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Só um show de hardcore

O Poison The Well chegou sem chamar muita atenção, mas fez de um público restrito uma platéia euforicamente feliz

por Silvana Salles
24 agosto, 2008

Tentei durante uma semana (a outra foi vagabundagem mesmo) montar uma resenha coerente do show do Poison The Well. Até que concluí: não é possível escrever sobre essa banda ao vivo de forma racional porque o show dos caras, assim como a música, não é feito para apelar à racionalidade, o consciente, o superego ou qualquer nome que os fãs de Freud queiram dar ao lado pensante das pessoas.

Botchla, Rings From Corona, Parks And What You Meant To Me, Lost In Silence ou qualquer outra música que eles tocaram no Hangar 110 naquele domingo, cada uma delas é sentimento destilado em barulho e dissonância. E se você não estiver disposto a se jogar nas suas próprias - vai soar meio emo - emoções, talvez você prefira dedicar seu tempo e dinheiro a algo mais cerebral. Sugiro algo na linha de Cat Power.

É, Poison The Well é para poucos. Quem esteve lá pode constatar a verdade da frase, uma vez que o Hangar estava longe de lotar absurdamente. O que esteve igualmente distante de ser um problema.

“Esse show é a realização da minha vida”, disse-me um straight edge gente boa entre o Dilúvio descer e o Jeffrey Dahmer subir no palco. Duas bandas, uma de Minas Gerais e outra aqui de São Paulo, que não deixaram nada a desejar, aliás.

Por sinal, o Dilúvio foi uma boa surpresa: quase ninguém conhecia os caras e eles mandaram muito bem. E o Jeffrey Dahmer, banda de puro barulho como todo mundo ali curtia, é composta por cinco caras se você visse na rua, jamais pensaria que são uma banda de metalcore. Os dois vocalistas cantam em português e, meu, eles comem cocô, certeza. Notem que isso é um elogio. De fato, mereceram a responsabilidade de abrir para os gringos.

Enfim, um par de horas e algumas cervejas depois, a cortina vermelha do Hangar abriu para o Poison The Well. Metade das pessoas lá na frente fotografava a banda compulsivamente enquanto cantava todas as músicas de cor, fossem elas dos idos dos anos 90 ou do Versions, último álbum da banda, de 2007. E mesmo essas do Versions, que tem uma pegada muito mais pop que as antigas, de pop não tiveram nada no palco. Os melhores momentos, claro, foram as clássicas (entre os fãs) Slice Paper Wrists, Artist’s Rendering Of Me e Nerdy - essa, já no previbilíssimo bis.

Mas não dá para dizer que o recado não foi dado. Os cinco malucos da Flórida mostraram ao vivo o que realmente são: uma banda de hardcore. Liberando o mosh da galera e sem pagar de celebridade.

 
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Festa celta híbrida

Não foi bem um show, foi uma grande algazarra. E isso é um elogio

por Luiz Fukushiro
10 junho, 2008

Como quem não quer nada, fomos à Funhouse pelo simples belprazer de ir lá. Na porta, a pergunta: “O que tem hoje?”. Terra Celta. Uma banda de Londrina. Será música celta? Hm. Desconfiança.

Totalmente à toa: a banda tinha sim seu pezinho no celta – acho que isso explica um sanfoneiro e um violonista vestindo kilts e um outro integrante com um chapéu de leprechaun. Mas o Terra Celta foi além e misturou um monte de coisa no meio que você nem sabe mais o que é e de onde veio. O som é, usando todos os clichês possíveis, uma mistura de Coors, Velhas Virgens, uma banda tradicional de Joinville e uma dupla sertaneja.

Mas sem enrolação, vale comentar esse show por itens:

  • Bem no comecinho, eles foram de Dropkick Murphys, com I’m Shipping Up To Boston. Mais apropriado impossível.

  • De tanto em tanto eles emplacavam algumas músicas instrumentais, de nomes incompreensíveis. E não desanimava a platéia. A coisa virava um misto de Oktoberfest com baile do porão do Titanic. Ou festa junina. Ou show sertanejo (sanfona tá aí pra isso).

  • Meu, Whiskey In The Jar. Genial. E In Heaven There Is No Beer, auto-explicativa.

  • Em algum outro momento, o frontman (o violinista de kilt, óculos de sol e gorro) fez um desafio: quem soubesse qual música eles estivessem tocando ganhava um CD da banda. Era Smooth Criminal do Michael Jackson. Fora que teve uma parte que ele tocou Charlie Brown Jr. Mistureba total. Ah, e teve a música do Super Mario Bros.

  • A única pessoa de quem sabemos o nome na banda é o Edgar. Que contou piada duas vezes (e ninguém entendeu). Mas todo mundo riu do mesmo jeito.

  • O melhor estava para o fim. Do nada, mas do nada mesmo, surge o frontman com uma gaita-de-foles. Surgem dois questionamentos. Primeiro, ele tem uma gaita-de-foles. Segundo, ele sabe tocar uma gaita-de-foles. Fez questão de desfilar no meio da galera tocando o tema de Star Wars.

    Resumindo: a banda quer divertir e se divertir. Isso é bom, sem pretensões. Claro, não pode fazer som ruim. E isso eles resolveram bem, eles sabiam o que estavam fazendo. Aquela bagunça meio St. Patrick’s Day, meio Piratas Do Caribe agradou, levou a moshs, dancinhas coletivas, trenzinho, quadrilha – uma beleza. E o cara tem carisma, fez piada, entusiasmou. Nem deu para ver o tempo passar. Valeu a ida acidental.

 
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Um funk nada carioca

Com direito à participação de Deize Tigrona, a japonesa foi até o chão

por Luiz Fukushiro
5 maio, 2008

Um público pequeno de alguns vestidos a la Harajuku em um domingo frio bem apropriado para sobreposições na indumentária enquanto boa parte estava mesmo curiosa com o anunciado: “funkeira japonesa”. TigarahEla tem uma história interessante: se formou em ciências políticas pela Universidade de Keio, tradicional academia do Japão (onde se formou também o ex-primeiro-ministro japonês, Junichiro Koizumi), cumpriu a profissão, inclusive como embaixadora, e resolveu que ia fazer música, porque assim sua mensagem engajada seria ouvida por mais gente. O funk foi o meio.. Entra o DJ, um nikkei com cara de sono, seria ele japonês mesmo ou um brasileiro? Entra Tigarah, toda feliz, em sua terceira noite em São Paulo. Começou cantando, mas o DJ errou e tudo parou. Ela se desculpou e entrou de novo.

