| O Centro Cultural da Juventude fica do lado do Terminal Cachoeirinha. É um lugar enorme no fim da Zona Norte de São Paulo e que recebe todo tipo de iniciativa cultural, geralmente de gente da região.
André Asai, Guilherme Lunhani e Tiago de Mello realizaram o lançamento da sua instalação Um Homem No Teto – que ainda não estava pronta – com a “apresentação de alguns amigos”.
Então o público pôde conhecer um pouco do que os estudantes universitários de música – USP, Unesp, Unicamp – andam fazendo por aí. Nada usual, por sinal.
O fator principal é a improvisação, presente em quase todas apresentações. Guilherme e Tiago começaram com aquele viajando com uma rabeca e este filtrando, dobrando, retorcendo tudo no computador. A eletrônica foi outro ponto importante das performaces.
Os dois foram rápidos e não prepararam direito o público de amigos, conhecidos e parentes. Com percussões regionais, voz de tenor, caretas e letras que eram uma mistura de Milton Nascimento e Dead Fish, o quarteto Movimento Brasilidade entrou no meio da roda. O problema era o bumbo, que cobria quase tudo – e a velhinha japonesa tapou os ouvidos com um lenço de papel. Isso foi o mais usual da tarde, entre insultos lidos à platéia ao som de um shamisen distorcido e uma apresentação de flauta transversal distorcida.
Depois Fernanda Aoki, Bernardo Barros, Henrique Iwao e Mário del Nunzio apresentaram seu Kensho: “uma sequência de texturas sobrepostas”. E vale o que puder fazer barulho num microfone, desde raspá-lo no chão, até a leitura sussurrada de trechos de livros – William Blake, por exemplo (mas não dava pra entender). Cadeiras arrastando, apitos diversos, chaves, conchas, o diabo também fizeram parte do exercício. É legal de escutar, engraçado, mas dá sono.
Mário (guitarra) e Henrique (teclado) voltaram depois para sua improvisação final. Eles, com Lucas Araújo ao baixo foram o Trio Marco04. Rodrigo Montoya, com uma antena de automóvel, um pedaço de isopor, um shamisen e um violão também participou.
E a coisa durou meia hora, sem que ninguém “tocasse” – de uma forma mais, digamos, normal. O movimento frenético da palheta nas notas mais agudas da guitarra, o isopor nas cordas do shamisen ou a antena soando o violão, tapas violentos no baixo e o teclado distorcido, retorcido.
Não dá pra negar que tem uma sonoridade que chama atenção. Mas por uns cinco minutos. Depois disso, é tortura. Só que por meia hora o quarteto se empolgava e se acalmava, ia e voltava, e somente parou - ainda bem! - porque a organização percebeu que o público queria cortar os pulsos.
E, ao final, o melhor comentário – entre risos, mas sincero – para o estudante da Unesp e organizador da instalação e dos shows Tiago de Mello: É isso que vocês andam aprendendo na faculdade?
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2 responses so far ↓
1 henrique iwao // jul 4, 2008 at 2:59 pm
olá. é muito fácil julgar as coisas assim, sem paciência e reflexão e não leva a nada mais elevado na verdade (quando se fala de elevação espiritual). sugiro que você assista & ouça mais espetáculos de música, dos mais diversos tipos.
uma correção: o quarteto terminou naturalmente mesmo, muito embora a organização tenha se precipitado em pedir para eu parar de tocar (na verdade, eu já havia parado).
abraço e votos de melhorias.
2 Henrique de Brito // jul 16, 2008 at 12:37 pm
Acho válidas e boas todas as experiências e experimentações musicais possíveis. Mas naquela apresentação, a impressão que eu tive, como espectador, foi que o Tiago pediu que parassem. Além disso, o público demonstrava patente descontentamento - com a música em si e sua duração.
Para colocar as coisas direito: os artistas, músicos muito bons, fizeram uma improvisação que encheu o saco do público presente.
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