica do povinho cerebral. Salvo melhor juízo, as composições das bandas emo e dos Los Hermanos estão no mesmo nível. Ou alguém acha que cantar a plenos pulmões “quem é mais sentimental que eu” não é brega? O NXZero, pelo menos, não inventa frases absolutamente sem sentido, como “toda bossa é nova e você não liga se é usada”. Mas Los Hermanos não é coisa de povão, é coisa de sociólogo da PUC, logo, se eu falo que eles são bregas, é porque eu não entendi o conceito artístico. Ah, vá pro diabo que te carregue! Essa elite intelectualóide é quem ainda não entendeu o conceito da vida…não sabe que, entre razões e emoções, a saída é fazer valer a pena.
comentarios
Especial Oscar 2008: Vereditos
O mais cotado para levar o prêmio de Trilha Original é Dario Marianelli e suas máquinas de escrever por Desejo E Reparação (Atonement). Dentre os indicados, é a produção que concorre mais na noite, sete vezes, junto de Conduta de Risco (Michael Clayton), só que Atonement está em indicações artísticas…
Marianelli, foi nomeado em 2005 por [...]
por Henrique de Brito
23 fevereiro, 2008
O mais cotado para levar o prêmio de Trilha Original é Dario Marianelli e suas máquinas de escrever por Desejo E Reparação (Atonement). Dentre os indicados, é a produção que concorre mais na noite, sete vezes, junto de Conduta de Risco (Michael Clayton), só que Atonement está em indicações artísticas…
Marianelli, foi nomeado em 2005 por Orgulho & Preconceito (Pride & Prejudice), muito semelhante a seu atual concorrente (até a mesma parceria com Jean Yves-Thibaudet). Com os parcos holofotes de Trilha-Original voltados para si, Marianelli esbanja favoritismo.
Desde 2006, só a Argentina levou essa estatueta para casa, e só Gustavo Santaolalla, com O Segredo De BrokebackMountain (BrokebackMountain) e Babel: duas trilhas muito semelhantes entre si (e muito boas), mas nada convencionais, predominando um violão ao invés da orquestração erudita mais usual. Em 2008, quem tem essa característica é Alberto Iglesias com O Caçador De Pipas (TheKiteRunner), o underdog em Trilha Original.
Maioria nessa lista, os Michaels, seja Giacchino, ou Clayton, são justamente os menos cotados. E Marco Beltrami pelo menos provou que tem futuro.
Os candidatos
Dario Marianelli por Desejo E Reparação (Atonement) 3,5: Favorito em filme queridinho, segunda indicação e com um trunfo imbatível: as máquinas de escrever. Será que os “tic-tacs” vão render uma estatueta da Academia para o sujeito? Só pra constar: já levou o Globo de Ouro.
Alberto Iglesias por O Caçador De Pipas (TheKiteRunner) 3,5: Outro indicado em 2005, O Jardineiro Fiel (TheConstantGardener), corre por fora com sua trilha (quadradinha e polida) que segue os novos cânones. Diz-se o principal concorrente de Marianelli, mas se levar, será meio que a terceira igual seguida.
Michael Giacchino por Ratatouille4,5: Animação bem aceita, com trilha muito boa, mas sem o drama que o prêmio, por mais que inove, pede.
Marco Beltrami por Os Indomáveis (3:10 To Yuma) 3,0: Faroeste espagueteressucitado de compositor malquisto deve se contentar com a indicação. Tem muitos amantes, mas amantes anônimos.
James Newton Howard por Conduta De Risco (Michael Clayton) 3,5: Com mais indicações nos registros, vai provavelmente só somar mais uma. Inovadora demais…
Conclusão
Marianelli na cabeça, a menos que tudo dê errado. Giacchino foi a melhor surpresa, merecia pela qualidade, mas simplesmente não dá pra superar a máquina de escrever. Se for Iglesias, uma nova tendência se confirma. As outras duas não valem um Oscar. Se for, que seja pra Beltrami.