Agora era pra valer. Começou com Japanese Queen, dançava, posava para as fotos. Ainda fria para alguém que se inspira no funk carioca. A coisa começou a esquentar em Girl Fight, quando o pessoal cantou o refrão junto – mesmo sem saber o que significa. Suas frases em inglês comandam o público, como “hands in the air” ou qualquer coisa que inclua a palavra “dance”.

O DJ se confunde e rola mais uma vez Girl Fight. Tudo bem, o refrão já tinha sido ensaiado. Ela promete então uma surpresa para o fim do show, que se aproxima do fim. Eis que ela diz: “Esta é minha música favorita”. O DJ entra e… não era aquela. Ela vai até ele e entoa um grande “buuu”, que a galera corrobora. Ela desencana e canta essa mesmo, Super Girl.

Ela anuncia então a surpresa: Deize TigronaA funkeira estava em São Paulo durante o feriado. Fez uma apresentação no Milo Garage na quinta-feira.. Enquanto ela canta Color, Culture, Money, Beauty, uma música que protesta contra as aparências, Deize não faz ativismo e passa longe do feminismo. A galera vai ao delírio. Tigarah ensaia uns rebolados, a clássica mãozinha no joelho e atende aos pedidos de “chão chão chão”.

“DJ, vamo furar?” Deize faz o convite e entra InjeçãoA música ficou ainda mais famosa depois que M.I.A. utilizou um sampler de Injeção em seu maior hit, Bucky Done Gune.. E acapella veio o ponto alto da noite: a Dança Do Créu. Tigarah queria chegar à velocidade cinco.

Um bis, mil agradecimentos, um pedido para um visto para morar no Brasil. A clássica simpatia das cantoras japas. Mas para uma funkeira, sobrou verbo e faltou rebolado. Nada que um estágio no Rio não resolva.

 
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Mistura esquisita

Sim, a Nova Zelândia tem banda de rock

por Daniel Andreazzi
21 abril, 2008

Eu gostaria de ter tido uma primeira experiência melhor com o Inferno. Primeiro, tive que assistir aos shows sozinho. Depois, a banda de abertura para o The Datusns, que eu nem soube o nome, não foi muito simpática. Inclua aí um vocalista de calça de couro e camiseta de zebra colados abaixando a calça até o joelho no palco.

Já na vez do Datsuns, as coisas melhoraram. A banda é tímida e competente. Mandou o som sem falar muito, mas com empolgação. Foi um show rápido, coisa de uma hora no máximo. A maior parte das músicas, claro, foram do álbum mais recente, Smoke & Mirrors, de 2006.

O problema do Datsuns é a mistura de dois gêneros que, para mim não combinam tanto. Isso porque gosto mais de um do que de outro. Mais de garage punk que de hard rock. E infelizmente eu me senti por mais tempo nos anos 1970 do que em 2008 naquele show.

Os pontos mais altos do show foram com a primeira música, Why Are You Stamping Your Foot For e quase lá para o sim, quando tocaram Maximum Heartbreak. Isso, apesar de a influência hard rock ser forte nessas faixas. Aliás, a tônica da banda é essa, meio que tocar hard rock na velocidade de punk. Talvez ainda faltem alguns ajustes.

 
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Treinando para as multidões

Fãs fiéis cantam (quase) tudo

por Daniel Andreazzi
21 março, 2008

Banda de rock independente também tem tiete. E não entenda como independentes nomes como NX Zero ou Fresno (que, aliás, eu “perdi” num show duplo domingo, ufa). Esses Definitivamente estão no mainstream. Nem Los Hermanos, que surgiram no underground, chegaram ao estrelato, voltaram a se esconder e, até que sem querer, voltaram a ter um hit para fãs efêmeros.

Já o Ludov, cujos maiores sucessos são Dois A Rodar e Princesa – que nem de longe foram uma Anna Julia – tem sim fãs assíduos, que cantam todas as músicas e lotam os shows. Foi assim no Centro Cultural São Paulo.

Aliás, a banda não tocou seus maiores hits, atitude bem Los Hermanos, apesar dos relatos de que geralmente são tocadas. No palco, a atitude do Ludov é bem menos britânica que em estúdio. Os músicos vivem trocando de lugar, Vanessa Krongold dança de um jeito meio esquisito o tempo todo e faz o roadie se desdobrar em desenrolar o fio do microfone do pedestal. Além disso, o corneteiro Fukushiro tem razão quando diz que ao vivo a voz de Vanessa perde a doçura.

O bis foi um dos pontos mais altos do show, quando Vanessa disse que “eles voltaram órfãos e queriam pedidos”. Foi aí que tocaram Estrelas, música das mais pedidas, junto com Rubi (que estava no set-list inicial). Já Elastano foi um pedido ignorado. Ponto baixo, pelo menos para parte da platéia, é a hora em que tocam Delírio, quando o guitarrista Mauro Motoki incorpora Guilherme Arantes. Ele senta no teclado e só falta começar a cantar “Terra, planta água!”.

A última, para dar uma noção de quanto a tietagem é forte: na breve ausência do palco antes do bis, a banda foi, literalmente, saqueada. Os fãs pegaram os set-lists espalhados no chão, palhetas e até uma garrafa de água. Até a banda achou estranho e reclamou, não tinham nem como tocar, pediram palhetas emprestadas da platéia. Eu não quis ficar pra ver como foram os camarins.

 
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Mini show

Só alguns gatos-pingados viram o trio gaúcho

por Daniel Andreazzi
17 março, 2008

Quinta-feira, no Milo Garage, os gaúchos do Walverdes deram uma mostra do barulho que fazem. Tanto que mal dava para escutar o vocalista Gustavo Mini (nome apropriado, aliás). E talvez a noite chuvosa impediu que o show estivesse tão lotado quanto o de Mallu Magalhães. A garota-prodígio, aliás, foi tema de uma piadinha. Mini disse que ia fazer um cover dela. “Promessa” não cumprida.

Como um todo, o show pareceu de improviso. Alguém na platéia pediu uma música que eles já haviam tocado. As quatro primeiras músicas foram do primeiro EP, como contou Mini: “Estamos relançando nosso primeiro EP, que tem sete músicas. Essas quatro são dele, mas tem mais três que nós não ensaiamos e não sabemos mais tocar”. Em breve o Walverdes deve lançar novo álbum. Prometeram tocar o novo na íntegra no dia seguinte no Clube Praga, casa em que o baterista Marcos Rubenich é DJ residente aos sábados. Nenhum corneteiro conferiu.

