
Ryuichi Sakamoto e Alva Noto @ Sónar SP 2012 (Robson Bento/Getty Images LatAm)
- Depois de um som ~experimental~ do KTL—uma espécia de mantra contemporâneo que durou muito tempo no mesmo om—, vieram Alva Noto e Ryuichi Sakamoto. Talvez a apresentação que mais valeu a pena ser vista ao vivo, em especial para notar o piano de Sakamoto: às vezes preparado à la Cage, às vezes tocado diretamente nas cordas ou em tradicionais acordes. Noto, não só do áudio mas também do visual, fez com que o minimalismo de suas batidas se refletisse nas projeções. Tudo muito coerente, muito coeso.
- Se o Kraftwerk exaltava aquilo a maravilha da máquina, o Gang do Eletro veio pra celebrar aquilo que é de mais humano: não ter limites para mostrar o ridículo. A grande máquina exaltada aqui era a aparelhagem paraense. Muita cor, muita batida, muito gritinho. Galera dançou, riu, se divertiu.
- Já em clima de derrota, Austra foi a última apresentação ao vivo de um dos palcos. Três mulheres cantando notas longuíssimas, tudo meio viajadão, com coreografias blasée do tecladista. Tava ótimo pro clima.
- Justice: imaginava uma coisa superfria e poser. Foi talvez o que mais levantou todo mundo não só pelo nome. Tava bem ritualístico.
- Aqui vai um manifesto pelo festival dos desconhecidos. Não que os convidados não tivessem lá sua fama, mas a maioria que foi tinha em mente um ou outro artista. Na hora, você acabava vendo quem não conhecia e saía no lucro. O “conceito” de ~música avançada~ amarrou bem todo mundo que estava ali e já preparava a recepção. Nada de grandes nomes um atrás do outro. Muita paz para assistir qualquer show.
- E pelo que eu vi, a organização foi ótima. Tirando alguns atrasos, o que deixou a programação de todo mundo muito confusa. Mas as filas eram praticáveis, a circulação funcionava, choveu e ninguém se molhou, banheiros convivíveis.
Mas como era impossível estar onipresente, agradeço qualquer comentário.