Devia ter entrado na lista
Não escutei a criação de JonnyGreenwood para Sangue Negro (ThereWillBeBlood), mas muita gente sentiu falta de seu nome nessa lista. Particularmente, gostaria de ter visto Piratas Do Caribe - No Fim Do Mundo (PiratesOfTheCaribbean - AtWorld’s End) com o nome de HansZimmer enfeitando os indicados, mas sou suspeito.
comentarios
Especial Oscar 2008: Prato completo
MICHAEL GIACCHINORatatouille
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||| 4,5
Ensopado variado, saudável, muito bom
Soa como
Uma coletânia bem temperada das melhores trilhas francesas de todos os tempos
Nem parece trilha de desenho
Michael Giacchino presenteia Ratatouille com uma trilha “prato-cheio” e capricha no tempero. O autor, famoso só por trilhas de séries (Lost e Alias) e vídeo-games (Medal Of Honor) é outro que está [...]
Uma coletânia bem temperada das melhores trilhas francesas de todos os tempos
Nem parece trilha de desenho
Michael Giacchino presenteia Ratatouille com uma trilha “prato-cheio” e capricha no tempero. O autor, famoso só por trilhas de séries (Lost e Alias) e vídeo-games (Medal Of Honor) é outro que está na primeira nomeação.
Em Os Incríveis (The Incredibles), Giacchino havia feito um trabalho pouco criativo, que de certa forma se encaixa. Já em Ratatouille, se não é possível falar que ele ousou em criatividade – tudo meio francês, meio alegrinho, rapidinho (como pede um ratinho de desenho) – por outro lado, a combinação ficou muito boa: Giacchino descascou, temperou, fritou, misturou e arrumou em um prato bonitinho para agradar todos paladares.
Predomina uma pegada meio jazz, com corneta, sax e piano de fundo, acompanhando um acordeom tre parisiene. Mas o ouvinte pode se servir à la carte do que quiser, de valsa a salsa. A variação de temas também é enorme, mas com identidade suficiente para não passar do ponto. Ou seja: tudo que uma trilha precisa ter.
A última das indicadas que eu escutei e já é minha preferida…
Special Order: Se segure para não sair dançando, française caliente, melhor faixa.
This Is Me: Cuidado ao tentar acompanhar a flauta, sente em um café… Música pra Tom & Jerry.
A Real Gourmet Kitchen: Afinal é mais uma animação da Disney.
Remy Drives A Liguini: Porque não é só a Amélie Poulin que é alegre na França. Dá vontade de cantar.
comentarios
Especial Oscar 2008: “Não-trilha” arriscada
JAMES NEWTON HOWARD
Conduta De Risco(Michael Clayton)
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||| 3,5
Em 7 “tentativas”, figurão quer sua primeira estatueta
Soa como
Música de relaxamento – totalmente ineficiente.
Uma ode à não-melodia
James Newton Howard é o menos novato da lista de indicados a trilha original em 2008. Ele já concorreu sete vezes, a última delas com A Vila (The Village), em 2004. M. [...]
por Henrique de Brito
21 fevereiro, 2008
JAMES NEWTON HOWARD Conduta De Risco (Michael Clayton)
Em 7 “tentativas”, figurão quer sua primeira estatueta
Soa como
Música de relaxamento – totalmente ineficiente.
Uma ode à não-melodia
James Newton Howard é o menos novato da lista de indicados a trilha original em 2008. Ele já concorreu sete vezes, a última delas com A Vila (The Village), em 2004. M. Night Shyamalan, diretor do longa, foi seu “chefe” ainda em A Dama Na Água (Lady In The Water), Sinais (Signs), Corpo Fechado (Unbreakable) e, o mais famoso deles, O Sexto Sentido (The Sixth Sense). Howard assina ainda a trilha da série ER.