 
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De volta, sem a faca

Na primeira apresentação depois do fim do Ira!, cantor mostra que é um grande crooner

por Luiz Fukushiro

Nasi chega chegandoEste foi o primeiro show de Nasi após sua conturbada saída do Ira!. Ele teria brigado com o irmão Airton Valadão Rodolfo Junior, que era empresário da banda.. Pede aplausos e emplaca logo de cara Bebendo Vinho. Show do Ira!? Não. Embora seja o que faça a “galera” – como ele mesmo denomina – se mexer, Nasi parece mesmo querer focar em suas incursões solo, dando explicaçõesEle especifica em qual álbum está cada uma dessas músicas. antes de cada música. Resultou em um show sem pontos altos, nem mesmo quando se trata de hits como Tarde Vazia, que ele, aliviado, diz que esperou 26 anos para cantar aquele versoOs últimos versos de Tarde Vazia, que repetem o refrão num tom mais alto, eram cantados por Edgard Scandurra, o guitarrista do Ira!. No Acústico MTV, quem canta é Samuel Rosa, do Skank, em uma participação especial..

Vestindo a mesma roupa com que faz algumas cenas do filme Sem FioSem Fio é um filme dirigido por Tiaraju Aronovich, ainda sem previsão de estréia. Além do show do Nasi, a noite era também um coquetel em que cenas do filme eram mostradas., Nasi mostra bem seus 46 anos, o que não é exatamente uma crítica: ele sabe se portar no palco, daquele jeito poser que beira um certo convencimento em excesso. Já a banda não oferece grandes surpresas – não fosse o fato de Gaspa continuar no baixo –, mas cumpre bem o seu papel. Solos de guitarra e bateria, mas nada revolucionário.

Nasi empresta sua voz roucaDeve ser o cigarro. Ele até acendeu um no meio da apresentação, embora haja também a possibilidade de ser uma pose, já que ele aparece fumando em diversas fotos de divulgação. a uma música de Erasmo Carlos, É Preciso Dar Um Jeito Meu Amigo; Laços, do ToranjaToranja é uma banda portuguesa de pop rock. e no final I Wanna Be Your Dog (no vídeo abaixo). E não passa disso.

Não dá para dizer que ele vá se tornar um Rod StewartO cantor inglês fez história no rock, participando do grupo Faces e tendo grande influência no cenário rock dos anos 60. Atualmente é conhecido por sua voz rouca que empresta a canções, em um estilo crooner de ser. ou algo similar. O que importa é que diverte, nem que seja com os clássicos da banda que ele deixou para trás.

 
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Prova de resistência

Um tratado sobre como assistir um telão por 200 reais

por Luiz Fukushiro
29 outubro, 2008

É a Björk mesmo?

O TIM Festival é o maior festival maistream brasileiro. Isso, sem dúvidas. Mas o termo “melhor” pode ser que não se encaixe muito bem. Filas, atrasos e um line-up confuso – e com jeito de aleatório – transformaram a experiência em uma prova de resistência. Alguns momentos memoráveis, outros dispensáveis, a noite principal do festival foi sempre em algum momento um fiasco para alguém. Afinal, quem é fã de Björk, uma artista visual, inovadora e de certa forma espontânea, pode não dialogar muito com Juliette & The Licks, uma banda que imita os dinossauros do hard rock dos anos 70. Acompanhamos os shows desde às oito da noite até o fim, beirando as cinco da matina.

Aperta o play e vai

Hot Chip 2.5

Bom, perdemos o Spank Rock, foi mal. Começa Hot Chip, banda de electro-pop inglês, mas o público parece não notar. A energia vai crescendo aos poucos, culminando no hit Over And Over, que fecha o show. A banda em si é bastante enérgica, mas soa um pouco artifical pelo excesso de passagens programadas no computador. Sem estímulo visual algum, a banda não empolgou, talvez pelo desconhecimento do público, mais provável pela falta de sintonia com o estilo de quem assistia.

Cores, clássicos e metais

Björk 4

Depois de uma seleção de música okinawana que ninguém sabe porque estava tocando no intervalo, entra um grupo de metais, meio que marchando. Começa a batida. Entra uma figura vestida em um manto e um turbante esquizóide na cabeça. É ela, Björk, que chega cantando Earth Intruders. O som, alto, junto da voz da islandesa, que não parecisa sustentar uma multidão de 20 mil pessoas, ecoam por todo Anhembi (rolou um burburinho sobre playback, mas tudo bem, visualmente compensava). Começa a muvuca e o show se torna o telão. Na entrada da área VIP, começa uma pequena discussão sobre ose seguranças que não deixavam a imprensa entrar durante o show de Björk. Enquanto isso, no palco, o som das batidas vinham de máquinas controladas por touch screens gigantes e peças, tornando a chatice da apresentação eletrônica numa fissura geek. Os metais participavam em diversas músicas, quando a voz dos instrumentistas não atuavam como backing vocal. Ela retira o manto e surge Björk num vestido arco-íris, para cantar (e dançar, naquele jeitinho desengonçado) clássicos como Hunter, All Is Full Of Love e Jóga eram permeados por canções do novo álbum, Volta, e do hermético Medúlla, com direito a música em islandês ao som de um cravo. Quando o show somente pensava em decair, começa Hyperballad, quando as batidas tomam conta e o festival vira uma grande pista de dança. Apoteótico. Björk, claro, volta para um bis: Declare Independence, que dá continuidade ao tom da canção anterior. Tudo se acaba numa chuva de papel picado.

Intervalo. O atraso já existe e as filas multiplicam. No próprio TIM Festival, vários celulares somem. Dentre o grupo de seis pessoas, dois aparelhos perdidos, e reclamações apareciam aleatoriamente.

Uma boa atriz

Juliette & The Licks 2.5

O atraso já chega a uma hora quando entra, toda em vermelho – e com sua inseparável faixa + pena – Juliette Lewis. Sem maldades: para uma roqueira ela é uma ótima atriz. Em tempo: ela simula todos os clichês e manias do hard rock dos anos 70. Não só ela: a banda junto. Faltou empolgação. Mas um público fiel estava lá: com penacho na cabeça. Sim, literalmente.

Acorda, gente

Arctic Monkeys 2

Será que funciona ao vivo? Bom, não. Os Arctic Monkeys tiveram certo azar, de pegar um público já saturado. Afinal, eles entraram depois do horário em que, em teoria, os Killers deveriam estar no palco. mas custava fazer um show mais animado? A boca mole de Alex Turner deixou de ser estilinho quando o som não chegava de maneira satisfatória a todo ambiente. Pasteurizou de uma forma que não se entendia qual era a música. Nem foi simpático também. O perdão vem do fato de que ele poderia estar com sono, assim como boa parte do público que, com alguns bares já fechados, preferiram deitar no asfalto e dormir.

Ânimo ao alvorecer

Killers 3

Piada pronta: foi de matar. Certamente era o show mais esperado da noite, tendo em vista as pessoas que pulavam com a mãozinha para cima mesmo após três horas acumuladas de atraso. Mas o som foi de acordar os de sono mais profundo. Foi um susto. O som chegou a todos os pontos do local. O “erro” foi mandar logo de cara os dois maiores hits Somebody Told Me e Mr. Brightside logo no começo, porque o pessoal começou a debandar. Brandon Flowers pode ainda não ser um grande lead do mundo do rock, mas se treinar, chega longe. Se movimentou, pediu ânimo para a galera, pulou, subiu, desceu. Umas luzes diferentes deram um ponto a mais para a banda, que, por alguns minutos, pensou no visual do show (quase mais ninguém pensou nisso). Quando acabou, debandada geral. Não pediram nem o bis. Isso eram cinco da manhã. Coitado de quem trabalha na segunda. Talvez nove entre dez pessoas que estavam ali.

 
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Muita gente no palco, muita gente na platéia

MÓVEIS COLONIAIS DE ACAJU
@ Inferno, SP

Público fez a liçao de casa e cantou tudo direitinho

Era uma fila imensaPor conta disso, perdemos a banda de abertura, Beco Dos Anjos. Mals ae., que dava um quarteirão. Embora muitas vezes nesses lugares mal se olha qual banda vai tocar, dava para ver que ali o pessoal queria mesmo [...]

por Luiz Fukushiro
7 outubro, 2008


MÓVEIS COLONIAIS DE ACAJU

@ Inferno, SP


Público fez a liçao de casa e cantou tudo direitinho

Era uma fila imensaPor conta disso, perdemos a banda de abertura, Beco Dos Anjos. Mals ae., que dava um quarteirão. Embora muitas vezes nesses lugares mal se olha qual banda vai tocar, dava para ver que ali o pessoal queria mesmo ver os Móveis Coloniais De Acaju – mesmo que já tenham feito mais de 15 apresentações em São Paulo, desde 2001. Lá pelas três horas conseguimos entrar. Não estava lotado a ponto de estar insuportável, mas estava cheioAndré Gonzales, sobre o porquê da casa cheia: “Eu não vejo de outra forma que não seja o nosso trabalho. Estamos conquistando o público, tudo com o resultado do nosso trabalho. Nós participamos agora do programa da Globo (Som Brasil), mas também não foi nada arranjado, foi mais uma resposta ao que estamos fazendo. Aconteceu que o filho do produtor gostava do nosso som, aí o cara ouviu as nossas músicas e convidou a gente pra participar do programa. para os padrões da casa, até onde minha experiência pode ajudar.

Não demorou muito, começou o show. “Muito prazer, eu sou você amanhã”. Esquilo Não Samba abre a noite com um coro da platéia. “Não esperavamos tanta gente. A resposta do público foi muito boa, muito legal. Foi algo fora do normal”, segundo o vocalista André Gonzales, que bateu um papo com a gente no final da apresentação. Tanta gente, por tanta gente, a banda em si lotou o palco, com seus (acho que) nove integrantes, que não puderam ficar correndo para lá e para cá como de costume – no máximo uns pulinhos.

O show seguiu animado do começo ao fim, pelo menos para o público, que cantava e pulava ao som da levada mais ska da banda de BrasíliaDas diferenças entre tocar em Brasília ou em São Paulo: “É muito bom tocar aqui, é diferente. Em Brasília, a gente está lá tocando há um tempo, é a nossa casa. Mesmo assim aqui a resposta do público é a mesma, rola uma troca muito boa.” . Começou então um coro “Toca Raul“, lugar-comum dos shows deste país. E o pedido foi acatado: Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás, composta por Seixas e por nosso querido escritor Paulo Coelho. André Gonzales, o vocalista, bem, se perdeu na letra – me parece que a banda se perdeu também.

Entre outros covers, rolou Sub-Raça, originalmente do Câmbio Negro, e, depois de Aluga-se-vende, Glory Box, do Portishead.

Foi mais ou menos aí que o show deu uma caída, mas acho que foi mais o cansaço da galera e por tocar músicas que não se poderia ter decorado a letra. Nova música foi tocada, para o povo já arrumar inspiração para as próximas apresentações. E o show prosseguia.

No primeiro sinal de que o show ia se findar, a galera foi à loucura: pediam músicas e mais músicas. Começou com Copacabana, a do refrão sem sentidoO que é “ser Copacabana”? André explica: “Na verdade não é nada. É que o Leo é de lá, visita sempre o Rio, o avô dele mora lá, e ele gosta muito do lugar. Foi uma homenagem.” Então tá. que todo mundo berrava; teve Menina Moça e algumas outras que não deu para identificar porque aquilo estava um auê. Puxaram um trenzinho no meio da multidão enquanto o saxofonista havia descido do palco. Só assim o show acabou, lá pelas cinco. E para mostrar que o pessoal só queria mesmo ver os Móveis, nova fila, agora para pagar e dar o fora.

Mas a gente foi falar com banda, que no dia seguinte iria gravar no estúdio da Trama. Além do que já está supracitado, falamos de outras coisas:

Algum tempo atrás, saiu uma matéria na Veja que falava de vocês. O que você achou daquela matéria?

Na verdade, eu fiquei meio abismado. Achei uma reportagem sem noção. Mas no fim, o resultado foi bom, e eu também não levo a Veja muito a sério. A matéria acabou gerando uma repercussão grande, e o que ruim foi que ela não estava atacando a banda propriamente, ela acabou foi com o público. Mas tudo aquilo no fim repercutiu de uma forma boa. É normal que nem todo mundo goste do que a gente faz.

E quais os próximos projetos da banda?

Vamos lançar um álbum pela Tramavirtual, do Estúdio Ao Vivo deles. Vai ser o esquema de download remunerado que eles têm. Fora isso, a gente chegou a cogitar em vez de lançar álbuns completos, investir nos singles, que é um formato que ainda não muita força aqui no Brasil.

PS.: Muito obrigado, Talita Rodrigues. Esquecemos de levar a câmera e ela nos cedeu imagens.

 
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Aquecendo os tamborins

ORQUESTRA IMPERIAL
23AGO2007 @ Citibank Hall, SP

Big band se apresenta para um público que estava lá só pelo hype

A Orquestra Imperial se apresentou na última quinta-feira, no Citibank Hall, em São Paulo, divulgando seu primeiro álbum, Carnaval Só No Ano Que Vem. Foram mais de quatro anos entre o surgimento, a primeira oportunidade perdida de assistir [...]

por Daniel Andreazzi
29 agosto, 2008



ORQUESTRA IMPERIAL

23AGO2007 @ Citibank Hall, SP

Big band se apresenta para um público que estava lá só pelo hype

A Orquestra Imperial se apresentou na última quinta-feira, no Citibank Hall, em São Paulo, divulgando seu primeiro álbum, Carnaval Só No Ano Que Vem. Foram mais de quatro anos entre o surgimento, a primeira oportunidade perdida de assistir ao show e a apresentação da semana passada.