Para Conduta de Risco (Michael Clayton), ele trouxe da bagagem tudo que sabia sobre a ausência de melodia, característica marcante mais do trabalho que do autorNão que essa planificação seja a assinatura de Howard.. Os violinos de A Vila só voltam em 25 Dollars Worth, faixa final e única melódica.
Acredite, marcar a dramaticidade só com texturas e percussão não é fácil. A maioria do que se faz nessa linha tende à música de relaxamento. Howard, por outro lado, te deixa irrequieto na cadeira. E como a sonoridade é subliminar, não dá pra descobrir a causa do desconforto.
Um detalhe engraçado é a semelhança de toda trilha de Michael Clayton com a música do Davy Jones’ LockerOnde vai parar Jack Sparrow depois de ser engolido pelo Kraken., especialmente no início de Just Another Day. Hans Zimmer, autor de Piratas, é comprovadamente um sujeito que retoma seus próprios arranjos e faz dupla dinâmica com Howard nas trilhas dos novos do Batman: Batman Begins e The Dark Knight.
E não dá pra deixar de falar da capa. A imagem desfocada, mesma da divulgação do filme, é incômoda à visão, que procura de todo jeito a cara do George Clooney. Não à toa, o som é semelhante…
Nota
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||| 3,5 Brito: Multifuncional, serve até pra te deixar com a consciência pesada.
Vale a pena ouvir
Main Titles: Uma canção de post-rock, se perdesse sua narratividade sairia na coleção de relaxamento da Caras.
Chinatown: Fundo pastoso mas não incômodo, percussão marcante – como no resto das faixas…
I’m Not The Guy You Kill: Interminável, traz um pouco de cada brinquedinho do autor.
25 Dollars Worth: Pra mostrar que Howard não é tão averso assim à melodia.
comentarios
Especial Oscar 2008: A volta do faroeste
MARCO BELTRAMIOs Indomáveis(3:10 To Yuma)
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||| 3,0
Compositor dito meia-boca desbanca e vai pro Oscar
Soa como
Uma boa trilha de faroeste deve ser.
Uma hora ele chega lá
Marco Beltrami conseguiu a inigualável fama de ser um compositor de trilhas medíocres (Duro De Matar 4.0, Eu, Robô, entre outrasSe essas não trouxeram nenhuma lembrança, Pânico certamente trará.). De repente, em [...]
Compositor dito meia-boca desbanca e vai pro Oscar
Soa como
Uma boa trilha de faroeste deve ser.
Uma hora ele chega lá
Marco Beltrami conseguiu a inigualável fama de ser um compositor de trilhas medíocres (Duro De Matar 4.0, Eu, Robô, entre outrasSe essas não trouxeram nenhuma lembrança, Pânico certamente trará.). De repente, em sua tentativa de imitar Enio Morricone (O Bom, O Mau E O Feio, pra citar um exemplo só) e Elmer Bernstein (Sete Homens E Um Destino), ganha uma indicação ao prêmio da academia. Assim surge a trilha de Os Indomáveis (3:10 To Yuma).
Ele fez por merecer. Beltrami pode ganhar sua primeira estatueta com um trabalho muito agradável. Os temas aludem sem receio à temática “velho-oeste” e a instrumentação casa bem, como já é possível sentir no Main Title: dá pra ver bolas de feno girando com o vento e, do nada, é como se dois foras-da-lei começassem um duelo.
Os tempos são outros, tudo bem, mas faltam os metais estridentes. Bible Study os traz, mas para um gênero estritamente ligado aos agudos infinitos de cornetas, Beltrami economizou demais. Assim, o a música deixa de ser canção de heróis e vira uma trilha dramática e triste.
Até aí tudo bem, mas não tem nada que mude o mundo. Será que só o crescimento pessoal valeu a indicação?
Nota
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||| 3,0 Brito: Acertou na mão: sem presunção o grande trabalho de sua vida até agora.
Vale a pena ouvir
Chinese Democracy: Mistura excelente de canção pop com trilha de faroeste espaguete, sem parar por aí.