O público da Orquestra era um verdadeiro borrão de pessoas alternativas: indies, a galera do hardcore e os freqüentadores do samba-rock no Teatro Mars. E também viúvas de Los Hermanos. Na verdade nem esse tipo de generalização é possível, devido à presença de patricinhas bem arrumadas que iriam ao show com mesas de Seu Jorge e Ana Carolina. Mas Seu Jorge não faz mais parte do grupo.

Essa gente toda parecia não saber direito o que esperava por elas. Buscando a história da origem da Orquestra, saberiam que ela surgiu com a reunião de pessoas de várias outras bandas, convidadas pelo baixista Kassin, para tocar no finado Ballroom, uma pequena casa de Humaitá, no Rio de Janeiro. Tradicionalmente uma casa de danças de salão, forró, samba e a gafieira introduzida pela própria Orquestra.

Mas eram raros os casais dançando. Em cima do palco as pessoas pareciam estar se divertindo mais que as pessoas da platéia. Exceto por alguns momentos, no caso de músicas mais conhecidas, como Ereção, Yarusha Djaruba e Ela Rebola. Aqui e ali músicas incidentais, como Paranoid do Black Sabbath, também animavm.

Convidado especial no recém-lançado álbum, Jorge Mautner também fez uma aparição no show. Outro ponto alto, com a platéia gostando da idéia, afinal Maracatu Atômico foi uma das poucas músicas realmente conhecidas da apresentação. Mautner voltou na hora do bis, para cantar Encantador de Serpentes e Eu Não Peço Desculpas.

Rodrigo Amarante é o mesmo de sempre, cheio de caras e bocas para cantar ou para tocar. Moreno Veloso, atualmente, é bem mais coerente que o pai na hora de compor e cantar. Max Sette foi (pelo menos para mim) uma grata surpresa, antes desconhecida.

A ala feminina é um show à parte. Thalma de Freitas é totalmente despojada, pula de um lado para o outro. Nina Becker parece uma menina tímida. Para elogiar Felipe Pinaud, compositor dos metais no álbum, falou “ele é bom pra caralho”, depois como uma criança que não deveria falar palavrões, envergonhada, pede desculpas e diz “eu tava elogiando ele, se é que vocês me entendem”.

O restante da parte +2 (além de Moreno) da Orquestra ficou discreta a maior parte do tempo. Kassin não largou seu baixo uma vez sequer, no fundo do palco. Domenico Lancellotti também, atrás da bateria. Só saiu de lá no bis.

Isso no momento em que, para surpresa inclusive da banda, mais um convidado apareceu: Andreas Kisser. Frases como “vocês tão entendendo o que está acontecendo?” e “fodeu, o que vamos tocar agora?” foram ditas mais de uma vez. Foi a hora de Domenico brincar de Rocky Balboa, com toalha no pescoço e tudo, cantando Gonna Fly Now em falsete. Kisser saiu do palco rindo, como se tivesse contado uma piada.

Eu Bebo Sim encerrou o show, com Amarante nos vocais sendo carregado pela banda, como se estivessem brincando no meio de um ensaio e, finalmente, todo mundo cantando. Mas ninguém dançando a dois.

 
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Barracuda

MIHO HATORI
19mai2007 @ Resfest | Cinemateca, SP

Uma pequena lenda alternativa agrada com eletrônico, japonês e forró.

É com muita honra que inauguro a nossa singela coluna de música japonesa falando da rápida e discreta passagem de Miho Hatori na versão paulistana da Resfest. A pequena nipônica de vasto currículoMiho foi metade do [...]

por Luiz Fukushiro
29 maio, 2008


MIHO HATORI


19mai2007 @ Resfest | Cinemateca, SP


Uma pequena lenda alternativa agrada com eletrônico, japonês e forró.

É com muita honra que inauguro a nossa singela coluna de música japonesa falando da rápida e discreta passagem de Miho Hatori na versão paulistana da Resfest. A pequena nipônica de vasto currículoMiho foi metade do Cibo Matto, dupla eletrônica dos anos 90, trabalhou com os Beastie Boys, Gorillaz, entre outros. Nasceu em Tokyo, mora em New York e segue carreira solo. deu um show em todas as acepções da palavra. Tudo começou quando chegamos na passagem de som da banda. Miho é daquelas artistas concentradas, que querem tudo em seu devido lugar. Ela subia e descia do palco para checar se o som estava equilibrado. Pedia para aumentar, pedia para abaixar (”poquinho down”, treinando o português que deveria estar mesmo enferrujadoA última vez em que Miho esteve no Brasil foi há oito anos atrás, ainda pelo Cibo Matto.). Tudo pronto, ela bateu um papo com a gente. Sua voz é miúda, tipicamente japonesa. Mesmo se eu arriscasse algumas palavras da entrevista em japonês, ela só respondia em um inglês marcado pelo sotaque“Eu gosto de ambas as línguas, tanto inglês como em japonês. As músicas em português são parecidas com as japonesas, tem a, e, i, o u. O inglês já é mais difícil. Mas a energia é a mesma.”. Expectativas: “Espero que possamos passar um bom tempo juntos. Espero que todos gostem das músicas.” Bom, os resultados da entrevista a gente solta aqui no meio.

Antes da apresentação de Miho, subia ao palco novamenteA banda já havia se apresentado no dia anterior. o My Brightest Diamond. A voz de Shara Worden é o timbre de uma Kate Bush numa abordagem PJ Harvey, um pouco mais fofa. Parecia que havia algo de errado com o baixista, que pulava loucamente, mesmo nas músicas mais lentas (acho que ele era namorado dela, pelo que vi lá no bar). O ápice se deu por conta do cover de Tainted Love. Mas ficou nisso mesmo.

Eis que chega Miho, acompanhada da tecladista Shoko Nagai e do baixista Shanir Blumenkranz. Disse ela que iria cantar uma música chamada “Bér-ra-koolda” (assim mesmo, com sotaque em inglês. Mas como estava no Brasil, a música era Barracuda (com a pronúncia como a nossa, nada muito difícil, pois se assemelha ao japonês). Miho programa a batida (algo meio brasileiro) em seu notebook para assim entoar a guitarra. Um show bem cru – guitarra, baixo, teclado e batidas eletrônicas.

Miho aos poucos foi vencendo pela simpatia. Em A Song For Kids, fez questão de dizer que era uma “Canto por… creanças”. Ela explicava o que queria dizer em cada uma das suas composições. Nessa música tem até um arranjo de música okinawana“Adoro as músicas folclóricas de Okinawa, elas são bem diferentes de músicas de qualquer outra parte do Japão, são mais rápidas.”. Arriscava um passinho de samba quando suas batidas tinham algo de brasileiroSe Miho tem influências brasileiras? “Sim, definitivamente! Eu conheci grandes músicas daqui. A energia da tropicália, por exemplo, é ótima. O jeito de pensar da bossa nova, o samba é muito inspirador.” Também é fã do filme Brazil.. Enquanto isso, Blumenkranz entoava um baixo, daqueles grandões“É difícil tocar um desses?”, perguntei. “No começo foi. Agora não é mais”, respondeu Blumenkranz, de uma forma apaixonada (é, parecia que ele ia dar um abraço no baixo e tascar-lhe um beijo).

Aos poucos, o público que não conhecia Miho começava a se sentir em casa – pena que toda a concentração inicial da cantora não tenha dado muito certo: problemas no som e o vocal baixo prejudicaram um pouco. Os que a conheciam somente pelo trabalho no Cibo Matto, enxergavam agora o poder de frontwoman de Miho. Tudo isso seria sua ecdiseEcdsys é o nome do álbum solo de Miho. O nome faz relação à troca de pele dos insetos. “Esse é meu primeiro álbum solo. Queria que ele fosse mais íntimo, mais silencioso. Eu mesma, então eu aprendi muito. De algum modo, eu mudei: o jeito de encarar o mundo, de fazer as coisas. Cada vez que isso acontece, é uma ecdise. Precisamos fazer isso para entender mais coisas, mesmo a música. Eu não quero ter medo de mudanças. Quando você tem medo, pára de crescer.”. Dá até para dizer que Miho chegou a um amadurecimento que fica claro em seu disco solo. Um amadurecimento que permite falar de coisas sériasWalking City fala de sua visão de futuro. Miss Information fala de como a informação pode ser capciosa. “Se a informação fosse uma mulher, ela seria uma prostituta”, disse Miho. sem perder a preocupação com o som.

Miho é uma dessas artistas globais, grupo encabeçado por Björk, de artistas que são palatáveis ao mundo tudo sem deixar de usar suas raízes. É cantora para New York, Tokyo, São PauloA cantora se sentiu em casa ao saber que havia tantos descendentes de japoneses na capital paulista. Foi comer pastel na feira e bateu maior papo com as feirantes japas. e demais metrópoles, misturando tudo o que encontra“Estou sempre procurando. Hoje eu estava andando perto do hotel e comecei a ouvir alguma escola que estava ensaiando marchas, provavelmente era samba – eu não conseguia ouvir porque estava dando eco. Mas era muito legal, eu ouvi aquilo e ohh… é tão inspirador.”. Vale até cover de Heart Of Glass, do Blondie.

No bis (fortemente requisitado pelo grupo), seu projeto globalizante se firmou: Paraíba, cantada em japonês. O refrão, claro, em coro pela platéia. Para finalizar, Blossom Flower, uma homenagem aos nipo-brasileirosEla se espantou com o número de nikkeis de São Paulo. Disse que se sentiu um pouco em casa.. Afinal, todo mundo tem uma casaSer japonesa influencia? “Acho que sim. Não posso evitar que eu sou japonesa, influencia o jeito que eu vejo o mundo.”.

E como essa é a j-escatumbalera, japa tem que ser japa: Miho trouxe em sua viagem docinhos feitos com moti recheados com doce de feijão – e nos ofereceu um. Global, mas com um pezinho no arquipélago.

 
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Coadjuvantes de luxo

VELVET REVOLVER e AEROSMITH
29abr2007 @ Morumbi, SP

No “hard soft” do Aerosmith, quem brilhou foi o Velvet Revolver

Chegar naquele lugar foi um exercício de paciência. O trânsito absurdo foi o primeiro adversário. Depois a chuva - que por sorte foi rápida - deu uma refrescada. Mas, assim como eu esperava, não teriam pessoas saindo pelos buracos [...]

por Rodrigo Lara
9 maio, 2008


VELVET REVOLVER e AEROSMITH


29abr2007 @ Morumbi, SP


No “hard soft” do Aerosmith, quem brilhou foi o Velvet Revolver

Chegar naquele lugar foi um exercício de paciência. O trânsito absurdo foi o primeiro adversário. Depois a chuva - que por sorte foi rápida - deu uma refrescada. Mas, assim como eu esperava, não teriam pessoas saindo pelos buracos do estádio. Consegui um lugar bastante bom na pista, óbvio (afinal, ver show em estádio das arquibancadas é uma heresia comparável a se usar um pandeiro em uma banda de rock). Posteriormente, leria reclamações sobre o som nas cadeiras e arquibancadas. O que era previsto. Só quem nunca foi num show em estádio acha que o som das cadeiras e arquibancadas (principalmente) vai ser bom. Quer ouvir, vai pra pista.

O show era pra ser do Aerosmith. Mas quem chegou antes não se arrependeu. O Velvet Revolver, de Scott Weiland (STP), Slash, Duff e Matt (Guns’n'Roses) e Dave Kushner (Wasted Youth), simplesmente detonou. Com cerca de 1h de show, o “Dream Team” do Hard, Glam, sei-lá-o-quê, Rock do final dos anos 80 e boa parte dos 90, mostrou que tem muito o que oferecer. Não sobrevivem à base de covers, com músicas próprias ótimas e um CD saindo do forno. Weiland tem uma presença de palco absurda, sendo um dos últimos da linhagem de Mick Jagger e Steven Tyler. Slash e Duff nem precisam de comentários. Continuam os mesmos. Gênios. E com direito a duas músicas do STP (Crackerman e Sex Type Thing) e do Guns (It’s So Easy e Mr. Brownstone), magistralmente executadas pela banda. Destaque para Weiland, que em nenhum momento tentou imitar Axl nos covers de Guns. Fez os fãs da banda nem lembrarem que o Axl existe e pretendia vir ao Brasil esse ano.

Aí foi a vez dos quase sexagerários do Aerosmith entrarem no palco. Com uma energia incrível diga-se de passagem. Steven Tyler continua com a mesma voz de sempre e, o mais legal, ao vivo ela não é diferente das versões gravadas. Mas quem roubou a cena foi Joe Perry. O guitarrista cantou duas músicas, pulou na bateria, jogou a guitarra no chão e bateu nela com a sua blusa, no melhor estilo guitar hero. O set list frustrou um pouco, com a ausência de hits como Pink, Crazy, Amazing e Hole In My Soul. Mas a proposta da banda era essa, então não há muito do que se falar nesse aspecto. Ainda sobre o set list, a grande presença de baladas tornou o show romântico demais. O que mais se via eram casais dançando juntos.