Bible Study: As cornetas do fim são um dos melhores momentos da trilha, mas não se apresse durante a faixa.
Who Let The Cows Out?: Não bastasse o título curioso, forma com Bible Study e The 3:10 to Yuma o grand finale.
The 3:10 To Yuma: Não é a suíte temática clichê para sair do cinema, tem seu charme.
comentarios
De “tic”, “tac” e Globo de Ouro
DARIO MARIANELLI e JEAN-YVES THIBAUDETDesejo E Reparação
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||| 3,5
Vale um Globo de Ouro
Soa como
Música séria para filme romântico.
Elegia à máquina de escrever
Sem dúvida, o melhor da trilha de Desejo E Reparação é a máquina de escrever. A marcação de ritmo das músicas em diversos trechos é feita com percussão ao som de teclas digitadas – [...]
por Henrique de Brito
18 janeiro, 2008
DARIO MARIANELLI e JEAN-YVES THIBAUDET Desejo E Reparação
Sem dúvida, o melhor da trilha de Desejo E Reparação é a máquina de escrever. A marcação de ritmo das músicas em diversos trechos é feita com percussão ao som de teclas digitadas – além da mudança de linha – em uma máquina de escrever. O aparelho tem muito a ver com o filme, baseado no livro homônimo do – não se confunda com o nome trava-língua – Ian McEwan, tornando o “tec-tec” uma sacada excelente do compositor Dario Marianelli.
Confesso que não pude parar para escutar muita coisa do italiano. V De Vingança não tinha me atraído muito, apesar de o filme ser excelente. Com Atonement (nome em inglês de Desejo – para completar o sentimentalismo sempre presente nas sempre ruins traduções de títulos brazucas – E Reparação – agora sim “atonement” em si), ele já levou o Globo de Ouro de trilha-sonora.
Impera por toda obra o tom dramático, muito sério, marcado pela execução de Jean-Yves Thibaudet (a mesma dupla “partitura & piano”, mantendo o mesmo estilo, da trilha de Orgulho E Preconceito – também com a belíssima Keira Knightley). A melodia do tema tem de tudo para ser romântica, mas o quê amoroso pára por aí. Ao mesmo tempo, não dá para ficar triste ouvindo, é música para momentos de crise e que por vezes parece uma fuga de música clássica.
Por isso, Marianelli se aproxima muito do minimalismo – gente como Phillip Glass, que assina As Horas – e compõe quase tudo para piano com um pouco de cordas em notas longuíssimas, como não poderia faltar. Um coro rouba a cena em Elegy For Dunkirk.
Para completar vem o ritmo assimétrico da máquina de escrever. Em alguns momentos, o som de uma máquina sendo usada no filme se confunde com a música, em outros momentos, as teclas e maçanetas são os tambores de Marianelli. Vale até puxar o papel. Yann Tiersen já havia usado essa estratégia, em menor grau, em uma das valsas do incrível O Fabuloso Destino De Amélie Poulin cujo “tum-tá-tá” é inteiro marcado por letras dedilhadas.
Fukushiro É uma boa trilha, mas dá a impressão de déjà vu (ou déjà écouté?). Mas a máquina de escrever dá algum charme.
Vale a pena ouvir
Briony: A menina com nome de flor e sua – literal – máquina de escrever abrem alas muito bem.
Elegy For Dunkirk: Coro de soldados, talvez o momento (único?) alegre da trilha.
Cee, You And Tea: Frisa bem o tema principal de Atonement.
Love Letters: Piano e cello para nenhum amor não correspondido por defeito.
comentarios
Serviço de troca-troca público
Problemas para achar MPB na web? Não mais.
Outro dia, discutia com uns amigos a via crucis que é achar música brasileira para download na internet. Download à margem da lei mesmo, via Soulseek, Limewire, torrent e congêneres. Nada dessa conversa enfadonha de comprar MP3 pelo iTunes ou por portais que se dizem especializados (e cujos [...]
por Silvana Salles
12 dezembro, 2008
Problemas para achar MPB na web? Não mais.