No geral, o show foi ótimo. Valeu o preço salgado do ingresso, as horas de trânsito e a caminhada. Na verdade, parafraseando a campanha do Mastercard:

Ingresso do Show - 90 Reais

Ver ícones do rock mundial - Não tem preço

 
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Os trintões que ainda mandam bem

MOTÖRHEAD
29abr2007 @ Via Funchal, SP

Banda dos anos 70 faz show de clássicos e leva público a êxtase

Foi só chegando ao local que percebi que havia subestimado o show do Motörhead (aliás, não se preocupem com esse trema. O próprio vocalista Lemmy disse certa vez que o trema só existe para parecer malvado). Havia uma multidão [...]

por Luiz Fukushiro
4 maio, 2008



MOTÖRHEAD

29abr2007 @ Via Funchal, SP

Banda dos anos 70 faz show de clássicos e leva público a êxtase

Foi só chegando ao local que percebi que havia subestimado o show do Motörhead (aliás, não se preocupem com esse trema. O próprio vocalista Lemmy disse certa vez que o trema só existe para parecer malvado). Havia uma multidão de pessoas vestidas de preto, algumas com couro, outras de cabelos compridos. Coturno era elemento básico, assim como as camisetas de bandas, na maioria das vezes do próprio Motörhead, mas chegando ao caso de haver uma pessoa com uma camiseta do Aerosmith. Era bastante gente, que quase lotou o Via Funchal.

O show de abertura era do Matanza. A voz rouca do Jimmy London cantou no meio da apresentação: “Nós estamos bêbados, nós estamos bêbados. Quem não estiver bêbado que dê o fora daqui.” Muitos gritos. Muita fila no bar. E ninguém deu o fora. Todos à espera da atração principal, com direito a coro.

Motörhead! Motörhead!”O Motörhead é uma banda inglesa, formada em Londres no ano de 1975. Nasceram, portanto, antes do punk, mas já carregavam consigo a rapidez do estilo que estaria por nascer. Pertencem à nova onda de metal inglês, junto do Led Zeppelin, Deep Purple e Black Sabbath. O som é chamado de speed metal, pela velocidade, ou thrash metal, pela força. Dos membros originais, só sobrou o vocalista e baixista Lemmy, conhecido pela sua voz e sua pose de motoqueiro.

Depois de muitos roadies entrarem e serem aplaudidos de forma errônea, a banda entra. Começa o som e a pista, em especial na região mais próxima ao palco, vira um ringue. As cabeleiras chacoalando, muito mosh e cotoveladas. Um empurra-empurra que só pode ser visto em um show de metal, com direito à pirâmide humana.

Lemmy mostra toda a sua idade no rosto, mas convence que ainda manda bem. Sua voz rouca se junta à barulheira da guitarra e da incessante bateria. O show manteve uma temperatura estável, do morno para o quente, apresentando um aquecimento crescente quase não notável. A banda veio ao Brasil para divulgar seu novo álbum, Kiss of Death, de 2006. Mas foi só nas clássicas que a temperatura se elevou ao máximo. Destaque – e um quase ápice do show – foi o solo de bateria de Mikkey Dee, que durou lá para uns cinco minutos e levou o público ao delírio (e dá-lhe dedinho pra cima).

Duas músicas fizeram o mosh um pouco mais forte: em segundo lugar The Chase Is Better Than the Catch, do mesmo álbum da campeã: Ace of Spades. Pois é, duas músicas do primeiro álbum lançado. Ace of Spades apresentou a maior taxa de empurra-empurra de todo o show, isso já no bis.

Depois de Ace of Spades, o show tinha tudo para terminar, mas Lemmy encabeçou mais algumas músicas, levando ao show a quase duas horas. Ninguém reclamou. Todas as camisetas pretas estavam suadas ao final do show, ficando a sensação de que o Motörhead ainda manda muito bem, mesmo após trinta anos.

E uma pequena confissão: eu só conhecia Ace Of Spades.

 
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E assim, mais uma vez, Martin agradou uma platéia

COLDPLAY27fev2007 @ Via Funchal, SP
Com o entusiasmo habitual, a banda de Chris Martin toca sucessos, não inventa, mas deixa boa impressão

“Como assim? Um show de rock sem pista??”, pensei eu ao comprar o ingresso há três meses. Para mim, o local ideal para se ver, não só o Coldplay, mas qualquer outra banda de rock, [...]

por Carol Landulfo
14 março, 2008


COLDPLAY
27fev2007 @ Via Funchal, SP

Com o entusiasmo habitual, a banda de Chris Martin toca sucessos, não inventa, mas deixa boa impressão

“Como assim? Um show de rock sem pista??”, pensei eu ao comprar o ingresso há três meses. Para mim, o local ideal para se ver, não só o Coldplay, mas qualquer outra banda de rock, é no meio do povo, que normalmente se aproxima mais e mais do palco a cada música. Ok, é uma escolha da própria banda. Segundo soube, eles preferem esse tom mais intimista, teatral e “organizado”. Porém, o terceiro adjetivo teimava em triunfar. Os seguranças sofreram para tirar intrusos de fileiras mais adiantadas.

Após a calmaria que reinou durante os 30 minutos de show de abertura da banda Papas Na Língua, – talvez meia dúzia de pessoas resolveram levantar no hit chiclete Eu Sei, tema da novela Páginas Da Vida – o público, sobretudo as inúmeras representantes do sexo feminino, já de pé, se amontoava e gritava eufórico o quase início do show.

Minutos antes da banda invadir o palco do apertado Via Funchal, organizadores da turnê desfilavam com o set list para fotógrafos se deliciaram com o “furo”. Iluminado por flashes, o público via a folha sulfite que trazia as músicas que a banda tocaria logo mais. Muito parecida com a da noite anterior, a nova lista trazia, na última linha, uma dúvida: “shiver???”. Pelo jeito dependeria dos gritos da platéia, assim como aconteceu no primeiro show, para que o hit do primeiro disco do grupo fosse tocada.

Enquanto mais gritos histéricos comemoravam as canções que fariam parte do repertório, sobretudo Green Eyes, que já foi inclusive rechaçada pelos membros da banda em entrevistas anteriores, dizendo que não tocariam a música ao vivo, as luzes iam se apagando. Seguranças tentavam manter a ordem e expulsavam duas espertas meninas que pretendiam sentar-se na fileira da minha frente. Os instrumentos estavam à postos. O piano só esperava seu dono.

Como esperado, Square One, do mais recente álbum, X&Y, iniciou o espetáculo. Luzes psicodélicas que giravam sobre si mesmas roubavam alguns segundos de atenção da platéia que se esmagava e esticava os pescoços para ver melhor Chris Martin e sua trupe, todos, como de costume, vestidos elegantemente de preto. Politik veio no embalo. Música e letra fortes impulsionaram os gritos de Open Up Your Eyes.

Yellow foi a terceira da noite. Como tradição, bolas coloridas com papéis picados dentro delas caíram sobre o público. Muitos estouravam e guardavam o plástico furado como um souvenir. Os quase cinco minutos da mais conhecida canção da banda proporcionaram uma aura totalmente lúdica. A platéia, por alguns momentos, se esquecia completamente dos quatro moços do palco e pulavam o máximo que conseguia para tocar no balão e jogá-lo ainda mais alto.

Martin ainda não havia conversado com o público. Antes de tocar Speed Of Sound, quarta música do show, o vocalista inicia o papo com um “a segunda noite é sempre melhor”, em um bom e claro português. Até o fim do show, o já quase paulistano vocalista ainda arriscaria mais algumas muitas frases na língua dos brasileiros.

God Put A Smile Upon Your Face, What If, Sparks, Daylight e White Shadows seguiram o show. Desde o começo, já se pode ver um Martin empolgado. Por inúmeras vezes, ele se escondia em cantinhos do palco, rolava no show, pulava e dançava alucinadamente. “E aí, beleza?”, perguntava o moço ao público.

As luzes se apagam. Martin senta em frente ao piano. Talvez a música em que menos ouvi Martin. O coro era geral. The Scientist era a décima da noite. Em um momento, digamos assim, encantador do show, Chris reúne no cantinho esquerdo do palco seus companheiros de banda. Ali, apenas dois violões, uma gaita e as palmas de mais de duas mil pessoas davam o ritmo para Martin entoar a “fofa” Green Eyes.

Em Clocks, ele queria ao mesmo tempo saltitar pelo palco e continuar a tocar o piano. Ou ainda mostrar sua habilidade ao tocar o instrumento com uma mão só, regendo com a outra a cantoria do público.

Desde do início do show, entre uma música e outra, Shiver era gritada pelo público. Pelo jeito, Martin percebeu a falta de criatividade do público, fazendo o mesmo pedido que os outros fizeram no primeiro show.

Talk completou a apresentação antes do primeiro bis. O povo não parava de gritar e, mais empolgado do que nunca, não permitiu que um barulho ensurdecedor deixasse de ser ouvido enquanto a banda trocava de roupa e se refrescava no backstage.

Swallowed In The Sea, In My Place e Fix You formaram o novo bloco. Via-se um Martin super simpático, repetindo palavras em português, porém já não com o mesmo pique. Martin deixava trechos generosos para o público cantar. Talvez em seu último ímpeto de energia, em In My Place, o vocalista abandonou o palco, se juntou ao público do lado direito, obrigando todos a subir nas cadeiras para tentar achar onde estava ele.

O mistério mais sem graça do mundo finalmente chegou. Shiver foi berrada por milhares de pessoas. Mesmo não entendendo o porquê da fixação do público brasileiro pela música, ele e seu companheiro guitarrista atenderam aos pedidos. Pareceu aquele favor meio feito por caridade ou obrigação. Mas estava lá. O público saiu satisfeito. Shiver encerrava o segundo show da turnê de Coldplay pelo Brasil.

Longe de ser o melhor show de todos os tempos. Foi, sim, muito bem feito, bonito, por vezes emocionante. Entretanto, destacou-se o mais do mesmo. A partir de certo momento, parecia que Martin estava batendo cartão, claro, sem nunca perder a simpatia e o carisma. É por isso, que o rockstar mais bom moço da atualidade, mais uma vez, agrada uma platéia.

 
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Catarse a granel

DEFTONES10fev2007 @ Via Funchal, SP
Medalhão do new metal mostra que o gênero ainda tem dignidade

Confesso que saí de casa aquela noite duvidando um pouco do potencial do Deftones. Não musicalmente, mas sim o de agregar público ao evento. Foi o tempo de dez minutos do trajeto para descobrir o quanto eu estava errada: 7 minutos [...]

por Silvana Salles
12 fevereiro, 2008


DEFTONES
10fev2007 @ Via Funchal, SP

Medalhão do new metal mostra que o gênero ainda tem dignidade

Confesso que saí de casa aquela noite duvidando um pouco do potencial do Deftones. Não musicalmente, mas sim o de agregar público ao evento. Foi o tempo de dez minutos do trajeto para descobrir o quanto eu estava errada: 7 minutos para as 22h, a Rua Funchal abarrotada de gente de tênis Adidas e camiseta preta, como pressupõe o figurino. O mesmo aconteceria dentro da casa, onde 5 mil pessoas esperavam ansiosamente pelos primeiros acordes da banda californiana. Parecia que, caso raro, todos os fãs de nu-metal da Grande São Paulo e cercanias haviam decidido comparecer ao show – salvo aqueles que guardaram o dinheiro para ver o Bleeding Through tocar no Hangar 110 domingo à tarde.

Então vieram os esperados acordes. Catarse coletiva: parecia que cada uma das pessoas ali presentes sentia a música da mesma forma que os próprios músicos. Peso e melodia são destilados na medida certa. O baixista Chi Cheng faz o show inteiro com uma bandeira brasileira pendurada no pedestal do microfone.

Durante quase duas horas de show, a banda fez uma incursão por 12 anos de obra. O setlist bem montado não deu trégüa ao público, que não se cansava de pular nas músicas mais pesadas, como Bored (Adrenaline) e Korea (White Pony), cantar junto em clássicos como My Own Summer (Shove It) (Around The Fur) e Back To School (White Pony), demonstrar aprovação nas novas Hole in the Earth e Rats, Rats, Rats (Saturday Night Wrist), lançado ano passado) ou se emocionar nos momentos mais calmos, com em Digital Bath (White Pony). Importante lembrar, é claro, que mesmo a calma do Deftones traz um peso considerável, vista a parede sonora invejável que os músicos constroem ao vivo.

Durante a apresentação, o vocalista Chino Moreno mostrou porque merece a posição de frontman, conversando com a platéia, jogando camisetas devidamente carimbadas de suor facial, ocupando toda a frente do palco sem medo de chegar perto do público. O que, aliás, também vale para Chi Cheng, o segundo homem carismático da banda. Moreno também tirou fotos com a máquina de um fã e convocou o público para o mosh pit. O show terminou com a esperada Change (In The House of Flies) e Headup, registrada no álbum Around The Fur com participação de Max Cavalera, em 1996.

Nada de elementos pirofágicos ou malabarismos virtuosos. Foi um show direto e de excelente execução. Na medida para contra-argumentar com aqueles que acreditam que o Deftones era só mais um espécime de uma moda passageira, que teria ficado lá na virada do século.

 
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