Outro dia, discutia com uns amigos a via crucis que é achar música brasileira para download na internet. Download à margem da lei mesmo, via Soulseek, Limewire, torrent e congêneres. Nada dessa conversa enfadonha de comprar MP3 pelo iTunes ou por portais que se dizem especializados (e cujos acervos beiram os limites do patético).
Chegamos à conclusão de que se você quiser um álbum completo de uma banda independente de Manaus ou de um sambista famoso do Rio que não lança novidades desde mil novecentos e noventa e nada, vai gastar horas tentando achá-lo no Soulseek. E mais outras tantas esperando os arquivos terminarem de baixar.
Foi então que eu redescobri a magia do Orkut: há lá comunidades dedicadas ao compartilhamento de links para downloads das discografias de váaaarios artistas, independentes ou não, de diversos estilos. Alguns deles já não funcionam mais, não sei se porque a hospedagem nos rapid shares da vida duram apenas por um (curto) período pré-determinado ou se porque rola uma caçada aos downloads ilegais. De qualquer jeito, sempre tem pelo menos um link que te interessa que funciona.
Eu achei uma dessas comunidades, chamada Discografias, por um fórum do Last.fm. Muitas outras estão à distância de um clique. Recomendo.
comentarios
Xuxa, um elemento importante no cenário musical do Brasil
A rainha dos baixinhos foi injustiçada. Se hoje ouvimos Tati Quebra Barraco, agradeçam a ela
Xuxa é passível de ser alvo de inúmeras teorias: seja por tratos com o diabo, sexualização precoce do pequenos que acompanharam o Xou da Xuxa, da dominação mundial com Marlene Mattos ou o caso com Ivete Sangalo. Mas isto é um [...]
por Luiz Fukushiro
20 novembro, 2008
A rainha dos baixinhos foi injustiçada. Se hoje ouvimos Tati Quebra Barraco, agradeçam a ela
Xuxa é passível de ser alvo de inúmeras teorias: seja por tratos com o diabo, sexualização precoce do pequenos que acompanharam o Xou da Xuxa, da dominação mundial com Marlene Mattos ou o caso com Ivete Sangalo. Mas isto é um site de música, então tenhamos foco. A teoria de hoje trata de um movimento que começou ali, com a Xuxa, nas tardes de domingo.
Quem não se lembra do Planeta Xuxa – nome que já diz que a rainha dos baixinhos não passa de uma extraterrestre, dona de um planeta só seu –, aquele programa que trazia personagens como as já clássicas Paquitas, depois substituídas pelas Garotas do Zodíaco; o grupo You Can Dance, que fazia passos de break ali no meio do cenário; de Adriana Bombom, cuja única função definida era ser a esposa de Dudu Nobre; o quadro Transformação, com muita escova e balayage; o nascimento do já defunto L.S. Jack.
Pois é. Não podemos deixar de dizer que o Planeta Xuxa foi um expoente dentre os programas musicais do fin de siècle passado. E havia jornalismo ali, com Alex Lerner entrevistando astros e estrelas, David Brazil contando das fofocas das celebridades ou a própria Xuxa investigando a Intimidade do panteão brasileiro. Sem contar os shows cheios de emoção-playback de todo mundo que fazia trilha de novela, de Sandy & Júnior a Deborah Blando.
Mas não é ainda nosso foco. Temos que falar do máximo do pioneirismo disso tudo: Xuxa foi que trouxe o funk carioca para o mainstream nacional. Se hoje o Caldeirão do Huck se orgulha em lançar coletâneas do pancadão nacional, foram ali, naqueles domingos de música e dança que os primeiros passos foram dados. Para começar, a música de abertura, Giro Do Planeta, com Abdullah, já possuía muito dos elementos do miami bass, que inclusive é citada no hit Popozuda Rock’N'Roll, do grupo De Falla (a música que canta magistralmente “eu tenho a força cavaleiros de Jedi”). Já em idos de 1999 e 2000, isso já era tocado em bailes de formatura e festas de 15 anos.
A própria rainha, claro, tinha que ter um funk. Era o Rainha Das Popozudas, o do “bate na palma da mão/vai mexendo o popozão”, cantado pelo SD Boys, os que tiveram o Fusquinha roubado. Já o funk das Descontroladas, um pouco mais recente, vinha do nada e tomava o corpo de Xuxa, que levava a sério a poesia da música. E nessa história de popozão pra lá, popozão pra cá, o termo tomou conta do léxico nacional. Que bundão que nada, que pandeirão que nada. Agora a moda era ter um popozão.
Claro que antes disso o funk já era pauta. Tinha o Hino Da Felicidade (“eu só queeero é ser feliz”), o Hino Do Boréu e o clássico infame Melô Da Mulher Feia, que DJ Marlboro, que já estava na ativa, pasteurizou e trocou o “mulher feia chupa p** e dá o c*” para “mulher feia cheira mal como urubu”. E a lista vai longe, com Funk Brasil, uma versão anacrônica de Afrika Bambaata, que inclusive chegou a ir ao Xou Da Xuxa e cantar letras super infantis, como “bicho contra bicho/sou mais cobra contra aranha” ou a Paula, a “pequenininha com a mão tão grande”; o Rap Do Boréu ou o Rap Das Armas – este último ressuscitado pelo filme Tropa De Elite, virou moda nacional.
Mas Xuxa transformou isso em algo maior. Tornou a coisa pop, pronta para a classe média, a um passo da conquista do mundo. E todos participaram disso: Claudinho & Buchecha, grandes freqüentadores do Planeta, e o próprio Marlboro, que chegou a ser DJ residente de Xuxa. Tudo isso em um planeta próprio, cheio de cores ofuscantes e figurinos estrambólicos, como os anos 90 pediam. Mesmo na boca do terceiro milênio.
comentarios
As frases mais curiosas da música brasileira (6)
na hora do rush, eu ando de ferry boat
Zeca Baleiro, Samba Do Approach
@ Vô Imbolá, 1999
tu me apresenta essa mulher, meu irmão, te dava até um doce
Charlie Brown Jr., Zóio De Lula
@ Preço Curto… Prazo Longo, 1999
champanhe, caviar, Mickey Mouse em Moscou
Capital Inicial, Mickey Mouse Em Moscou
@ Todos Os Lados, 1989
a [...]
por Luiz Fukushiro
25 agosto, 2008
na hora do rush, eu ando de ferry boat Zeca Baleiro, Samba Do Approach
@ Vô Imbolá, 1999
tu me apresenta essa mulher, meu irmão, te dava até um doce Charlie Brown Jr., Zóio De Lula
@ Preço Curto… Prazo Longo, 1999
champanhe, caviar, Mickey Mouse em Moscou Capital Inicial, Mickey Mouse Em Moscou
@ Todos Os Lados, 1989
a abelha nasce e morre e a cêra que ela engendra acende a luz quando escorre Nando Reis, A Letra A
@ A Letra A, 2003
sugestão de Natália Keri
sou mais um no Brasil da Central da minhoca de metal O Rappa, Rodo Cotidiano
@ O Silêncio Q Precede O Esporro, 2003
o que é imortal não morre no final Sandy & Júnior, Imortal (Immortality)
@ As Quatro Estações, 1999
quando deus te desenhou, ele tava namorando Armandinho, Desenho De Deus
@ Casinha, 2004
comentarios
As frases mais curiosas da música brasileira (4)
Porque a música brasileira é papo-firme
“eu vou fazer um leilão, quem dá mais pelo meu coração”
César Menotti & Fabiano, Leilão
@ Palavras De Amor, 2005
E segue a lista, agradecendo às sugestões enviadas. Quem quiser participar, mande sua sugestão para fukushiro@escatumbalera.com ou escreva um comentário nos posts das listas.
“e o amassa mamão fica mais divertido”
Leandro & Leonardo, Mexe Mexe
@ Leandro & Leonardo, 1993
“que só usa calcinhas comestíveis e calcinhas bélicas”
Fausto Fawcett & [...]
por Luiz Fukushiro
14 julho, 2008
Porque a música brasileira é feita de aço
E segue a lista, agradecendo às sugestões enviadas. Quem quiser participar, mande sua sugestão para fukushiro@escatumbalera.com ou escreva um comentário nos posts das listas.
“e o amassa mamão fica mais divertido” Leandro & Leonardo, Mexe Mexe @ Leandro & Leonardo, 1993
“que só usa calcinhas comestíveis e calcinhas bélicas” Fausto Fawcett & Os Robôs Efêmeros, Kátia Flávia
@ Fausto Fawcett & Os Robôs Efêmeros, 1987
“sua boca vai ter tanta sede de me tomar” Tânia Mara, Se Quiser
@ Tânia Mara, 2006
“controlo o calendário sem utilizar as mãos” Claudinho & Buchecha, Só Love
@ Só Love, 1998
“tira essa bermuda que eu quero você sério” Kid Abelha, Como Eu Quero
@ Seu Espião, 1984
“mexe a cadeira e vai fazendo a minha mala” Vinny, Heloísa, Mexe A Cadeira
@ Todo Mundo, 1997
“pra você correr macio como zumbe o novo sedã” Pato Fu, Sobre O Tempo
@ Gol De Quem?, 1995
comentarios
As frases mais curiosas da música brasileira (1)
Porque a música brasileira é beleza rara
A partir do primeiro dia do segundo semestre deste ano, vamos unir uma frase curiosa diariamente, extraída de algum clássico de nossa música. Para não postar todo dia, faremos uma lista nova em toda semana. Fica o duplo desafio: lembrar-se de onde saiu essa frase e também ajudar-nos a [...]
por Luiz Fukushiro
7 julho, 2008
Porque a música brasileira é beleza rara
A partir do primeiro dia do segundo semestre deste ano, vamos unir uma frase curiosa diariamente, extraída de algum clássico de nossa música. Para não postar todo dia, faremos uma lista nova em toda semana. Fica o duplo desafio: lembrar-se de onde saiu essa frase e também ajudar-nos a cumprir nossa meta, mandando suas sugestões para o e-mail fukushiro@escatumbalera.com ou simplesmente deixando um comentário nos posts das frases. A meta é chegar a 365 frases.
Segue a primeira lista:
“espantei uma barata e a nega matou” Luís Caldas, O Que É Que Essa Nega Quer? @ Nós, 1991
“as barrancas de terras caídas faz barrento o nosso rio mar” Carrapicho, Tic Tic Tac
@ Festa Do Boi Bumbá, 1996
“e avisa o Chambourcy que tem Danone à vontade” Negritude Júnior, Cohab City @ Gente Da Gente, 1995
“é a canoa e o rio, é a corda e a caçamba” Daniel, Vai Dar Samba @ Vou Levando A Vida, 1999
“você reclama do meu apogeu” Art Popular, Temporal @ Temporal, 1996
“analisando essa cadeia hereditária quero me livrar dessa situação precária” As Meninas, Xibom Bombom @ Xibom Bombom, 1999
“São Jorge por favor me empresta o dragão” Djavan, Se @ Coisa De Acender, 1992
comentarios
A misteriosa morte da misteriosa Izumi
Toda morte mal-explicada é terreno fértil para rumores, ainda mais se for de uma pessoa do show business e se ela for do Japão. No caso, estamos falando de Kamachi Sachiko, mais conhecida como Sakai Izumi, ou simplesmente ZARD. Izumi foi encontrada morta no dia 27 de maio, no Hospital Keio, onde ela fazia tratamento [...]
por Luiz Fukushiro
4 julho, 2008
Toda morte mal-explicada é terreno fértil para rumores, ainda mais se for de uma pessoa do show business e se ela for do Japão. No caso, estamos falando de Kamachi Sachiko, mais conhecida como Sakai Izumi, ou simplesmente ZARD. Izumi foi encontrada morta no dia 27 de maio, no Hospital Keio, onde ela fazia tratamento contra o câncer. Ela teria caído de uma altura de três metros na escada de emergência do hospital. Antes da morte em si, vamos a um pouco de história.
O ZARD era originalmente uma banda de cinco membros, nascida em 1991. O primeiro single da banda, Good-bye My Loneliness, entrou em nono lugar da Oricon, a parada japonesa. Foi com o quinto single, 負けないで (Makenaide), que a banda pela primeira vez ocupou o primeiro lugar das paradas e desde então não parou mais, durante os 15 anos de carreira. Mas, mesmo com o sucesso (ou até talvez por causa dele), os membros da banda foram saindo pouco a pouco, até que, em 1993, só mesmo Izumi estava na banda.
A fórmula de sucesso do ZARD era bem peculiar. Ao invés da hiper-exposição, Izumi sempre optou por manter sua privacidade. Demorou para que os fãs soubessem de qual provínciaEla nasceu em Fukuoka, aos seis dias de fevereiro de 1967. ela vinha, e ela raramente aparecia na TV. Só para se ter uma idéia, o primeiro show foi realizado em 1999, para apenas 600 pessoas – contra as 2 milhões que queriam ingressos. Se era culpa de Izumi, não se sabe, mas a própria gravadora, a B-Gram não liberava muitos dados. Poderia ser um fracasso, mas não foi: essa aura misteriosa instigou os fãs, que abocanhavam tudo o que saía sobre a moça.
Das poucas notícias que eram liberadas, uma foi triste: em junho do ano passado foi descoberto um câncer cervical, o que a levou para a quimioterapia e a radioterapia. Como dizia Makenaide, ela não desistia, e já havia anunciado um álbum novo, fora o álbum que é quase um prenúncio: lançado em outubro de 2006, Golden Best ~15th Anniversary~ trazia dois CDs com os maiores hits da banda. Como nem precisava dizer, estreiou em primeiro lugar na parada.
Mas em abril deste ano, mais uma má notícia: o câncer havia se espalhado para os pulmões. Izumi caminhava diariamente pelo hospital. Em um desses seus passeios não voltou: havia caído na área das escadas de emergência.
De volta aos rumores, muitos disseram que foi suicídio. Provas a favor - retiradas de depoimentos em off de pessoas do hospital, de agências e da polícia - seriam:
O que cargas d’água ela fazia na escada de emergência? E como alguém simplesmente cai da grade e despenca de três metros?
Izumi estava gorda, havia aumentado manequins. Vale lembrar que ela foi, de certa forma, um símbolo de beleza feminina. Ela chegou a ser modelo antes de ser cantora. Isso teria sido um tapa na auto-estima.
O hospital teria sido muito dramático em relação à sua doença, a ponto de ela não ter visto mais volta, ainda mais com a complicação.
Mas, há contrapontos.
A investigação da polícia concluiu tudo como acidente (embora alguém teria dito que foi só para abafar o caso).
Ela não deixou sinais de suicídio, comuns no Japão. Não havia nota de suicídio, ela não arrumou as coisas dela nem tirou os sapatos).
A situação dela parecia estar melhorando, segundo o hospital.
Enfim, com rumores, sem rumores, fato é que o álbum voltou a vender, até mais que no começo. Com a morte de Izumi, novas levas foram impressas e o álbum voltou ao primeiro lugar da parada. De toda forma, o álbum é uma bela maneira de acompanhar a evolução da cantora, desde seus momentos de frontwoman até a cantora-uma-vez-conhecida-por-ZARD.